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Conheçam os mangás de games e o “boom” dos game centers nos anos 90!

Os principais mangás sobre games!

Mangás e games

Atualmente os mangás japoneses são conhecidos mundialmente e o número de títulos só aumenta a cada dia. Em meio a tantos gêneros diferentes, os assuntos abordados pelos mangás são cada vez mais variados também. Então, não é de se estranhar que existam mangás sobre… jogadores de videogame!

Por isso separei 4 mangás que contam mais sobre o “boom” dos videogames na década de 90 e sobre os progamers de jogos de luta. Em todos eles é possível sentir o carinho que os autores e jogadores tem por aquela época e como aqueles jogos mudaram suas vidas.

Se você também viveu essa época, certamente irá se relacionar com as emoções e dificuldades em conseguir terminar aquele jogo antigo sem ajuda. Ou das “lendas” que surgiam em uma era sem internet onde as únicas fontes de informação eram seus amigos (“o amigo do meu primo disse que…”) e as revistas mensais (Ação Games? GamePower?).

E se você acompanha os jogos de luta, prepare-se para conhecer mais sobre os melhores jogadores do mundo! Curiosidades, histórias, emoções e conquistas em uma era de expansão nos game centers japoneses com muitos jogos de luta. Vamos lá!

1) High Score Girl

Capa do primeiro volume do mangá "High Score Girl"

High Score Girl conta a história de Haruo Yaguchi, um menino que não possui nenhuma qualidade na escola mas se gaba de ser imbatível nos games. Apesar da postura arrogante e egoísta que afasta as pessoas, ele ama os games e está sempre empolgado com os novos lançamentos da época.

Mas um certo dia ele é surrado por Akira Ono em Street Fighter 2. Ono é sua colega de classe rica, popular e talentosa, mas que sofre com a pressão da família e foge para os game centers sempre que possível. Ela nunca fala e se comunica através de gestos e agressões(!) com Haruo, mas aos poucos eles desenvolvem uma amizade preciosa para ambos.

E claro que um mangá de romance não poderia deixar de ter um triângulo amoroso. A rival de Ono é Koharu Hidaka, uma menina que sabe muito pouco sobre games, mas que evolui bastante com o passar dos anos com o objetivo de vencer Haruo e chamá-lo para sair.

O mangá explora bastante os jogos da década de 90, com as emoções e frustrações daquela época. Como fazer os especiais secretos em Art of Fighting? Existe um personagem secreto em Super Street Fighter 2 Turbo? O que são “frames”?

Jogos como Final Fight, Vampire Savior e The King of Fighters fazem aparições frequentes. Conforme os anos passam, entram também o Playstation e o Sega Saturn com seus jogos 3D como Virtua Fighter e Tekken. Em um certo momento Haruo é obrigado a jogar Tokimeki Memorial para aprender a lidar com as meninas. E mais ainda, a consciência de Haruo é ninguém menos que Guile de Street Fighter 2!

Então, para quem deseja reviver a década de 90 dos games e ainda dar risada com um mangá divertido, High Score Girl é a melhor opção!

  • Autor: Oshikiri Rensuke
  • Gênero: Ficção, Romance, Comédia, Escola, Dia-a-dia
  • Lançamento: 2010
  • Volumes: 7
  • Kindle(JP)
  • Scanlation (EN)

2) Totsugeki! Tonari no Progamer

Mangá "Totsugeki! Tonari no Progamer"

Tonari no Progamer é o relato do próprio autor sobre o mundo dos progamers. Kutsuki Kazuya, representado por um avatar de pudim (sim, é sério), ouve falar sobre os progamers. Mas o que é um progamer? Com essa pergunta em mente, ele vai atrás de jogadores famosos para entrevistá-los e conhecer mais sobre esse mundo novo!

Nomes como Tokido, Mago, Sako, Fuudo, Itabashi Zangief e Kazunoko contam suas histórias, curiosidades e ambições nesse mundo ainda em evolução. E aqui temos alguns trechos de cada entrevista!

Para Tokido, Kazuya faz uma pergunta importante: Tokido é formado na Universidade de Tokyo, uma das mais renomadas do Japão. Por que decidiu abandonar a carreira e ir para os jogos de luta?

“Bem, viver só de jogos é difícil. Mas se eu conseguir, acho que meus esforços serão reconhecidos. Não acha interessante explorar o mundo por um caminho que ninguém tentou ainda?”

Com Fuudo e Itabashi Zangief, eles contam sobre a primeira participação de Fuudo na EVO em 2011. Sem patrocínio e sem saber inglês, ele foi desafiar o mundo sozinho com a cara e a coragem. Quase ninguém o conhecia e, mesmo no Japão, muitos só conheciam o nome dele como jogador de Virtua Fighter. Mesmo assim, ele foi e venceu a EVO de Street Fighter IV, fazendo o Itabashi Zangief chorar de emoção durante o stream.

Para Sako, ele pede para ver o “Sako Special” – um combo extremamente difícil de Vampire Savior que somente ele arriscava usar nas partidas. Mas, para a decepção de Kazuya, Sako revela que nem ele consegue mais fazer o combo se não treinar pelo menos 1 ano… “Nem o Sako é capaz de fazer o “Sako Special“??”

Mago, considerado o “2D God”, conta sobre sua época rebelde na escola. Ele usava o dinheiro da passagem de trem para jogar, parava nos game centers no caminho da escola e, quando ficava de castigo, sua mãe escondia os cabos do Super Nintendo!
(Nikki: bem, minha mãe escondia o videogame inteiro…)

E Kazunoko conta sobre seu caminho até ser reconhecido como jogador forte. Treinando dia após dia em Street Fighter IV, ele conseguiu subir ao top3 do ranking e chamar a atenção de Daigo Umehara, considerado o jogador mais famoso do mundo. Eles jogaram 50 partidas seguidas e o resultado final foi… 25×25! Em seguida, Kazunoko jogou também com Mago e… 25×25 novamente!

Enfim, é uma excelente oportunidade para os leitores conhecerem mais sobre seus jogadores favoritos. Kazuya também cobriu alguns eventos como a EVO (Estados Unidos) e o Southeast Asia Major (SEAM, em Cingapura), relatando sua triste vida de ser eliminado 0-2 em todos os torneios… relaxa Kazuya, nós entendemos a sensação…

  • “Totsugeki! Tonari no Progamer”
  • Autor: Kutsuki Kazuya
  • Gênero: Não-ficção, Entrevistas
  • Lançamento: 2016
  • Volumes: 3
  • Kindle (JP)
  • Nico Seiga (JP) (gratuito, incompleto)

3) Umehara Fighting Gamers!

Daigo Umehara é certamente o nome mais famoso no mundo dos jogos de luta e até mesmo fora dele. Apesar de ficar conhecido mundialmente após o lendário “EVO Moment #37“, no Japão sua fama já vinha de muito longe. E é essa história que Umehara Fighting Gamers conta em detalhes.

O mangá apresenta Nuki, famoso mundialmente hoje pela sua Chun-Li e sua narração de Street Fighter III: 3rd Strike. Ele tinha 15 anos na época do mangá e o jogo do momento era Street Fighter Zero 2. A Gamest, principal revista de arcades da época, realiza um torneio nacional de Street Fighter Zero 2 e Nuki se consagra campeão. Com o ego inflado, ele se sente invencível até ser derrotado por Daigo em Vampire Savior.

A partir daí, é uma luta incessante atrás de vingança. Nuki treina meses a fio, desenvolve técnicas, troca de personagens e se afunda cada vez mais no jogo com um único objetivo: vencer Daigo em Vampire Savior. Mas a adaptação absurda de Daigo sempre deixa Nuki um passo atrás nas lutas, que fica frustrado a cada derrota. No fim, ele reconhece a força de Daigo e se tornam rivais, que eventualmente se encontram de novo em… Street Fighter Zero 3!

Para vencer Daigo em Street Fighter Zero 3, Nuki chega ao ponto de convencer seus amigos a fazerem uma vaquinha para comprar uma placa arcade do jogo (na época custava o equivalente a 6.000 reais!). Ele aproveita a oportunidade para criar uma estratégia de Guard Break que funciona contra Daigo, mas em seguida é a vez de Daigo dar o troco…

  • “Umehara Fighting Gamers!”
  • Autor: Orisaka Itaru
  • Supervisor: Umehara Daigo
  • Gênero: Não-ficção
  • Lançamento: 2014
  • Volumes: 7
  • Kindle (JP)
  • Scanlation (EN)

4) Umehara: To Live is to Game

Assim como “Umehara Fighting Gamers!”, este mangá também conta a história de Daigo Umehara. Mas desta vez o ponto de vista é do próprio Daigo, com o leitor acompanhando seus pensamentos e decisões.

A história começa ainda na época de Street Fighter 2, onde Daigo assistia uma partida de Guile vs. Zangief. A partida é cruel contra o Zangief pois Guile tem muita vantagem, mas ele ouve um boato no game center: “há um jogador capaz de punir a rasteira média do Guile na reação”. Como naquela época os boatos rolavam soltos, Daigo não dá muita bola mas acha que “se alguém consegue, eu também consigo”.

Após muitas tentativas frustradas de imitar o boato jogando na casa de um amigo, ele desiste e considera “impossível”. Até ver o jogador dos boatos no game center fazendo o que ele não foi capaz. Isso o faz realizar como as pessoas ao redor eram rápidas em arranjar desculpas e como ele havia feito o mesmo quando não conseguiu punir a rasteira.

Daigo retorna a casa do amigo dele para treinar novamente no Super Nintendo, desta vez com o truque para jogar com “Turbo 10*”. Essa opção deixa o jogo muito acima da velocidade normal e ele pede para o amigo passar horas só usando a rasteira média do Guile. Já cansado, o amigo pede para eles jogarem algumas partidas normais e Daigo, frustrado, aceita. Mas ao retornar para a velocidade normal do jogo… ele finalmente consegue enxergar e punir a rasteira!

Neste momento ele percebeu que o limite de “não ser capaz de punir” era apenas um limite imposto por ele mesmo. E os jogos o desafiavam a superar esse limite. Assim começa a história de uma lenda…


E então, o que acharam dos mangás? Conhecem mais algum mangá sobre essa época gloriosa dos game centers? Contem para gente e deem uma olhada no nosso artigo anterior sobre os game centers de hoje aqui.

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Nikki
Aprendeu japonês de tanto jogar videogames e acabou tornando-se professor de japonês. Adora mangás, música e comida japonesa e precisa de doses diárias de chá, café e doces para sobreviver. Fã de jogos de luta, joga Guilty Gear competitivamente desde 2004. Suas séries favoritas são Atelier, Devil May Cry, Project Diva, Dark Souls e Killing Floor.

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