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Cinco jogos japoneses para relaxar antes de dormir

Dormir é bom e todo mundo sabe. Mas além disso, é também uma das atividades mais importantes para o bom funcionamento do nosso corpo. No entanto, algumas pessoas sentem dificuldade para pegar no sono em dias muito quentes – como os que estamos vivenciando neste verão escaldante – e eu sou uma delas.

Na falta de um bom ar condicionado (ou um bom ventilador), acaba sendo praticamente impossível dormir tranquilo sem se sentir um peru no forno prestes a ser servido, mas existem algumas técnicas milenares secretas que podem nos ajudar a contornar esse problema.

Joguinhos! Sim, joguinhos. Mas ué, os jogos não servem para nos entreter e distrair? Como poderei dormir com eles? Isso é possível, acreditem. Vocês só precisam escolher os jogos certos. E é exatamente por isso que hoje iremos apresentar para vocês cinco jogos incríveis que nos fazem relaxar (ou dão sono, como preferirem) antes de dormir.

Vale ressaltar que todos os jogos citados neste texto são considerados maravilhosos pela equipe do site, mas é fato comprovado pela ciência que, eventualmente, o soninho acaba chegando. Outro detalhe importante é que os jogos citados abaixo não estão em ordem de preferência, sono ou qualquer outra coisa. Combinado? Combinado!

Harvest Moon

Para começar, que tal tirar uma folga da correria da cidade grande e passar um tempo no interior cuidando de uma fazenda abandonada? Essa é a proposta da franquia Harvest Moon, atual Story of Seasons no ocidente. Duvido que você não conheça, visto que foi a maior inspiração para o criador de Stardew Valley.

Embora seja uma das minhas franquias favoritas, já perdi as contas de quantas vezes dormi enquanto jogava algum título da série. Tudo isso porque em Harvest Moon nos tornamos responsáveis por reviver uma fazenda totalmente destruída, ou seja, precisamos arar o solo, plantar, regar, colher, alimentar e oferecer os cuidados básicos aos animais, entre outras atividades rurais.

Harvest Moon (Super Nintendo, 1996)

Vamos combinar: por mais legal que seja, essas coisas dão sono. Principalmente por serem tarefas diárias e repetitivas, onde você precisa dividir o seu tempo entre os serviços da fazenda, as idas até a floresta em busca de materiais e produtos diferentes e as socializações com moradores da vila para ganhar pontos de amizade e, consequentemente, arranjar um(a) namoradinho(a).

A jogabilidade é muito simples: é preciso realizar as atividades sem ultrapassar os limites de energia do personagem ou ele pode desmaiar e perder algumas horas de trabalho no dia seguinte. Acredite ou não, o tempo em Harvest Moon é relevante e qualquer minuto a mais faz diferença, principalmente se a sua fazenda necessitar de cuidados extras.

Harvest Moon: The Tale of Two Towns (Nintendo DS / 3DS, 2010)

A ambientação da série é um dos detalhes mais importantes para quem quer relaxar. Não sei vocês, mas pensar em fazenda, interior e calor – embora o jogo traga as quatro estações do ano bem definidas – só me faz lembrar de férias, piscina, rede e vontade de fazer nada.

Outro fator que auxilia no processo de relaxamento é a ausência de eventos extraordinários ou cheios de tensão – a não ser algumas tempestades que destroem a plantação, animais selvagens que somem com as galinhas durante a noite ou desentendimentos bobos com moradores da região. Em geral, os eventos exalam paz, harmonia e tranquilidade, o que é perfeito para tirar aquela sonequinha em qualquer horário do dia.

Harvest Moon: A New Beginning (Nintendo 3DS, 2012)

E pra dar ainda mais sono, que tal acordar de manhã com vários passarinhos cantando na frente da sua porta?

Animal Crossing

Já imaginou comandar uma pequena cidade no meio do nada e cuidar do bem-estar de animais antropomórficos? Essa é a proposta de Animal Crossing: New Leaf, quarto jogo principal da franquia Animal Crossing, lançado para Nintendo 3DS em 2012.

Para quem não conhece, Animal Crossing é uma série extremamente divertida e cheia de coisas para fazer, como conversar e presentear moradores da cidade, participar de atividades de pesca, busca por fósseis e caça de insetos para aumentar o acervo do museu, decorar sua casa com vários tipos de mobílias, e muito mais. Talvez por isso tenha sido um dos jogos que mais joguei na vida. Apesar disso, também foram incontáveis os momentos em que dormi enquanto me sentia a Branca de Neve rodeada de bichinhos fofinhos.

Em Animal Crossing: New Leaf, o melhor jogo da série na minha opinião, o jogador deixa de ser um simples aldeão como nos jogos anteriores e passa a ser o prefeito da cidade. Novas mecânicas também foram adicionadas, como a possibilidade de expandir e aprimorar sua casa, pendurar mobílias nas paredes, mergulhar no oceano para pegar peixes e outros animais aquáticos, adicionar amigos para trocar mensagens, visitar cidades de amigos ou pessoas desconhecidas através de multiplayer local ou online, e viajar até a ilha Tortimer em grupos de até quatro jogadores para participar de minigames e caçar insetos valiosos.

O dia que peguei uma piranha em Animal Crossing: New Leaf

Além disso, é possível fazer amizade com os moradores da cidade e estes poderão enviar presentes, cartinhas e até mesmo trocar itens com o jogador. Vale mencionar que cada animal possui uma personalidade única, proporcionando diálogos divertidos e inusitados. Existe até mesmo a possibilidade de um animal criar um apelido para o jogador e, conforme o nome vai se popularizando, outros moradores da cidade passam a utilizar o termo também em seus diálogos.

O jogo tem conteúdo suficiente para meses e anos de gameplay, principalmente por utilizar o relógio real do Nintendo 3DS para funcionar, ou seja, a hora realmente passa beeeem devagar. Isso significa que as lojas abrem e fecham horários específicos, e espécies de vida selvagem e eventos especiais variam de acordo com o dia e a estação do ano. O problema é que, com o passar do tempo, as atividades se tornam repetitivas – ou muitas vezes terminamos tudo o que poderia ser feito naquele horário do dia e não há mais nada para fazer – dando brecha para o sono aparecer.

Comemorando com a galera em Animal Crossing: New Leaf

O ambiente tranquilo, os personagens graciosos e as atividades que mais lembram um acampamento de férias são os ingredientes perfeitos para relaxar após um dia estressante na vida real. Dito isto, nada melhor do que jogar Animal Crossing para ficar em paz consigo mesmo e ter uma ótima noite (ou dia) de sono.

Persona 5

Persona sempre foi uma das franquias mais queridas pelos fãs de videogame no Japão, principalmente daqueles que já acompanhavam a série Shin Megami Tensei. Com o lançamento de Persona 5 em 2017, a série – que já era conhecida por aqui – se tornou ainda mais popular, sendo seu último título um dos jogos japoneses mais amados no mundo.

Sua proposta é diferente dos RPGs tradicionais, misturando elementos da vida cotidiana, como estudo, encontros e passeios com batalhas em universos fantasiosos presentes em jogos do gênero. Em Persona, o jogador normalmente se coloca no papel de um estudante do ensino médio que deverá enfrentar os problemas da realidade ao seu redor em um universo paralelo lotado de monstros conhecidos como shadows.

Protagonistas de Persona 3, Persona 5 e Persona 4

Com designs de personagens belíssimos, paletas de cores maravilhosas e trilhas sonoras impecáveis é impossível não se sentir atraído por algum jogo da série. E se por ventura você não conhece, vale muito a pena dar uma olhada por aí. No entanto, hoje vou focar em Persona 5, já que foi o último que joguei – e ainda estou jogando.

Persona 5 é sensacional. Diria que de todos os jogos da série que tive a oportunidade de jogar é o que mais estou gostando. A história é intrigante, os personagens são extremamente carismáticos, os figurinos são estilosos, os cenários são maravilhosos, além, é claro, de ser o único jogo da franquia que se passa em Tóquio. Quem me conhece sabe que esse último detalhe é mais do que suficiente para me segurar.

Tóquio e seu esplendor em Persona 5

A ambientação do jogo é bem fiel à realidade, então se você já foi ao Japão vai sentir aquela nostalgia gostosa ao revisitar o país. Andar pelas estações de trem e tentar se localizar através das placas, desviar das pessoas nas ruas – embora não seja tão necessário assim – observar as lojas e restaurantes nos arredores de Shibuya, Shinjuku, ou em qualquer outro bairro da cidade, tudo isso é simplesmente incrível e muito bem detalhado.

O problema é quando começam os diálogos. Apesar de ter ótimos enredos, os diálogos na série Persona sempre foram excessivos. São horas e horas de conversa, onde normalmente o jogo não permite que o jogador pare para salvar seu progresso. Isso acaba sendo exaustivo para quem está cansado, tem pouco tempo livre ou simplesmente não é muito fã de cenas do tipo, além de dar uma certa preguiça de continuar lendo após tanto tempo de jogo. O lado positivo é que existe a opção para pular os diálogos, mas aí é por sua conta e risco.

Diálogos e mais diálogos

Outro detalhe que ajuda a dar aquela sensação de relaxamento (ou sono) são os momentos da vida cotidiana do personagem onde o jogador deverá realizar certas atividades para melhorar alguns status sociais. Por exemplo, estudar para aumentar conhecimento, arrumar alguns objetos para melhorar proficiência, regar plantas para aumentar bondade, entre outras coisas. No início tudo isso é bem divertido, mas após algum tempo acaba se tornando repetitivo e demorado, o que também pode causar preguiça em algumas pessoas.

Confesso que esses detalhes me fizeram dormir várias e várias vezes enquanto jogava Persona 5 – por isso também ainda não consegui finaliza-lo. Também fui atrás de relatos de outros jogadores para saber se a experiência tinha sido parecida e fiquei abismada quando soube que muita gente se sentiu assim, não só com o quinto jogo da série, mas com títulos anteriores também.

Ainda assim, Persona 5 tem diversos outros fatores positivos e mesmo com os diálogos excessivos continua sendo excelente, mas não deixa de preencher a posição como bom candidato para um cochilo após o almoço.

Pokémon

Com certeza você já ouviu falar de Pokémon e de seus jogos para portáteis da Nintendo, como Pokémon YellowPokémon HeartGold & SoulSilverPokémon Black & White, e tantos outros títulos. É inegável o sucesso da franquia de monstros de bolso e o amor dos fãs por ela até os dias de hoje, como pudemos ver com o lançamento recente de Pokémon: Let’s Go, Pikachu! & Pokémon: Let’s Go, Eevee! para Nintendo Switch.

Em Pokémon, o objetivo do jogador é capturar o maior número de monstrinhos para usar em batalhas contra líderes de ginásio e se tornar o maior treinador do mundo. Para isso, deverá enfrentar vários “pokémons” e treinadores durante sua jornada a fim de subir de nível e ganhar mais habilidades.

Viajar através do continente e visitar todos os tipos de cidades possíveis, customizar seu personagem e seu time, jogar minigames para aumentar a afinidade com os monstrinhos, participar de concursos diversos, enfrentar pessoas do mundo inteiro, entre várias outras coisas é o que fazem Pokémon ser uma franquia tão querida pelos fãs.

Região de Alola em Pokémon Sun & Moon

Mas é fato que após algumas horas de jogo treinar os monstrinhos de bolso acaba se tornando maçante para alguns jogadores. O sistema de batalha por turno, apesar das melhorias realizadas nos jogos mais atuais, ainda é um pouco demorado e pode incomodar com o tempo, sem contar que repetir a mesma coisa várias e várias vezes é desgastante.

Além disso, o encontro aleatório presente nos jogos da série acontece com tanta frequência que acaba sendo impossível atravessar alguns locais sem pensar em desistir por alguns minutos para tomar um ar. Ou você gasta todo o seu dinheiro com repelentes ou vai ter que enfrentar monstrinhos selvagens de 5 em 5 minutos dependendo de onde estiver.

 

É óbvio que isso não necessariamente precisa ser um problema, afinal, gosto é gosto, certo? Mas a questão aqui são, como já vimos nos jogos citados anteriormente, as atividades repetitivas que acabam caindo na mesmice e dão sono. É exatamente por isso que Pokémon também é um ótimo candidato!

Já faz algum tempo que não me prendo em algum jogo da série, mas reconheço sua importância e relevância no mundo dos jogos. Foi uma franquia que fez parte da minha vida por muito tempo, principalmente na infância e adolescência, mas confesso que mesmo naquela época Pokémon me proporcionou várias tardes e noites de sono.

Tomodachi Life

Quem nunca sonhou em morar em uma cidade, bairro ou condomínio onde os seus melhores amigos, ídolos e todas as pessoas que você ama estão por perto? Em Tomodachi Life isso é completamente natural e é possível criar todos os tipos de seres humanoides imagináveis utilizando o sistema de criação de Mii.

O jogo foi lançado para Nintendo 3DS em 2013 e, assim como Animal Crossing: New Leaf, também utiliza o relógio real do portátil para funcionar. Ou seja, dependendo do horário e da rotina dos moradores da sua cidade, pode ser que você encontre todo mundo dormindo, almoçando ou jantando no mundo virtual.

Imagem real do sonho de um dos moradores de Mirai City

O legal de Tomodachi Life é que, embora alguns recursos de customização sejam limitados, como cores de cabelo e opções de nariz, é possível editar a personalidade de cada Mii criado, escolher o estilo de voz, informações pessoais e até mesmo parentesco.

Cada morador tem direito a um apartamento no edifício residencial da cidade e o objetivo do jogador é, basicamente, mimar um por um, seja através de alimentação – é importante alimenta-los com aquilo que gostam de comer ou eles podem ficar chateados – presentes, objetos e até mesmo cenários para que possam subir de nível. Dessa forma, o jogador receberá dinheiro e poderá comprar mais e mais cacarecos para continuar mimando a galera.

Conheçam a protagonista de Mirai City

Apesar de parecer bobo, Tomodachi Life é um jogo extremamente engraçado, a começar pelo design dos personagens. Vamos combinar, os Mii são muito esquisitos. Além disso, cada um tem a sua própria personalidade, o que proporciona todo tipo de diálogo possível, bem como comportamentos e atitudes peculiares tanto em casa, como nos principais pontos da cidade.

Wii U na minha casa, vem gente!

Com a convivência, também é normal que os personagens briguem, façam amizade e até se apaixonem – e normalmente essas paixões são bem aleatórias. O lado bom é que eles sempre perguntarão a opinião do jogador a respeito, então caso não apoie a formação do casal, é só dar um tapa de realidade na cara do coitado que ele não irá se declarar para o amor da sua vida.

Boatos de que minha amiga se apaixonou

Vale lembrar que, caso receba apoio, a declaração ocorrerá e os personagens iniciarão um namoro. Se o relacionamento for bem, eles poderão se casar, mudar para uma casa e até mesmo ter filhos que serão criados aleatoriamente com base na fisionomia e personalidade dos pais.

E teve casamento em Mirai City sim!

Dentro do jogo também existem vários minigames que podem ser jogados tanto com os moradores – eles avisarão quando estiverem com vontade de jogar alguma coisa – como também em eventos específicos que acontecem na praia, no parque ou na praça. Cada vez que o jogador vencer, ganhará um presente dos moradores que poderá ser vendido em lojinhas pela cidade.

Ryochan tomou poção para virar criança e foi brincar no parque

Além disso, existe um teatro local onde é possível montar apresentações com a galera para que realizem performances musicais individuais ou em grupos. O jogador poderá escolher o figurino dos personagens, bem como editar a letra das músicas pré-prontas disponíveis no jogo, criando algo único e especial. Cá entre nós, já perdi muito tempo nisso.

Grupo idol pop famoso de Mirai City

É muito fácil ficar horas e horas no universo de Tomodachi Life, principalmente se você, assim como eu, gosta de jogos como The Sims – embora sejam bem diferentes em questão de gameplay. No entanto, apesar de ser bastante divertido, temos aqui o mesmo problema dos jogos citados anteriormente: a rotina. As atividades são repetitivas e cansativas, não acontece nada diferente do normal e, com o tempo, isso pode acabar causando sono.

Passeando por Mirai City 😊

Tomodachi Life é um jogo leve e que não requer muito esforço do jogador, visto que após acostumar com o sistema de jogabilidade tudo acaba sendo feito no automático. Mesmo assim, é uma ótima forma de diversão para quem quer relaxar, principalmente antes daquele soninho gostoso no final do dia.

Obs.: Mirai é o nome da minha cidade em todos os jogos que permitem nomear cidades (ou fazendas).

E você, quais jogos costuma jogar para relaxar antes de dormir? Conta pra gente nos comentários abaixo, no Twitter ou no Facebook! 😉

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Mio
Mio
Tradutora, professora, redatora e fundadora da Densetsu. Apaixonada por música, jogos, dorama e cultura japonesa em geral. Mãe de um shiba inu e de um gatinho SRD com muito orgulho. ♥ Suas franquias favoritas são The Legend of Zelda, Just Dance, Bokujou Monogatari e Fatal Frame.
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