Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses – Duelos inusitados na Inglaterra | #DensetsuIndica

O "card game of thrones" dos monstros de duelo.


Em 2001, a Konami lançou para PlayStation 2 um jogo que ficaria para sempre na memória de muitos fãs da popular franquia de card games Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses. Chegando ao Japão como Shin Duel Monsters 2, o título é uma sequência do popular Forbidden Memories de 1999, porém ele conta com novidades que o tornam bem diferente.

Ao invés de simplesmente polir elementos de seu antecessor para trazer uma experiência semelhante e mais refinada, o segundo jogo da série jogou tudo para o alto. Assim, apesar de ambos os títulos ainda compartilharem o mesmo DNA, não seria exagero dizer que são como parentes bem distantes.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

O verdadeiro reino dos duelistas

Um dos aspectos que mais contribuem para que Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses se destaque entre outros títulos da franquia é a sua trama. O jogo traz uma história inédita inspirada pela Guerra das Rosas, se desprendendo até mesmo do roteiro do mangá que deu origem à franquia.

Um período bem popular entre historiadores, a Guerra das Rosas foi uma série de conflitos civis que ocorreram na Inglaterra do século XV. Nessas batalhas, duas famílias disputavam pelo trono do país: os York e os Lancaster. Esse período histórico é tão influente que serviu de inspiração para várias obras de ficção, incluindo a popular série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Na trama, o jogador é convocado por um druida da família Lancaster, comandada por Henry Tudor (representado por Yugi) para lhes ajudar a vencer a guerra enquanto protegem as “Rose Cards”. Estas são cartas que possuem um poder mágico e acredita-se que, caso as 16 sejam reunidas, uma grande calamidade será invocada.

Entretanto, um representante da família York, C. Rosenkreuz (representado por Seto Kaiba), conseguiu se infiltrar no ritual de invocação. Ele também pede ajuda ao jogador, mas para juntar todas as Rose Cards. Os York acreditam que elas lhes concederão um poder com o qual serão capazes de encerrar a guerra de uma vez por todas.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Cada família possui oito cartas: os York, as brancas; e os Lancaster, as vermelhas. Assim, cabe ao jogador escolher qual dos lados da guerra ele escolherá. Essa decisão definirá os oponentes que deverão ser enfrentados e as Rose Cards conquistadas ao decorrer da história.

Porém, em The Duelists of the Roses, as batalhas ocorrem de maneira bem diferente. Afinal, aqui o estilo tradicional de jogo de cartas sai de cena e dá lugar a uma mistura inusitada entre mecânicas de card games e, surpreendentemente, RPGs táticos.

Uma nova forma de duelar

Diferente de Forbidden Memories, que não se preocupava tanto em explicar a sua jogabilidade, The Duelists of the Roses faz questão de introduzir seu novo sistema de duelos com um tutorial. Tudo funciona de forma semelhante a uma partida de xadrez, porém com algumas camadas adicionais de complexidade.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Cada peça é representada por uma carta da franquia, com a principal de cada duelista sendo a “Deck Leader”, o equivalente ao Rei no xadrez. Essas são as únicas que já começam a partida no campo de batalha, enquanto as outras, que também podem vir como cartas de magia e armadilha, devem ser invocadas uma vez por turno de face para baixo.

Se dois monstros tentarem ocupar o mesmo espaço, uma batalha no estilo tradicional do jogo de cartas é iniciada — vence aquele com o maior ponto de ataque. Enquanto as armadilhas se ativam por aproximação da peça do oponente, as magias devem ser ativadas manualmente, já que ela pode ser destruída por qualquer outra peça em campo.

Como todas são posicionadas de face para baixo, as cartas são um mistério para o oponente, mas além disso, o terreno também influencia o resultado do confronto. Cada casa do tabuleiro possui suas próprias características, podendo ter o bioma de floresta ou oceano, por exemplo, e isso fortalece ou enfraquece certos tipos de monstros.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Adicionalmente, o título traz de volta o sistema de fusões de Forbidden Memories, completo com todas as que foram introduzidas anteriormente. Assim, quem já passou bastante tempo no jogo anterior terá mais facilidade em fazer bom uso das cartas fracas neste.

No entanto, diferentemente do título de PS1, os monstros possuem um custo para serem colocados em campo. Essa adição por si só já ajuda a deixar as partidas mais justas para o jogador, já que o oponente não pode invocar cartas absurdamente fortes logo na primeira rodada.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Por fim, para vencer uma partida, deve-se cumprir uma das várias condições de vitória. As mais comuns são: reduzir por completo os pontos de vida do adversário através de batalhas entre monstros ou ataques diretos; ou encurralar o Deck Leader oponente, já que isso bloqueia o espaço para a invocação de novas cartas.

Juntando todas essas características, temos um sistema bem complexo, mas que não é tão difícil de aprender. O tutorial do jogo ajuda bastante nesse quesito, pois explica tudo de maneira detalhada, mesmo que acabe se estendendo um pouco e não tenha opções interativas para aprender na prática.

Com o fim da batalha, é chegada a hora de coletar os espólios. As cartas que o adversário utilizou na partida são sorteada para o jogador em três roletas. Como cada coluna oferece um prêmio, não é necessário que os itens estejam alinhados, apesar da tela lembrar uma máquina caça-níquel, mas se isso acontecer, o jogador ganha uma carta especial, além da que foi sorteada.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Evolução gradual

Essas são as regras básicas do jogo, mas existem ainda alguns alguns sistemas que vão além dos duelos. Cada carta tem um custo para ser adicionada ao baralho e esse valor nunca pode superar o do adversário. Desta forma, as partidas sempre serão um pouco desafiadoras para o jogador.

Além disso, há o sistema do “Deck Leader”. Esta é uma carta que não conta para ao limite de 40 itens do baralho e que possui algumas características especiais: além de servir como o ponto no campo por onde monstros, armadilhas e magias devem ser invocados, o líder possui um nível extra representado por uma patente militar. Quanto mais vitórias com ela, mais ela evolui e, com isso, recebe algumas habilidades passivas especiais.

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Os efeitos passivos variam, com os mais comuns trazendo aumentos de ataque e velocidade para as cartas do jogador. Os monstros mais raros, no entanto, possuem habilidades mais fortes, podendo aumentar o número de roletas ao fim da partida ou desenterrar cartas raras em certos espaços no campo.

No geral, The Duelists of the Roses oferece uma experiência bem divertida e desafiadora na medida certa. Além disso, é divertido recomeçar o jogo do zero, graças às diferentes opções de deck iniciais e à imprevisibilidade de qual carta será desbloqueada após cada duelo. Ademais, após a conclusão da aventura, o jogador pode salvar o seu progresso e dar início a uma nova, seguindo uma rota diferente com todas as cartas obtidas na anterior.

Espinhos das rosas

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Esta jornada de monstros de duelo pode ser um mar de rosas, mas todas essas flores têm espinhos e o jogo deixa a desejar em alguns aspectos. Apesar da trama ser uma proposta interessante, o título não se aprofunda tanto nela. Dessa forma, a história acaba sendo apenas um pretexto para duelos repetidos e nenhuma de suas figuras recebe um desenvolvimento de personagem notável.

No fim, a decisão inicial de a qual facção se juntar não faz tanta diferença, já que qualquer uma das duas leva a uma aventura um tanto superficial. Isso não é necessariamente um problema grave, mas esses primeiros momentos do jogo parecem prometer algo interessante que, infelizmente, nunca acontece realmente.

Finalmente, The Duelists of the Roses possui uma barreira de entrada um pouco difícil de ser superada por iniciantes. Até que se entenda o ritmo do jogo, perder contra os primeiros adversários pode ser um tanto frustrante e a abundância de cartas pode afastar alguns jogadores menos pacientes. Ainda assim isso, com um pouco paciência e perseverança, é possível encontrar o que fez o título ser tão amado na época de seu lançamento.

Alma de nobreza

Screenshot de Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses

Apesar dos pesares, o título não deixa a desejar nos quesitos técnicos. Graças ao papel das cartas como peças em um tabuleiro, seus monstros ilustrados agora ganham vida através de belos modelos 3D visíveis em campo, além de animações de batalha bem elaboradas.

Ainda com relação aos gráficos, apesar de adotar uma apresentação mais simplista durante os duelos, tudo tem uma sensação bem direta. É fácil identificar as informações mais importantes da tela e ela nunca passa a sensação de estar sobrecarregada ou poluída.

Além do aspecto visual, o jogo também dá um show na parte sonora. Assim como em Forbidden Memories, os sons de navegação no menu são bem agradáveis aos ouvidos e a trilha sonora, é claro, merece ser mencionada à parte.

Ao juntar várias das músicas do título anterior em versões orquestradas a diversas faixas totalmente inéditas, The Duelists of the Roses conseguiu criar uma trilha marcante e difícil de tirar da cabeça. Em todos os momentos a vontade é de parar o que se está fazendo por um tempo apenas para apreciar as belas composições, presentes em todos os menus.

Um brinde ao passado

Enfim, Yu-Gi-Oh! The Duelists of the Roses é um retrato perfeito da época em que foi lançado, quando as empresas e produtoras tinham menos medo de arriscar e apostar em ideias inusitadas. Para os que conhecem a Konami atualmente, é interessante ver o quanto eles estavam dispostos a experimentar com a marca antes de cair na mesmice que assolou a franquia por tantos anos.

Sendo um título tão único, ele definitivamente merece ser jogador por qualquer fã da franquia original ou entusiasta do gênero de RPGs tático ou card games. Suas mecânicas até hoje são bem únicas e são extremamente difíceis de encontrar em outros jogos do gênero.

E aí? Está pronto para se tornar um Duelista das Rosas e decidir o futuro da Inglaterra, ou já fez a jornada e viveu para contar a história? Compartilhe suas aventuras com a gente nos comentários e não deixe de conferir nossa visita anterior a Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories.

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Antonio Marconi

Conhecido como Ralphdro, está desbravando a língua japonesa enquanto sofre no Gacha Hell dos mobage. Amante da cultura japonesa num todo, arquitetura, música, literatura e tudo o mais. Algumas de suas franquia favoritas são: Fate, MegaTen, Metal Gear, Yakuza e Kingdom Hearts.
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