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Sega Ages: Sonic the Hedgehog – O clássico da Sega, agora no Switch

Review de Sega Ages: Sonic the Hedgehog

Talvez, por acaso, você já tenha ouvido falar no Sonic?

Sonic the Hedgehog, ou “Sonic, o Ouriço”, foi a resposta da Sega na década de 90 aos jogos de plataforma com mascotes, gênero que graças a ela e à Nintendo ficariam tão populares na época quanto os jogos de tiro em primeira pessoa nos dias atuais.

Sonic era um ouriço azul com luvas brancas, sapatos vermelhos e uma personalidade atrevida. Basta olhar pra cara e a pose dele.

O pequeno ouriço viria para bater de frente com o grande maioral da época, Mario, e trazer um elemento novo aos jogos de plataforma: velocidade supersônica ou, nas palavras da Sega futuramente, rolar por aí na velocidade do som. E foi aí que nasceu o primeiro jogo do ouriço supersônico, intitulado simplesmente de Sonic the Hedgehog, em junho de 1991.

Tela de título de Sega Ages: Sonic the Hedgehog
Pã pã pã pã pã, pãããã, pã pã pã pã pããã pããããã…

Sonic the Hedgehog seria um dos carros-chefe da linha de jogos do novo Mega Drive, console de 16-bits da Sega, publicado no Brasil pela TecToy. O sucesso foi tão grande que, para o próprio Mega Drive, mais 2 sequências foram lançadas (uma dividida ao meio) e vários spin-offs vieram a seguir para os outros consoles, além de títulos (de qualidade variável) em consoles até atualmente, com os mais recentes Sonic Mania Sonic Forces.

Hoje, estamos aqui para olhar para o primeiro, o pioneiro que iniciou tudo, em sua nova versão lançada para Nintendo Switch na coleção Sega Ages, e vamos revisitar o que fez de Sonic tão popular e quais as diferenças dessa nova versão para a original.

Follow me

 

Sonic the Hedgehog é um jogo de plataforma de rolagem lateral (piada_boa.jpeg) com foco em desviar de obstáculos e ganhar velocidade através do impulso gerado pela física do jogo. A história é bem simples: o perverso cientista Dr. Ivo “Eggman” Robotnik (Ivo Robotnik no ocidente, Eggman no oriente, em breve os nomes iriam se fundir), aparentemente inspirado em Theodore Roosevelt, está em busca das Esmeraldas do Caos (Chaos Emeralds) que estão escondidas em South Island, ilha onde Sonic habita com toda a fauna de animais que são seus amigos. Para poder procurar as Esmeraldas e impedir que Sonic o perturbe, Dr. Robotnik aprisiona todas as criaturas da ilha em robôs e faz com que estes ataquem o nosso querido ouriço azul. Cabe apenas a ele resgatar os animais da ilha e as Esmeraldas do Caos para expulsar Robotnik da ilha!

Tela de gameplay de Sega Ages Sonic the Hedgehog
Vão! Sejam livres!

Sonic pode pular, correr e rolar pelo chão, coetando anéis que lhe dão energia espalhados pelas fases e destruindo os robôs e libertando seus amigos animais no processo.

O jogo possui fases relativamente abertas com múltiplos caminhos acessíveis, com um grande caminho horizontal a ser percorrido e um pouco de verticalidade para esconder caminhos novos e acomodar a velocidade do personagem.

Rampas, colinas e os famosos “loops” se espalham por quase todas as fases do jogo, dando impulsos e deixando o jogador brincar com a habilidade de descer uma colina em alta velocidade, pegar impulso e subir para os céus, possivelmente alcançando novos caminhos ou itens colecionáveis, como escudos que protegem contra um ataque inimigo, vidas extras ou mais anéis – cada 100 anéis coletados dão uma vida extra, como de costume!

Tela de gameplay de Sega Ages Sonic the Hedgehog

Os três botões do Mega Drive, A, B e C (traduzidos no Switch como Y, B e A, respectivamente, suscetíveis a customização pelo jogador) fazem a mesma coisa — Pular, se enrolando em uma bola de espinhos destrutivos.

O pulo de Sonic também funciona como seu ataque: qualquer robô que encostar em nosso protagonista azul enquanto ele pula ou rola pelo chão (apertando o direcional para baixo enquanto estiver correndo) será automaticamente atacado ou destruído. Isso não impede que certos robôs tenham se adaptado: Alguns têm espinhos nas costas, escudos e até atiram projéteis, tudo para atingir aquela bola de destruição azul.

Quando atingido, Sonic é lançado para trás e perde todos os anéis que recolheu em uma chuva caracterizada pelo efeito sonoro tão lembrado (e possivelmente odiado). Daí, é uma corrida para recolher quantos anéis conseguir juntar e se manter vivo.

Tela de gameplay de Sega Ages: Sonic the Hedgehog

E tem um segredinho: Se você conseguir levar 50 anéis ou mais para o final de cada fase, um anel gigante aparecerá logo após o final e pular dentro dele te levará a uma das fases especiais, que escondem as seis Esmeraldas do Caos!

As fases especiais são mundos alternativos bem psicodélicos onde o jogador rola constantemente em um mundo que gira lentamente e sem parar, com certos botões no cenário que trocam a direção ou velocidade desse movimento, alguns anéis e espacinhos com diamantes que precisam ser destruídos para alcançar as Esmeraldas. Se parece complicado, é porque é!

Além desses obstáculos, certos blocos (confusamente com o nome “GOAL” piscando) levam o jogador direto de volta para a próxima fase, impedindo a captura da Esmeralda daquela fase especial, fazendo com que o jogador tenha que voltar mais uma vez para tentar de novo. Se você pegar 50 ou mais anéis em TODAS as fases, você tem 12 tentativas para pegar as 6 Esmeraldas (fases que possuem chefes não contam).

Boa sorte!

Tela de gameplay de Sega Ages: Sonic the Hedgehog

O jogo possui 6 fases diferentes, ou “zonas”, como o jogo chama — Green Hill Zone, Marble Zone, Spring Yard Zone, Labyrinth Zone, Star Light Zone e Scrap Brain Zone. Cada uma tem seu distinto visual e música, e é dividida em 3 fases (ou ‘atos’ – “Acts”), contando com um confronto com Dr. Robotnik ao final da terceira fase de cada zona.

Cada zona proporciona obstáculos diferentes, novos inimigos e maneiras diferentes de brincar com a física do jogo e se divertir pegando impulso, dando uma verdadeira (e divertida) aula de física. Atenção, professores de física que estejam lendo: Spring Yard Zone, Act 2. Me agradeçam depois.

Set me free

 

Sonic the Hedgehog não é um jogo terrivelmente difícil, apesar de demandar um certo ajuste aos controles e física do jogo, e de ter certos lugares com armadilhas que um jogador de primeira viagem provavelmente não saberia. Essas armadilhas, além de alguns outros elementos e lugares do jogo, provam uma falha importante no jogo: Enquanto Sonic the Hedgehog é um jogo focado em velocidade e em fazer o personagem brincar com o impulso e tentar ir o mais rápido que puder, certas coisas no jogo não são feitas para acomodar essa velocidade.

Por exemplo, zonas como Star Light e Scrap Brain possuem momentos em que o jogador é punido por se deixar levar pela alta velocidade, sendo jogado diretamente em precipícios e perdendo uma vida apenas por seguir um caminho que o jogo deixou a entender que era para ser levado em alta velocidade. Isso poderia ser mitigado por avisos ou por desacelerar o jogador na hora que o precipício estivesse perto, dando um momento a mais para o jogador ter o reflexo de pular na hora certa e desviar da morte certa, mas com a câmera fixa e bem centralizada no personagem e a alta velocidade, reagir a esses tipos de obstáculos muitas vezes beira o impossível.

Além disso, zonas como Marble Zone e ESPECIALMENTE Labyrinth Zone são fases com um fluxo bem mais lento, contando com plataformas que se movem lentamente e movimento debaixo d’água (que é BEM reduzido, além de ter um limite de oxigênio) e acabam sendo as fases mais maçantes do jogo.

Tela de gameplay de Sega Ages: Sonic the Hedgehog
Ah, sim! E eu já falei que a música que toca quando você está quase sem oxigênio é ESSA ATROCIDADE??? Coloque ela como seu despertador e nunca mais você se atrasa. De nada, e tenha ótimos pesadelos.

Além disso, certos “bugs” e “glitches” ainda podem ser notados, com seu personagem algumas vezes atravessando certas paredes e ficando preso nelas ou sendo esmagado por elas. Um glitch especialmente irritante é um que ocorre quando você cai em espinhos e perde todos os seus anéis. Se você for lançado para trás e cair em MAIS espinhos, é uma morte instantânea, onde em qualquer outra ocasião (como em lava, por exemplo) o jogador teria alguns segundos de invencibilidade.

O fato de que o jogo lhe leva de volta para a primeira fase caso você perca todas as vidas pode incomodar alguns (de fato, nós fomos muito acostumados com os jogos atuais e seus save points frequentes), mas o jogo conta com um sistema de “continues” que podem ser obtidos capturando 50 ou mais anéis nas fases especiais mencionadas anteriormente e a versão Sega Ages possui jeitos de mitigar até isso.

Trust me and we will escape from the city

 

A versão Sega Ages do jogo possui diversos elementos de customização que fazem com que sua primeira vez jogando o primeiro Sonic ou o seu retorno depois de muito tempo seja bastante confortável.

Primeiramente, o jogo conta com “save states”, onde você pode salvar o jogo em qualquer lugar que desejar e voltar para aquele ponto na hora que quiser, o que praticamente nega o problema dos continues.

O visual do jogo também possui opções de customização. Como foi possível ver nas imagens ao longo desta resenha, o jogo inicialmente roda com uma resolução reduzida, já que não era o natural do original, e por isso conta com um plano de fundo cobrindo as margens. Esse plano de fundo pode ser modificado (escolhendo entre as imagens disponíveis) e até removido, deixando um fundo preto. Se isso não for o bastante, existe a opção de mudar o tamanho da tela, e até os efeitos dela!

Tela de gameplay de Sega Ages: Sonic the Hedgehog
Modo “tela cheia”!

O jogo possui opção de deixar uma tela do tamanho original, tela cheia, widescreen (que cobre a tela inteira e elimina as margens) e até um visual “vintage” que emula uma TV de tubo, com as bordas levemente dobradas! Esse foi o visual que eu pessoalmente mais usei, como é visível em boa parte das imagens.

Além do tamanho da tela, também é possível editar os efeitos da tela, como mencionado anteriormente, deixando os visuais iguais aos originais, pixel por pixel, com um filtro para que os pixels fiquem mais suavizados ou até com um efeito de linhas horizontais, também emulando as TVs de tubo.

Tudo é bem customizável e não é difícil de achar o seu modo favorito de jogar o jogo, atendendo a todos os gostos.

I’ll make it through

 

Ao iniciar o jogo, o jogador será recebido com uma introdução e um menu inicial com opções de jogar o jogo de algumas maneiras — normalmente, no modo “Time Attack” ou no modo “Score Attack”. No modo normal, diferentes versões do jogo podem ser escolhidas:

  • A versão japonesa (Mega Drive),
  • A internacional do Sega Genesis, que AINDA conta com o “glitch” dos espinhos, ausente das outras versões,
  • E a Mega Play, que é uma versão para fliperamas especiais da Sega onde o jogador precisa passar de certas fases do jogo em uma ordem diferente, com um tempo bem limitado e apenas 3 vidas para competir e conseguir a melhor pontuação. É um modo diferente e até novo, de certa forma, se você só jogou o jogo normal nos consoles.

Cada versão muda o símbolo no canto superior esquerdo da tela e podem ser escolhidas no menu de pausa do modo normal.

A imagem pode conter: texto

E ainda tem mais! O jogador pode escolher a opção de implementar ou não o famoso “spin dash”, manobra onde Sonic pode alcançar uma velocidade alta diretamente de quando está parado apertando para baixo e o botão de pulo, que só teria sido implementado na sequência do jogo, e o “drop dash”, manobra emprestada de Sonic Mania onde Sonic pode dar um impulso e acelerar assim que cai no chão após um pulo, acionada por pressionar novamente e segurar o botão de pulo no ar enquanto está em direção ao chão.

As duas manobras podem negar alguns momentos de lentidão no jogo original, mas precisam ser usadas com cuidado, visto os problemas com armadilhas mencionados anteriormente. De um jeito ou de outro, são opções bem-vindas.

No modo “Time Attack”, o jogador precisa correr contra o tempo para conseguir o melhor tempo na primeira fase do jogo nos placares online mundiais (e somente na primeira fase, infelizmente), e o modo “Score Attack” possui as mesmas especificações da versão “Mega Play”, mas o jogador precisa passar apenas com UMA vida! Competição ferrenha para a melhor pontuação, bem ao estilo dos fliperamas.

Tela de gameplay de Sega Ages: Sonic the Hedgehog

Em conclusão, Sega Ages: Sonic the Hedgehog foi uma agradável surpresa que caiu muito bem na biblioteca de jogos do Switch. A diversidade de opções e customizações deram nova vida a um jogo que acelerou muito a carreira da Sega nos anos 90, e que ainda é considerado um clássico por muitos fãs.

Mesmo preferindo uma das sequências, Sonic 3 & Knuckles, esta versão do primeiro Sonic the Hedgehog ainda me proporcionou algumas horas de diversão e modos de jogar que eu não conhecia, o que potencialmente me levarão a visitar o jogo novamente.

É uma relíquia do passado da Sega mostrando o quanto eles mudaram desde onde começaram, e mesmo que não seja perfeita ou tão boa quanto as memórias dizem, ainda é um clássico que vale a pena ser jogado e estudado. O que mais deu certo? O que mais deu errado? Tenho certeza que são perguntas que todos nós podemos nos fazer e refletir não só com esse, mas com todos os jogos que jogamos.

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Densetsu
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