One Piece: Pirate Warriors 4 | Pirataria divertida na Grand Line


Para aqueles que consomem bastante da cultura japonesa é difícil não ter ao menos ouvido falar de One Piece. O mangá que começou a ser publicado semanalmente em 1997 é a obra-prima de seu autor, Eiichiro Oda, e desde seu lançamento quebra recorde após recorde de popularidade e número de vendas. Apesar de não ter tantas adaptações para videogames como Dragon Ball e Naruto, a série Pirate Warriors é uma das que mais conquistaram os fãs.

Desenvolvido pelo estúdio Omega Force da Koei Tecmo, a série Pirate Warriors mistura o estilo de jogo da franquia Warriors (conhecida como Musou no Japão), na qual você controla um personagem extremamente forte que luta contra hordas de inimigos, com a icônica série de piratas. Com o recente lançamento de One Piece: Pirate Warriors 4, trazemos a vocês nossa análise sobre esse título frenético e divertido!

Arte e logotipo de One Piece: Pirate Warriors 4

Simples, mas longe de ruim

Seguindo a estrutura básica pela qual a série é conhecida, você é colocado em um mapa bem grande com hordas e mais hordas de inimigos para mandar pelos ares com seu personagem que é bem mais forte do que eles. Assim, objetivos que aparecem na tela de tempos em tempos devem ser cumpridos. São tarefas que encarregam o jogador de derrotar um número de inimigos, enfrentar um chefe específico, ou até dominar um certo território.

Em adição, missões secundárias também se tornam presentes, aparecendo de acordo com a região do mapa e o período da fase em que está. Cumpri-las não é obrigatório, mas fazê-lo pode trazer um novo personagem aliado àquela fase e também aumenta sua pontuação final.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Ademais, um ponto que não ressoou de forma tão positiva conosco foi o fato de que, durante as fases, os personagens conversam sobre o que está acontecendo, mas isso ocorre no mesmo feed em que as missões são atualizadas. Dessa forma, em alguns momentos você precisa andar pelo mapa sem um objetivo, esperando o jogo passar toda a conversa antes de atualizar as missões.

Completando a fase, você recebe uma nota com base no número de inimigos derrotados e no tempo de conclusão, com a mínima sendo C e a máxima S. Depois, o jogador é recompensando com pontos de experiência, dinheiro (Berries) e Medalhas com base nos territórios conquistados, missões secundárias cumpridas e personagens presentes. Essas recompensas podem então ser usadas para evoluir os piratas jogáveis.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Juntos, juntos navegar…

A evolução de personagens se dá por meio de “mapas”, que são menus com diversas ilhas na tela, onde cada uma equivale a uma melhoria. O jogador usa Berries e Medalhas específicas para explorar a ilha e ganhar aquele bônus. Cada personagem pode ter um máximo de três mapas: o primeiro é universal, com as melhorias adquiridas por lá valendo para todos os personagens jogáveis, enquanto o segundo e terceiro são específicos para cada um.

Como já explicado, as Medalhas são adquiridas ao decorrer da jogatina, de acordo com a conclusão de missões em todos os modos de jogo, mas algumas também podem ser conquistadas quando os personagens sobem de nível.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Por sinal, o segundo mapa de cada pirata também pode ser liberado da mesma forma que as Medalhas, porém isso serve apenas para personagens jogáveis. Ou seja, enquanto ajudantes durante batalhas também podem ser evoluídos, eles acabam servindo apenas como ainda outra forma de adquirir Medalhas para os heróis do jogo.

Através dos mapas, novas habilidades passivas são desbloqueadas e podem ser equipadas em qualquer personagem, independentemente de onde foi adquirida. Por outro lado, novas técnicas só podem ser usadas por personagens específicos e elas incluem desde golpes especiais até transformações que podem ser ativadas durante batalhas.

…para a emoção dar um chute na tristeza!

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Claro, de nada servem todos os sistemas de evolução de nível sem a ação. Pirate Warriors 4 traz inovações nesse quesito, possibilitando que personagens engajem em combates aéreos, uma novidade na série, e equipem até quatro golpes especiais. Esses ataques mais poderosos vêm na forma de rápidos golpes automáticos e de espetáculos destrutivos apresentados através pequenas sequências animadas.

Infelizmente, diferente de outros jogos, o tempo não para enquanto a animação de ataque especial está em execução. Assim, é possível que o jogador perca a contagem do número de golpes conectados contra inimigos, algo que pode resultar em certa frustração para aqueles que prezam combos altos.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Além disso, todos os personagens vêm com habilidades já desbloqueadas, incluindo uma denominada “Investida com Força Total”, que ativa efeitos de acordo com a classe do personagem. Assim, personagens de “Força” passam a causar mais dano, “Velocidade” ganham mais mobilidade, “Céu” conseguem planar e “Técnica” têm suas peculiaridades melhoradas.

Adicionando uma camada mais pessoal e estratégica ao jogo, a escolha de habilidades permite que o jogador personalize a jogabilidade da forma como preferir e se adeque da forma apropriada para derrotar chefes com mais facilidade. Infelizmente, alguns personagens possuem uma variação de golpes menor que outros, como a oficial Tashigi, que é consideravelmente mais limitada que o protagonista Luffy, por exemplo.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Em adição, o problema de personagens limitados também se torna presente no sistema de roupas alternativas, já que a maioria das vestes adicionais servem apenas para Luffy. Por outro lado, grande parte desses visuais extras tratam-se simplesmente das vestimentas padrões com cores diferentes.

Considerando a existência de modelos de personagens com roupas completamente diferentes no modo história, a ausência desses visuais na jogabilidade se torna um leve incômodo. Afinal, se já existe um modelo 3D funcional, por quê não permitir que o jogador se divirta utilizando-o em batalhas?

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Felizmente, a falta de roupas adicionais é recompensada pela grande variedade de personagens. O jogo conta com um total de 43 figuras do popular mangá e anime, com ainda mais vindo no futuro como conteúdo adicional. O jogador pode desfrutar não apenas de todos os membros do grupo “Chapéu de Palha”, mas também de piratas favoritos entre fãs, como Law e Barba Negra.

Acompanhando esses personagens de tamanho regular, alguns gigantes também se tornam jogáveis desta vez, sendo esses extremamente fortes e capazes de causar muito mais dando por se tratarem de alvos maiores. Com cada um sendo liberado de formas diferentes, o jogador poderá devastar seus inimigos com os grandes Barba Branca, Big Mom e Kaido.

Aventuras sem fim pela Grand Line

A jogabilidade é dividida em três modos, chamados de “Logs”: Dramático, Gratuito e Tesouro. Os dois primeiros constituem basicamente o modo história, sendo o segundo um espaço para jogar as missões usando personagens alternativos. No primeiro, jogadores encontrarão adaptações de alguns arcos do mangá, diferente de jogos anteriores. Já que muitos eventos da história original são cortadas ou apressadas, essa talvez não seja a melhor forma de acompanhar a trama.

No Log Dramático, conforme o jogador avança na história dos arcos “Alabasta”, “Water Seven”, “Marineford”, “Dressrosa”, “Whole Cake Island” e o inédito “Wano”, que segue um roteiro criado para o jogo, personagens referentes a cada parte da trama são desbloqueados para os outros dois modos.

Diferente dos dois primeiros modos, o “Log do Tesouro” não se prende à história, sendo dividido em três seções, cada uma com missões progressivamente mais difíceis. Cada missão conta com uma pequena narrativa que, apesar de boba, é recheada de referências à série e boas interações entre personagens, servindo como pretexto para a jogabilidade.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Adicionalmente, missões marcadas com um ícone de chave liberam ainda mais aventuras. Com todas essas fases concluídas, é liberada a “Batalha Decisiva”, uma missão mais difícil que, ao ser conquistada, dá lugar à próxima seção do modo e um personagem secreto. Completando tudo em seu caminho, o jogador é recompensando com Medalhas de prata para liberar o segundo mapa de seus personagens.

Para aqueles jogadores que gostam de colecionar troféus, o Log do Tesouro é ideal, já que incentiva o fortalecimento de personagens e a aquisição de dinheiro. O combate aqui, apesar de simples, é também intuitivo, o que resulta em uma experiência muito divertida.

Seja online ou offline, todas as fases onde é possível selecionar personagens jogáveis podem ser aproveitadas com amigos. Enquanto o multiplayer local simplesmente divide a tela para dois jogadores, até quatro pessoas podem participar de missões juntos através da rede. Fases co-op estão disponíveis através de todo o Log do Tesouro e na maioria as missões dos Logs Dramático e Gratuito.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

O outro lado da moeda

Apesar dos combates empolgantes, o jogo peca em alguns aspectos. Durante os segmentos de história do Log Dramático, há cenas de diálogo entre personagens apresentadas através de animações bem simplórias, desprovidas até mesmo de sincronia labial. O jogo simplesmente dá continuidade à história, sem se preocupar em ser bonito.

Por outro lado, as cenas pré-renderizadas apresentam uma qualidade totalmente diferente e superior, contando não apenas com boas coreografias, mas também momentos icônicos retirados diretamente da obra original. Essa mesma qualidade se mantém nas expressões faciais dos personagens, por mais exageradas que sejam.

Ainda mais, o visual geral do jogo ao menos cumpre seu papel, trazendo belíssimos cenários que fazem uso de texturas e iluminação mais realistas que em jogos anteriores da série, por mais que os personagens ainda tenham um estilo caricato. A beleza do cenário se destaca especialmente durante o arco Wano, em um segmento onde a lava de um vulcão escorre pelas pedras, ilustrando uma cena muito bonita.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

Infelizmente, outro problema gritante está na localização em português, que deixou a desejar em diversos pontos. Traduções questionáveis são comuns no jogo, tal como erros de digitação que incluem letras sobrando ou faltando e diversos momentos em que o texto simplesmente aparece em espanhol. A mudança repentina do idioma não demora a aparecer, dando as caras logo no início em painéis do tutorial.

Aparecendo frequentemente durante o arco de Water Seven no Log Dramático, os trechos em espanhol felizmente tornam-se menos evidentes ao decorrer da história. De qualquer forma, isso é um grande descuido que quebra muito a imersão do jogador, principalmente em cenas mais dramáticas, e pode dificultar a vida daqueles que não compreendem o idioma.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4

A trilha sonora também é excelente, com várias músicas de diversos estilos. Algumas puxam mais para o rock, outras para um jazz agitado, mas todas complementam bem o que ocorre na tela e deixam o jogador empolgado pela ação. Vale notar que é possível escolher a música que será tocada em cada missão a qualquer momento, mesmo dentro de uma.

Como um detalhes que pode passar despercebido por muitos, o jogo inclui um sistema de suporte a daltônicos através de um menu bem simples de usar. O jogador escolhe as cores associadas a cada time, permitindo que portadores da deficiência visual possam aproveitar o jogo com maior facilidade.

Finalmente, há também uma Galeria, onde é possível visualizar os modelos de todos os personagens, ouvir todas as suas falas e ler um glossário de termos e descrições dos personagens. Também há a galeria de Medalhas, com informações sobre como consegui-las, e um player de música. Infelizmente, artes conceituais e outros tipos de ilustrações extras não ganharam espaço.

Screenshot de One Piece: Pirate Warriors 4


One Piece: Pirate Warriors 4 pode não oferecer muito além de combates sem fim contra um número absurdo de inimigos, mas isso o jogo faz com maestria. Para aqueles que curtem o estilo Musou, essa é uma ótima obra do gênero.

Enquanto isso, fãs de One Piece encontrarão uma forma muito divertida de interagir com seus personagens favoritos, mesmo que não seja possível reviver absolutamente todas as aventuras da tripulação do Chapéu de Palha.

Análise realizada através de versão para PlayStation 4
Cópia cedida pela Bandai Namco

 

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Antonio Marconi

Conhecido como Ralphdro, está desbravando a língua japonesa enquanto sofre no Gacha Hell dos mobage. Amante da cultura japonesa num todo, arquitetura, música, literatura e tudo o mais. Algumas de suas franquia favoritas são: Fate, MegaTen, Metal Gear, Yakuza e Kingdom Hearts.