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Harvest Moon: The Tale of Two Towns – De que time você é? | #DensetsuIndica

Uma das coisas mais difíceis para mim hoje em dia é falar de Harvest Moon sem mencionar Stardew Valley em algum momento. Seja porque sempre vai ter aquela pessoa que vai falar “ah, mas Stardew Valley é muito melhor”, mas nunca encostou em um título da franquia HM ou porque a versão americana do simulador de fazenda acabou se popularizando muito mais, fazendo com que muita gente tenha perdido a vontade de jogar Harvest Moon por ser considerado “mais simples”.

É claro que Stardew Valley é um jogo incrível e, como fã de simuladores de fazenda desde pequena graças ao Harvest Moon de Super Nintendo, reconheço seu valor nesse universo. Stardew Valley conseguiu misturar vários aspectos presentes na série HM em um só lugar e ainda trazer inovações, isso é fato. Mas temos que concordar que talvez, se Harvest Moon não existisse, Stardew Valley também não existiria. A franquia foi a origem de tudo, foi o jogo que inspirou Eric Barone (criador de Stardew Valley) e precisa sim ser mais valorizado.

Harvest Moon (SNES) / Stardew Valley

Na verdade, acho que uma das coisas mais legais e que mais me prende na série é justamente o fato de Harvest Moon (atual Story of Seasons) trazer em cada um de seus jogos uma característica diferente, ao invés de só misturar tudo em um único jogo, inovando a cada título lançado. Para quem acompanha a franquia desde o início, é muito divertido e emocionante ver todas as melhorias e mudanças que ocorreram desde a versão de Super Nintendo e que ainda ocorrem a cada jogo, bem como as diferenças nos sistemas de relacionamento ou de comércio que às vezes são específicas de título para título.

Harvest Moon: Grand Bazaar, por exemplo, trouxe um novo e único sistema de comércio onde todos os produtos cultivados, encontrados ou produzidos pelo jogador são vendidos através de um bazar que acontece toda semana na cidade. Além de vender os itens, o jogador também compete contra outros fornecedores por lucros mais altos e satisfação dos clientes, o que faz com que a gente queira jogar sem parar a fim de melhorar a qualidade dos nossos produtos.

Venda de produtos no bazar

O jogo foi lançado para Nintendo DS em 2008 e seu novo sistema é tão diferente de todos os títulos anteriores que eu confesso: perdi muito tempo nele. Só não digo que foi o jogo que mais joguei no DS porque a Marvelous resolveu lançar Harvest Moon: The Tale of Two Towns, o lindinho do qual falaremos hoje.

Harvest Moon x Story of Seasons

Antes de começar a falar sobre Harvest Moon: The Tale of Two Towns acho importante esclarecer algumas coisas que talvez para alguns não estejam bem explicadas. Digo isso porque vira e mexe alguém me diz que Harvest Moon é um jogo horrível, que não entende como eu consigo gostar tanto da franquia, etc., e geralmente são pessoas que nunca jogaram e que levam em consideração somente os últimos títulos lançados na hora de opinar. Então vamos lá! Pega a sua pipoca e senta aqui com a tia Mio que ela vai explicar:

A série Bokujou Monogatari, desenvolvida pela Marvelous Inc., veio para o ocidente através da Natsume sob o título de Harvest Moon. Naquela época, a Natsume era parceira da Marvelous e era a responsável pela publicação dos jogos no ocidente. No entanto, em 2014 essa parceria acabou após a Marvelous anunciar que a sua subsidiária XSEED Games assumiria a distribuição norte-americana.

O problema é que a Natsume possuía os direitos do nome Harvest Moon e, com a separação das empresas, Bokujou Monogatari não poderia mais ser lançado no ocidente com esse título. Foi aí que surgiu Story of Seasons, o novo nome ocidental para a franquia da Marvelous, sendo Harvest Moon: A New Beginning para 3DS o último Bokujou Monogatari intitulado Harvest Moon no ocidente.

Após tudo isso, a Natsume aproveitou para criar a sua própria série Harvest Moon e seu primeiro lançamento ficou conhecido como Harvest Moon: The Lost Valley para Nintendo 3DS em 2015. No ano seguinte, a empresa lançou Harvest Moon: Skytree Village também para 3DS e em 2017, para comemorar os “20 anos de Harvest Moon” (oi?), anunciou Harvest Moon: Light of Hope para PC, jogo que ainda sairá para Switch e PS4 em 29 de maio deste ano.

Observando a imagem abaixo fica óbvio qual é o original, não é mesmo?

Harvest Moon: Light of Hope (Natsume) | Story of Seasons (Marvelous)

A notícia da separação não foi muito bem divulgada pela Marvelous na época, o que justifica a confusão causada e a falta de conhecimento do ocorrido por parte de muitos fãs. Graças a isso, os novos Harvest Moon criados pela Natsume queimaram a imagem da franquia no ocidente devido a sua péssima qualidade e foram recebidos com muitas críticas. A sorte da Marvelous é que os Harvest Moon da Natsume não são lançados no Japão, mas também se fossem não faria muita diferença visto que a franquia Bokujou Monogatari é um fenômeno no país.

Vale mencionar que Harvest Moon: The Tale of Two Towns, o título de hoje do #DensetsuIndica, foi o último jogo da série a ser desenvolvido tanto pela Marvelous quanto pela Natsume.

Tudo esclarecido? Então vamos falar sobre essa belezinha!

De que time você é: animais ou plantas?

E se você tivesse que escolher entre cuidar de animais e trabalhar com agricultura, o que você preferiria? Harvest Moon: The Tale of Two Towns foi o primeiro jogo da série a dar ao jogador a opção de escolha e também o primeiro a ter duas cidades diferentes separadas por uma enorme montanha: Konohana e Bluebell.

Se você é daqueles que preferem plantar, regar e colher, então Konohana é perfeita para você. A cidade possui uma arquitetura asiática, com muitas cerejeiras e casas típicas, além de moradores que usam vestimentas tradicionais.

Por outro lado, se você prefere ordenhar vacas, cortar lã de ovelhas, criar galinhas, enfim, mexer com animais, então Bluebell é o lugar certo. Com uma arquitetura diferente de Konohana, Bluebell se parece muito com uma pequena cidade europeia cheia de casinhas delicadas e graciosas, além de moradores com traços ocidentais.

Konohana | Bluebell

Pode parecer bobagem, mas uma das minhas maiores dificuldades em Harvest Moon: The Tale of Two Towns sempre foi escolher a cidade onde iria morar. Adoro o Japão e acho a arquitetura de Konohana incrivelmente linda, o problema é que eu prefiro cuidar de animais do que mexer com plantas e a pequena vila asiática é especializada em agricultura.

Mas tudo bem porque existe Bluebell, a cidade perfeita para quem gosta de animais e com o melhor pretendente de todos (oi, Cam). O problema é que se você prefere a cultura asiática, não vai se identificar tanto com Bluebell, apesar de ter uma arquitetura linda. No fim, parece que o boy não é motivo suficiente para escolher morar na Europa porque sempre acabo ficando em Konohana mesmo…

Vale lembrar, no entanto, que apesar do foco de Bluebell ser a criação de animais, isso não impede que você também tenha algumas plantações. A única diferença é que a sua área para plantar será menor do que a área disponível em Konohana e vice-versa. O lado bom é que, independentemente de onde você mora, sempre será possível trocar de cidade ao final de cada estação, o que também é ótimo para quem deseja participar dos festivais únicos de cada uma. Ufa!

O fazendeiro herói

Assim como em todos os jogos da franquia, o protagonista está de mudança para se tornar o novo responsável por uma fazenda distante. Durante sua viagem pela montanha, a carruagem que o transportava colide com algumas raposas e o personagem acaba esquecendo em qual cidade iria morar (propício, não?). É aí que somos obrigados a escolher entre Konohana e Bluebell após assistirmos a uma breve apresentação sobre cada uma das cidades feita por seus respectivos prefeitos, Ina e Rutger.

Mas como sempre nem tudo são flores e o grande problema dessa vez está justamente entre as pequenas cidades. Tudo começou centenas de anos atrás quando Bluebell e Konohana eram vizinhas amistosas, unidas por um túnel que atravessava a montanha que as separa. Com o passar do tempo, uma competição para se tornar a melhor cidade fez com que os prefeitos começassem a se estranhar. As brigas foram aumentando e a Deusa da Colheita, inquieta com a situação, resolveu punir os vilarejos bloqueando o túnel que os conectava.

Apesar de muitos anos terem se passado, Konohana e Bluebell ainda se comportam como rivais e o túnel permanece fechado, tornando o acesso entre as cidades muito mais demorado, visto que para isso é necessário atravessar toda a montanha. E acredite: a montanha é gigante.

E onde nós entramos nessa história toda? Pois é, meu caro. Nós somos os responsáveis por mudar a situação e consertar a relação entre as cidades para que a Deusa da Colheita desbloqueie o túnel e a paz volte a reinar. Para facilitar esse processo, ocorrem uma vez em cada estação as competições de culinária, o festival mais importante de Harvest Moon: The Tale of Two Towns e que reúne Konohana e Bluebell. Obviamente quanto mais competições o jogador participar (e, principalmente, ganhar) mais rápido a amizade entre os prefeitos aumentará.

Apesar do principal objetivo do jogo ser ganhar as competições, assim como todo e qualquer Harvest Moon também será necessário cuidar da fazenda, manter um bom relacionamento com os outros moradores e, quem sabe, constituir família.

O que teve de novo?

Além de ser o primeiro jogo da franquia a ter duas cidades completamente diferentes, Harvest Moon: The Tale of Two Towns trouxe também outras inovações para a série. A principal delas é o sistema de quest, onde os moradores anexarão nos murais das cidades diversos tipos de pedidos. Cada pedido possui requisitos específicos, como qualidade e quantidade dos itens desejados, bem como data limite para entrega dos produtos. É importante atender a maior quantidade de pedidos dos moradores, pois na maioria das vezes as recompensas são muito boas e podem ajudar na competição de culinária ou até mesmo abrindo novos produtos nas lojas!

O jogo também trouxe novas sementes para plantio, como rabanete, couve chinesa, rosa, cravo e girassol. Além disso, novos animais estão disponíveis para serem criados na fazenda, como alpacas e abelhas, além de uma coruja de estimação que ajudará o jogador a voar entre as cidades a partir do topo da montanha (coruja forte essa, né?). Apesar da coruja facilitar (e como) a nossa vida enquanto o túnel não está desbloqueado, vale lembrar que a montanha possui uma vasta quantidade de itens, peixes e insetos para vender, por isso, é sempre bom dar uma passada por lá.

Outra novidade diz respeito ao sistema de relacionamentos. Quem é fã da franquia Harvest Moon sabe que é muito fácil reconhecer quais os personagens disponíveis para casamento. É só procurar pelo coração próximo ao retrato do personagem nos momentos de interação. No entanto, em The Tale of Two Towns o coração desapareceu dando espaço a uma cadeia de flores para medir o nível de amizade, ou seja, quanto mais flores, mais o NPC gosta de você. Pode ser um pouco confuso no começo para quem já está acostumado com os corações, mas confesso que achei essa alteração bem bonitinha!

More Friends of Mineral Town | The Tale of Two Towns

Uma mudança drástica que Harvest Moon: The Tale of Two Towns trouxe para a franquia foi o término do casamento entre rivais, acabando com a possibilidade de existirem novos casais e novas famílias. Para mim, esse foi um dos pontos negativos do título, pois era muito divertido (e às vezes frustrante) ver outros casais se formando no decorrer da história, além de dar uma emoção a mais na hora de conquistar o crush. Outra coisa ruim é que agora, após o casamento, seu companheiro não irá mais ajudar em absolutamente NADA na sua fazenda, o que às vezes acaba sendo bastante complicado quando se precisa recuperar as energias ou agilizar o trabalho.

Pretendentes

Não sei você, mas a parte mais divertida para mim em Harvest Moon sempre foi construir um bom relacionamento com os moradores da cidade, conversando e correndo atrás dos melhores presentes. Mas mais do que isso, escolher o pretendente certo e conquista-lo para casar e ter filhos é a parte que mais gosto. O problema é que os personagens da franquia são tão bonitinhos que fica difícil escolher o favorito.

Harvest Moon: The Tale of Two Towns possui 12 candidatos para casamento, sendo 6 meninas caso você esteja jogando com personagem masculino, e 6 meninos caso você esteja jogando com personagem feminino. São eles:

  • Garotas
  • Garotos

 

E aí, quem você escolheria? 😉

O jogo tem gráficos simples, mas super bonitinhos e coloridos, além de uma trilha sonora que, apesar de muitos criticarem alegando não trazer nada de diferente do que já havia sido apresentado na franquia, é bem agradável. O legal para quem gosta de cultura asiática em geral é que a presença de Konohana no jogo trouxe uma canção tema muito gostosa de ouvir. Clique aqui para conferir.

Embora para alguns seja “só mais um Harvest Moon com uma ou outra coisa nova”, The Tale of Two Towns foi o jogo que mais joguei no Nintendo DS. Me rendeu muitas horas de diversão com um gameplay imersivo que fez com que eu realmente me sentisse na Ásia, principalmente porque naquela época meu maior sonho era conhecer o Japão.

Com uma diversidade de eventos dentro do jogo e uma montanha enorme entre as duas vilas esperando para ser explorada, o jogador poderá gastar um bom tempo em Harvest Moon: The Tale of Two Towns, seja com pescaria, andando de skate, fazendo amizade com animais selvagens ou tentando conquistar aquele(a) garoto(a) lindo(a) da cidade vizinha (ou por que não da sua?).

Apesar de não ter sido tão bem recebido no ocidente por alguns fãs e críticos dos videogames, Harvest Moon: The Tale of Two Towns foi o jogo mais bem vendido da Marvelous Inc. em 2010 no Japão, lançado para DS e 3DS. O sucesso do game no país foi tão grande que uma versão atualizada para 3DS intitulada Bokujou Monogatari: Futago no Mura+ (Story of Seasons: The Tale of Towns+) foi lançada em dezembro do ano passado, trazendo alguns conteúdos adicionais e melhorias na jogabilidade.

Dê uma olhada no trailer de Bokujou Monogatari: Futago no Mura+ abaixo:

Vale lembrar que em 2016 a Marvelous lançou Story of Seasons: Trio of Towns para Nintendo 3DS no Japão. Apesar de ser um tanto quanto diferente de The Tale of Two Towns, o jogo é o primeiro desde então a trazer mais de uma cidade, sendo três vilas diferentes. O jogo foi lançado no ocidente em fevereiro de 2017 e infelizmente ainda não tive a chance de jogar, mas está na lista de desejos!

Harvest Moon: The Tale of Two Towns pode ser adquirido digitalmente através da eShop do Nintendo 3DS por apenas R$45,99. Deixe de lado o seu preconceito e dê uma chance para essa série incrível. Corre lá, compra o seu e depois me diz o que achou nos comentários, no Twitter ou no Facebook! 😉

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Mio
Mio
Tradutora, professora, redatora e fundadora da Densetsu. Apaixonada por música, jogos, doramas, cinema e cultura japonesa em geral. Mãe de um shiba inu e de um gatinho SRD com muito orgulho. ♥ Suas franquias favoritas são The Legend of Zelda, Just Dance, Bokujou Monogatari, Kirby e Fatal Frame.
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