Xenoblade Chronicles 2: Torna – Revisitando um RPG colossal | #DensetsuIndica


Infelizmente, é comum que muitas DLCs que se propõem a fazer adições à história de um jogo já lançado resultem em poucas horas adicionais de jogabilidade, servindo apenas como um complemente para o lançamento original. Porém, o mesmo não pode ser dito sobre Torna – The Golden Country, a incrível expansão de Xenoblade Chronicles 2 lançada em 2018.

Anunciada no mesmo ano de sua chegada ao popular RPG para Nintendo Switch, o conteúdo adicional se propôs a trazer mais do que apenas novidades ao enredo estabelecido, mas também melhorar vários aspectos problemáticos de jogabilidade. Em adição, além do formato original de DLC, a expansão chegou como um jogo separado, permitindo que possa ser desfrutada por ambos fãs e novatos.

Neste #DensetsuIndica, vamos revisitar Xenoblade Chronicles 2 através de seu conteúdo adicional e ver tudo que o título traz de novo. Ademais, vale notar que decorreremos sobre alguns pontos da história que podem ser considerados spoilers, portanto a leitura fica por sua conta e risco!

Uma aventura de ouro

Screenshot de Xenoblade Chronicles 2: Torna - The Golden Country

A narrativa de Torna precede os eventos decorridos na história do jogo principal, focando nos acontecimentos da chamada “Aegis War”, uma guerra com ramificações sentidas até mesmo cinco séculos depois, quando acontece o enredo central do RPG. Entretanto, mesmo separados por 500 anos, muitos personagens familiares marcam presença na expansão.

Nesta nova história, acompanhamos Lora, uma “Driver” capaz de invocar e utilizar os poderes de uma forma de vida especial — neste caso, o lendário “Blade” chamado Jin. Nossa protagonista parte em busca de sua mãe que não é vista há anos,  encontrando em sua jornada personagens aliados, como os príncipes Addam e Hugo.

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Torna traz um ar bem mais sombrio do que a de seu “predecessor”, Xenoblade Chronicles 2, mostrando como tanto adultos como jovens órfãos lutam para sobreviver em tempos de guerra. Sendo assim, vemos elementos horríveis, como a matança de inocentes, sacrifícios, traições e o medo que personagens sentem de seus próprios companheiros e, principalmente, como encaram a morte.

O jogo base também tinha seus momentos pesados, mas a situação do reino de Torna consegue ser ainda mais tensa. Diferente de antes, onde podíamos relaxar sabendo que tudo daria certo no final, as coisas não são tão seguras desta vez, com a desenvolvedora Monolith Soft realmente mostrando a terrível realidade do cenário de guerra, mesmo que isso ocorra em um mundo fantástico.

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Felizmente, nem tudo é sério e triste. Além da escuridão, encontramos a luz nos momentos divertidos através das interações entre os personagens principais. Algumas figuras do jogo original, como Mythra, Brighid e Jin, são apresentado de uma forma diferente, com novas facetas adicionadas às suas respectivas personalidades.

Um bom exemplo de personagens que ganham nova vida na expansão é a dupla de Lora e Addam. Enquanto originalmente só apareciam em cenas breves, aqui eles se tornam tão interessantes quanto os protagonistas anteriores, podendo até nos fazer sentir um certo ressentimento sobre a forma como foram tratados na obra precedendo a expansão.

Hora de batalhar

Seguindo a mesma fórmula de Xenoblade Chronicles 2Torna – The Golden Country apresenta uma jogabilidade tradicional de RPGs japoneses com uma clara influência de MMOs e Final Fantasy XII, principalmente devido ao seu sistema de batalha.

Durante confrontos, personagens jogáveis (Drivers) são divididos em duplas, com cada um tendo controle sobre duas formas de vida especiais (Blades). Os dois tipos de combatentes sempre participam ativamente dos combates, com a linha de frente providenciando habilidades para causar dano massivo contra inimigos e a retaguarda tomando conta do suporte com efeitos positivos ou ataques adicionais.

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Diferente do jogo original, em Torna, os personagens são capazes de utilizar suas próprias armas para lutar. Assim, Drivers (invocadores) e Blades (seres invocados) são dividos, cada um com suas próprias habilidades e afinidades elementais.  Essa mudança chega até a ser explicada pelo enredo, o que acaba sendo uma bela adição.

Tendo um número menor de personagens jogáveis, o game obriga o jogador a desenvolver estratégias e pensar cuidadosamente sobre quando será o melhor momento para utilizá-los. Dominar esse aspecto da jogabilidade pode se provar um fator determinante sobre o rumo das batalhas.

Apesar de Xenoblade Chronicles Torna compartilharem várias mecânicas, é importante que tanto jogadores veteranos como novatos se adequem ao novo sistema. Felizmente, isso se torna mais fácil graças aos diversos tutoriais fornecidos no início do jogo.

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Adicionalmente, um dos principais elementos do jogo principal, o sistema de combos elementais, recebe uma reformulação significante na expansão. Sendo assim, agora torna-se possível a utilização de qualquer elemento, não mais restrito a apenas alguns específicos. Claro, o dano final pode não ser tão forte caso a combinação correta não seja seguida, mas podem ajudar em alguns momentos.

Não só isso, mas a regeneração de vida também adiciona uma nova camada estratégica aos confrontos. Agora, a principal forma de cura envolve combos de habilidades específicas, requerendo o trabalho coordenado de personagens e obrigando o jogador a planejar com cuidado e analisar todas as suas opções de ataque.

Não seria incorreto afirmar que Torna ajuda a simplificar o sistema de batalha proveniente do segundo título da série. Entretanto, apesar simples, é seguro dizer também que até mesmo veteranos se verão obrigados a repensar sua forma antiga de jogar para tirar proveito total dos confrontos que encontrarão na DLC.

Um país pra chamar de meu

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Aproximar jogadores de NPCs sempre foi uma tarefa que a série Xenoblade cumpriu principalmente através de missões secundárias. Com isso em mente, Torna fortalece ainda mais esse aspecto, tornado-o uma parte vital da experiência.

Através da mecânica de “comunidade”, jogadores cumprem missões de personagens não jogáveis e, após um certo número ser atingido, sua comunidade aumenta de nível. Trata-se de um sistema bem interessante que certamente adicionará muito à experiência daqueles que desejam conhecer mais sobre a história do incrível mundo da série.Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Por outro lado, esse sistema é obrigatório para os momentos finais do jogo. Ou seja, aqueles que não se importam tanto com detalhes fora das batalhas e exploração podem acabar se incomodando ao serem impedidos de enfrentar o chefe final. Ao invés de progredir logo para a conclusão da história, o jogador deverá completar mais missões paralelas e alcançar um certo nível.

Vale notar, no entanto, que apesar de poder ser um incômodo, principalmente por requererem itens específicos que dão espaço para fatores de aleatoriedade, a completação de missões secundárias faz sentido para a narrativa. Afinal, seguimos um grupo de pessoas que se juntaram por uma causa e se tornam heróis adorados pelo povo.

Vida nos visuais e sons

Na questão de gráficos, podemos notar uma linda estética que é ressaltada ainda mais quando o título é jogado na TV, ao invés do modo portátil do Switch. As melhorias visuais são bem notáveis, representando uma evolução gráfica em relação ao jogo original e servindo bem para a taxa de quadros por segundo que, em maior parte da experiência, se mantém estável.

Adicionalmente, além de lindos, os cenários continuam enormes, muito apesar da expansão não oferecer tantos locais exploráveis. É possível encontrar um total de apenas dois titãs, o que é uma diferença significante se comparado aos oito do título original, mas ainda assim vale a penas caminhar e investigar o que é disponibilizado.

Screenshot de Xenoblade Chronicles: Torna - The Golden Country

Finalmente, a trilha sonora também é outro ponto muito positivo da experiência, mesmo que algumas das canções sejam provenientes do jogo base. As novas são certamente memoráveis e agradarão os fãs da série, principalmente se estivermos falando dos temas de batalha e dos titãs.

Xenoblade Chronicles 2: Torna – The Golden Country é uma experiência fantástica e altamente recomendável para os donos de Switch. É possível aproveitá-lo sem ter jogado o segundo jogo da franquia, mas saiba que isso estragará alguma das surpresas do título de 2017.

Com uma duração de 10 a 20 horas de jogo, o game divertirá bastante aqueles que procuram bons RPGs na plataforma. É uma experiência extremamente única e recomendada a todos. Com certeza, mais um excelente trabalho da Monolith Soft.

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Erick Figueiredo
Estudante de jornalismo, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte a série MGS, Blazblue, Persona, Megaman e outras.