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Code Vein – Saciando a sede de sangue e Souls

Review de Code Vein

Em 2011, vimos o lançamento do que viria a se tornar o primeiro de uma das franquias mais influentes da última década: Dark Souls. Sua influência foi tão grande, que deu origem a um tipo de subgênero de jogos conhecido como “Souls-like” (“semelhante a Souls“), categoria em que se encaixa Code Vein, o mais recente projeto dos criadores da série God Eater.

Logotipo de Code Vein

O jogo foi desenvolvido pelo estúdio Shift e, assim como God Eater e Dark Souls (no ocidente), distribuído pela Bandai Namco. Após ter usado Monster Hunter como inspiração para sua franquia anterior, a Shift decidiu mostrar o que poderia fazer com um RPG de ação no estilo dos adorados jogos da FromSoftware.

A este ponto, já deve ter se tornado claro que é quase impossível falar deste jogo sem mencionar Dark Souls, algo que poderia ser visto como injusto… se Code Vein tivesse se preocupado em tornar suas inspirações menos óbvias.

Screenshot de Code Vein

Se inspirando tanto em seu “primo” desenvolvido pela FromSoftware, será que Code Vein conseguiu se destacar e ser digno de ser algo mais além de um, como muitos o chamam, “clone de Dark Souls“? Vamos descobrir neste review.

GAMEPLAY
— jogabilidade derivada porém estilosa —

Após criar seu personagem — um processo que apesar de oferecer múltiplas opções de customização de aparência, no fim deixa a desejar no departamento de roupas, oferecendo apenas conjuntos pré-selecionados — o jogador é colocado em um tutorial opcional onde aprenderá a atacar e utilizar diferentes “Blood Codes” que funcionam essencialmente como classes que podem ser selecionadas e trocadas a qualquer momento, algo diferenciado e muito bem-vindo, dando grande liberdade de estilo de jogabilidade.

Partindo para o primeiro capítulo do jogo, jogadores de Dark Souls imediatamente se encontrarão em um ambiente familiar — uma grande dungeon repleta de inimigos mortos-vivos, os chamados “Lost”. Assim como no título da FromSoftware, é recomendável atacar esses inimigos pelas costas para ativar uma satisfatória animação de ataque que causa alto dano ao adversário.

Um fato curioso sobre esse tipo de ataque pelas costas é que ele varia dependendo do “Blood Veil” equipado pelo personagem principal — jaquetas especiais que substituem tradicionais armaduras de JRPGs. Assim, é possível invocar diferentes armas, como garras, caudas, cães e espinhos, e executar golpes bem mais empolgantes e estilosos do que uma simples animação de apunhalar.

Screenshot de Code Vein
Vem meu cachorrinho…

Diferente do jogo que lhe serviu como inspiração, Code Vein não busca passar ao jogador um sentimento de solidão, sempre lhe dando a opção de se aventurar ao lado de um companheiro NPC, o que facilita muito o confronto contra inimigos mais difíceis, até mesmo lhe salvando da morte ao usar uma habilidade que transfere parte de seus pontos de vida para o protagonista caso o mesmo esteja prestes a morrer.

Esse mesmo tipo de cooperação poderá ser encontrado através da função multiplayer do jogo.

MULTIPLAYER
— uma ajudinha extra —

A qualquer momento durante a aventura, é possível enviar um pedido de ajuda online que será respondido por outro jogador. Esse segundo jogador poderá ajudar o primeiro a enfrentar todos os perigos do mapa, incluindo chefes. Para facilitar ainda mais, um NPC companheiro pode ser mantido no jogo para ajudar os dois.

Infelizmente, a única forma de garantir com certeza que um amigo se juntará à sua partida é configurando uma senha em seu pedido de ajuda. Caso contrário, é possível que ambos se encontrem com vários jogadores aleatórios antes de conseguirem se conectar.

Screenshot de Code Vein

Esse é outro aspecto adotado de Dark Souls e algo que Code Vein poderia ter escolhido executar de uma forma melhor.

LORE
— brilho em meio ao clichê —

No geral, em questão de jogabilidade, Code Vein não faz muito para se diferenciar dos populares jogos “Souls-like” da FromSoftware, deixando para brilhar mais em sua história que inclui uma interpretação criativa sobre a mitologia de vampiros.

Assim como God Eater, é fácil imaginar uma adaptação em anime do jogo, especialmente graças à animação de abertura produzida pelo popular estúdio Ufotable. Apesar de sua história principal não ser das melhores se analisada como um todo e alguns de seus personagens representarem clichês do “estilo anime”, sua apresentação é estilosa e repleta de momentos marcantes.

Screenshot de Code Vein

Pessoalmente, muitas vezes me senti mais interessado no conteúdo de história que o jogo não dá tanto destaque, como os eventos antecedendo os acontecimentos do jogo e as memórias de personagens que podem ser visitadas ao coletar “vestígios” espalhados pelos mapas e reconstruindo-os com ajuda da misteriosa Io.

Essas memórias são representadas por corredores exibindo lembranças de um personagem específico. O protagonista caminha por esse corredor, vendo vários momentos do passado como se estivesse em um museu ou galeria, tudo isso acompanhado de uma trilha sonora suave transbordando de sentimentos nostálgicos.

Após visitar o passado de alguém que reside em sua base, um diálogo com múltiplas escolhas revela a felicidade, dor e às vezes a tristeza dessa pobre alma não mais humana lembrando de tempos onde as coisas era bem diferentes da atualidade, aprofundando bastante esses personagens que existem em uma “não-vida”, em um mundo caótico.

Screenshot de Code Vein

Como uma forma adicional de se aproximar dos personagens de sua base, é possível encontrar itens especiais do “velho mundo” e, entregando-os à pessoa certa, acumular uma boa quantidade de pontos que podem ser trocados por outros itens.

Infelizmente, provavelmente poucos desses itens serão atraentes o suficiente para que o jogador se dedique a agradar um personagem específico, deixando essa função como algo extremamente secundário.

Screenshot de Code Vein

VEREDICT
— em conclusão… —

Apesar de suas claras e fortes influências, tão fortes que alguns poderiam considerar uma cópia, Code Vein consegue cumprir o que promete, trazendo consigo uma aventura sombria com uma variedade de elementos que devem atrair uma boa variedade de jogadores, sejam eles fãs de anime, jogos Souls-like, God Eater, ou do estilo gótico remanescente da época de bandas visual kei.

Code Vein é um vestígio aguardando para ser encontrado por aqueles que buscam algo novo e estiloso, porém ao mesmo tempo trazendo de volta vários elementos do passado que gostamos de recordar.


Respondendo minha pergunta no início deste review, Code Vein infelizmente não se diferenciou o suficiente para se livrar de comparações a Dark Souls. No entanto, isso o torna um jogo ruim? Bem, não necessariamente.

Com uma história mais simples e apresentada de forma mais direta e um estilo de jogabilidade mais fácil, o título se prova como uma ótima porta de entrada para aqueles que nunca jogaram um “Souls-like” e, simultaneamente, pode saciar a sede de fãs do gênero no atual intervalo entre Bloodborne Elden Ring ou uma sequência ainda não anunciada.

Versão utilizada para análise: PlayStation 4

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Minato
Aspirante a escritor e jornalista. Minato é um amante de jogos, cinema, seriados, histórias em quadrinhos, música e tudo relacionado ao Japão. É uma fábrica de ideias que está sempre produzindo cada vez mais, apesar de não colocar nem metade em prática. Seus jogos favoritos são Persona 3, Okami, Steambot Chronicles, Shin Megami Tensei: Nocturne, Portal 2 e a série Kingdom Hearts.