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Atelier Sophie: A vida que você precisava, mas não sabia

Se você mora na cidade grande certamente já imaginou como seria viver em um lugar mais tranquilo, não é mesmo? Acordar um pouco mais tarde do que o trânsito da sua cidade exige, tomar um café da manhã fresquinho feito com ingredientes do campo, ir até a floresta local a fim de coletar ingredientes para produzir uma bomba de espinhos e anotar a receita em seu livro mágico falante… Quem nunca, não é?

Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book é um jogo desenvolvido pela Koei Tecmo que, apesar de não ser um fenômeno de vendas, tem uma base de fãs muito fiéis. E hoje eu vou contar para vocês porque eu me tornei um desses estudantes de alquimia. Tudo começou quando eu estava tentando ressuscitar uma pessoa, mas acabei criando um cachorro super estranho que me chamava de irmão e… Brincadeira, isso é outra história.

O carinho com o design dos personagens

Toda a franquia Atelier conta com visuais maravilhosos e isso não é diferente em Atelier Sophie. A arte lembra muito visual novels de fantasia e os tons das cores passam uma sensação de diversão por si só, tornando o jogo muito agradável aos olhos. O design de personagens também é muito notável e podemos perceber o carinho por trás de cada indivíduo que nos é apresentado ao longo da aventura. Meus destaques vão para a protagonista Sophie e a costureira Leon:


Apesar de ter dado destaque às minhas duas personagens favoritas, toda a vizinhança de Sophie é muito bem desenhada e o esmero com o design dos personagens encanta muita gente. Como se não bastasse a qualidade artística, cada personagem secundário tem uma história muito bem trabalhada com seus próprios problemas, pontos fracos e fortes e uma motivação especial para encaixar-se na trama.

A história de Sophie e seu livro misterioso

Atelier Sophie conta a história da aprendiz de alquimia Sophie, neta de uma grande alquimista que vivia na pequena vila de Kirchen Bell. A menina herdou de sua falecida avó um ateliê onde eram produzidos diversos itens para ajudar a comunidade local. Apesar de ter habilidades muito inferiores às de sua mestra, Sophie tem um gênio otimista e está sempre buscando aprender novos conhecimentos sobre alquimia.

O jogo começa com Sophie descobrindo uma nova receita para criar um unguento curativo. Empolgada com o sucesso de sua tentativa, a menina resolve anotar os procedimentos num livro de alquimia deixado pela sua avó para que possa repetir a criação mais vezes. Após voltar de sua entrega, Sophie encontra o mesmo livro onde registrou sua receita simplesmente flutuando pelo seu ateliê como se fosse um pássaro. Já que um livro voador não é estranho o suficiente (é sim) Sophie descobre que o objeto pode falar e inclusive tem um nome: Plachta.

Apesar de espantada no início, a jovem alquimista acaba se tornando amiga de Plachta e resolve ajudá-la a recuperar sua memória perdida, já que a única coisa da qual o livro se lembra é seu próprio nome. A amnesia de Plachta é o mecanismo pelo qual a história de Atelier Sophie avança, desbloqueando novas cenas a cada vez que o jogador descobre uma nova receita de item e anota em seu livro amigo, ativando, assim, algum tipo de magia que recupera parte da memória de Plachta. As amigas vêem isso como uma troca, onde Sophie ajudará Plachta a recuperar suas memórias ao mesmo tempo em que aperfeiçoa suas habilidades como alquimista.

A arte da alquimia

Novas receitas podem ser descobertas de diversas maneiras dentro do jogo, seja viajando para coletar ingredientes, lendo livros na biblioteca ou completando quests que podem ser acessadas na Taverna de Kirchen Bell ou até mesmo por meio de batalhas. Além de desbloquear novas fórmulas, o jogador também pode criar itens já conhecidos com diferentes ingredientes de uma mesma família, como por exemplo substituir a erva verde do unguento curativo por flores ou folhas que possuem propriedades antibióticas.

Toda coleta de ingredientes para produção de itens é feita através de expedições de Sophie e seu grupo e consomem tempo de acordo com a distância entre o local de coleta e Kirchen Bell, bem como o número de ações realizadas em determinadas regiões. A navegação dessas expedições é feita através de mapas, tanto da cidade quanto do mundo, consumindo a energia (LP) dos personagens nesse último.


Experimentar novas receitas para os mesmos itens é uma das coisas mais divertidas do jogo já que seus efeitos podem ser potencializados ou novos atributos podem ser descobertos para aquele item específico. Em minhas aventuras alquímicas já cheguei a criar uma bomba de espinhos (item básico de dano) com um atributo extra para incendiar os inimigos ao contato. Além disso, no episódio mais interessante do meu diário de alquimia fui capaz de criar uma barra de ouro que valia mais do que uma barra de ouro comum!

A mecânica de produção de itens aparenta ser simples quando aprendemos, mas na verdade é bem complexa. Cada caldeirão disponível no jogo possui propriedades distintas e na hora de produzir um item devemos “encaixar” os ingredientes numa tabela composta de diversos quadrados, cada um com seu elemento e efeito próprio. Para dificultar ainda mais as coisas, a qualidade do ingrediente afeta o número de células necessárias para alocá-lo no caldeirão.

Na imagem acima podemos ver a grade onde cada ingrediente deve ser posicionado. Células brilhantes possuem efeitos bônus indicados de acordo com sua cor na tabela à direita que descreve a qualidade do produto até aquele momento, a quantidade de usos possíveis, o tamanho do item e barras de atributos que podem ou não estar presentes no resultado final. O que define quais efeitos especiais o item terá é a qualidade dos ingredientes utilizados e o quão correto foi seu posicionamento no caldeirão.

O jogador também precisa atentar-se às cores dos quadrados onde cada ingrediente será colocado, já que ao posicionar um ingrediente fibroso – como o Uni da imagem acima – numa célula fibrosa (amarela) a quantidade de pontos ganhos para se obter o atributo físico (Physical Damage S) representado pela barra amarela na direita é aumentada. Sobrepor ingredientes também é possível, porém isso faz com que os pontos obtidos com o anterior sejam anulados.

Um RPG focado em amizade

Detalhes como esse fazem Atelier Sophie ser um jogo complexo, mas ao mesmo tempo incrivelmente relaxante, já que as histórias dos personagens que convivem com Sophie são tão mundanas. O game possui uma boa dose de comédia e lembra muito o gênero slice of life, onde a principal narrativa envolve problemas comuns e soluções simples.

Vale ressaltar que o jogo não impõe nenhum tipo de prazos de completude ao jogador, exceto pelas datas de entrega das quests opcionais, portanto, é basicamente impossível definir uma quantidade de horas de jogo que Atelier Sophie pode levar para ser finalizado. Meu último save antes de ver o final do game já contava 72 horas de puro comércio alquimista (eu só queria ser rico nesse jogo e de vez em quando ajudava a Plachta, foi mal livrinho).

Batalhas simples e rápidas

O sistema de batalha de Atelier Sophie é o clássico presente em qualquer RPG de turnos, com a única diferença sendo uma mecânica de posturas ofensiva e defensiva que alteram os comandos de cada personagem. Apesar de parecer uma grande inovação, o sistema nada mais é do que uma maneira de separar habilidades em sub-menus para facilitar a navegação e, em sua maioria, o jogo não cobra muita estratégia do jogador. Se você estiver sofrendo para derrotar um inimigo, suba de nível, compre ou produza novos equipamentos e isso deverá ser suficiente. Outro sistema já conhecido é a barra de ataques combinados que é preenchida ao causar e receber dano, exatamente como nos jogos da série Grandia.

Trilha sonora ou som ambiente?

Por último, mas não menos importante, a trilha sonora de Atelier Sophie é simplesmente deliciosa. Ao meu ver, jogos que possuem algum tipo de local onde o jogador deve passar boa parte do gameplay (no caso de Kirchen Bell) precisam de músicas que nunca se tornem cansativas e isso não é nada fácil.

Todas as músicas dentro do jogo são agradáveis e nenhuma delas me incomodou ao longo de 72 horas de jogo. Isso é algo incrível, especialmente porque eu era um alquimista que nunca saía do laboratório até acabarem os ingredientes, então de vez em quando era normal algumas pessoas aparecerem no ateliê para ver se eu ainda estava vivo. Gostaria de mostrar uma das músicas que eu mais gosto no jogo como exemplo:

Não dá vontade de sair por aí explodindo uns caldeirões? Dá, não dá?!

Eu espero que todo o meu entusiasmo com Kirchen Bell e seus habitantes tenha sido o suficiente para fazer você se interessar pelo jogo. Foram muitas horas relaxantes que me ajudaram em momentos de estresse e após um dia cansativo no trabalho. Quem sabe não funciona com você também?

Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book está disponível para Playstation 3, Playstation 4, PlayStation Vita e PC. Se estiver afim de passar uns dias no campo, Sophie e Plachta estarão esperando por você!


 

Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book é bem claro quanto às suas mecânicas e tem a maravilhosa capacidade de salvar um dia ruim no trabalho ou na escola graças à sua atmosfera tão apaziguante.

O jogo é uma ótima pedida para quem gosta de jogos de estratégia ou RPG, mas procura algo mais leve sem perder qualidade.

Versão utilizada para análise: PC

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Willyan Cavalcanti
Willyan Cavalcanti
Paleógrafo, agente de imigração aérea e escritor. Completamente apaixonado por cultura asiática como um todo, especialmente japonesa e chinesa. Budista mais desequilibrado da face da terra que joga Splatoon 2 como se fosse uma final de copa do mundo e chora lendo mangás desconhecidos. Morre de amores por Persona, Splatoon, Love Plus e Pokémon.
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