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The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III | Aprendizado e incertezas

Review The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Com a recente chegada de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III no ocidente, chegando dois anos mais tarde de seu lançamento original no Japão, não há hora melhor para analisarmos tudo sobre este ambicioso RPG que dá continuidade a uma série rica em história.

Venham conosco neste review para descobrir o que achamos sobre o terceiro jogo da série Trails of Cold Steel reserva.

Logotipo de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

A trilha do instrutor de aço

A série Trails tem uma história extremamente rica que é dividida em diversas sagas que se interligam para continuar uma longa e misteriosa narrativa que começou com o lançamento de Trails in the Sky para PlayStation Portable e PC.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Trails of Cold Steel III começa um ano e meio após os eventos de seu título antecessor e sua história coloca jogadores no papel do herói de guerra Rean, que serve como instrutor de uma classe de guerreiros especial formada por alunos de uma academia do governo fictício de Erebonia, que lhes encarrega de completar missões por todo o império. Essas aventuras levarão a reencontros com velhos amigos, novos aliados e antigos inimigos ainda mais perigosos.

Minha maior reclamação sobre a história do jogo é a transformação dos personagens principais anteriores em apenas coadjuvantes nesta sequência. Isso é um tanto frustrante para alguém que experienciou as histórias de antes e testemunhou o desenvolvimento desses personagens que agora são tão mal aproveitados, ainda mais considerando suas presenças proeminentes no marketing do título.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Outro problema com a história é o fato de ela começar exatamente igual à do primeiro jogo da série, com um rápido prólogo mostrando uma base sendo atacada e a classe do protagonista se envolvendo com tal ataque. Faz parecer que o título usar demais da sua nostalgia para te prender, mas é claro novos fãs não notarão as semelhanças entre os dois jogos.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Mas apesar de novos jogadores poderem jogar sem problemas, o título é altamente recomendado a veteranos da série. Só nas primeiras horas de gameplay, diversos flashbacks acontecem mostrando eventos que antecedem ao jogo, isso sem contar na aparição de NPCs que apenas fãs da franquia reconhecerão.

Ainda assim, eu recomendo que você jogue os dois primeiros Cold Steel, principalmente o segundo jogo. Algo que me pegou de bastante surpresa foi uma revelação que ocorre em Cold Steel II sendo casualmente mencionado logo nas primeiras 2 horas de jogo.

Além de referências, a história de Cold Steel III também foca bastante no mundo à sua volta, o que já é uma tradição da franquia Trails. O mundo do jogo é rico em pequenos detalhes que sempre vão sendo adicionados e melhorados conforme você for jogando. Cada NPC encontrado pelo jogador possui textos que mudam conforme acontecimentos, dando uma refrescada no mundo do jogo e aprofundando muito mais os personagens.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

É uma pena que apesar do carisma distribuído pelos antigos personagens, os novos sejam alguns dos piores que eu já tenha visto na saga Cold Steel. Os novos estudantes são péssimos, com personalidades baseadas em certos clichês de anime, como Kurt e Juna que são os piores exemplos.

Juna vem do recém anexado estado de Crossbell, odeia Erebonia e principalmente Rean por ter ajudado na anexação do seu estado. Mesmo assim, ao invés de tentar servir como um ponto importante da história, mostrando mais da relação do povo de Crossbell com a sua nova situação, a garota basicamente age mal e irritada até que o jogo revela que ela só queria agradecer Rean por ter salvo sua vida.

Kurt, por outro lado, é o típico personagem sério que deseja ficar mais forte. Apesar de sua motivação para isso ser boa e explicada de uma maneira interessante, o jogo foca demais neste único traço de personalidade, o que pode acabar fazendo com que os jogadores percam interesse no personagem bem rápido.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Altina é a única dos três alunos iniciais que é interessante, mas isso se deve ao fato de ela já ter aparecido no jogo anterior da série e ter como base uma personagem estabelecida, fazendo assim com que os fãs da franquia acabam se apegando mais a ela por se sentirem mais familiarizados com a sua situação.

É claro, os antigos personagens não eram perfeitos. Alguns deles apresentavam problemas e abusaram demais de clichês, um ponto de reclamação dos fãs com a saga Cold Steel. No entanto, se comparados aos novos personagens, eles ainda eram melhores.

O bravo aço da justiça

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

O sistema de batalha apresentado em Cold Steel III é uma forma refinada do presente nos jogos anteriores, que misturam um estilo tradicional de RPG por turnos com um pouco de estratégia.

Uma das coisas mais legais da série são os efeitos extras que podem ocorrer em certos turnos, tais como recuperação de HP ou ataques críticos. É preciso planejar bem o que será feito e o momento certo, de forma a não deixar os inimigos terem acessos aos bônus.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

As adições que o sistema de batalha de Cold Steel III traz à fórmula pré-estabelecida são controvérsias. Elas de início são ferramentas importantes que ajudam os jogadores nas batalhas, dando assim uma mão extra, mas ao longo do jogo elas podem acabar se tornando fáceis de abusar, o que por si só acaba com o desafio do combate.

A primeira adição é o sistema de “Brave Orders”. Ao longo do jogo o jogador habilitará essas ações especiais que podem ser realizadas durante as batalhas ao custo de “Brave Points”. Cada ordem tem seus efeitos, algumas aumentam status, outras fazem com que os personagens fiquem invencíveis, enquanto outras permitem o uso de magias sem esperar.

Cada ordem fica ativa por uma quantidade de turnos e saber quando ativá-las faz com que até mesmo as mais difíceis batalhas se tornem fáceis. Isso só ocorre no final do jogo quando as mais poderosas ordens se tornam disponíveis, mas é um sistema que pode ser utilizado para sobreviver a uma batalha difícil.

A segunda e última adição é também a mais “quebrada”, trata-se do “Break”. Agora todos os inimigos do jogo possuem uma barrinha abaixo da sua vida que vai diminuindo a cada golpe acertado. Ao ser completamente drenada, o inimigo entra em um estado enfraquecido.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Durante esse estado, o inimigo fica aberto por vários turnos a ataques do jogador, com todos os ataques realizados causando muito mais dano que o normal. Esse estado dura até o próximo turno do oponente, a barrinha se recarrega e é possível colocá-lo de volta nessa fraqueza se ela for esvaziada novamente.

Esse sistema é altamente explorável, sendo possível ativá-lo facilmente. Com a estratégia certa é possível passar até por chefes sem que eles ataquem nem mesmo por um turno. O jogador com certeza vai passar pela maior parte das batalhas normais sem tomar um simples ataque por simplesmente colocar os inimigos no estado de Break.

Mini-games até não acabar

Além da história principal, o jogo é cheio de coisas extras para fazer. Como qualquer JRPG, muito dessas coisas são mini-games. Como qualquer bom RPG japonês, o principal mini-game de Cold Steel III é o de pesca, algo que se tornar possível após a aquisição de uma vara de pesca logo no início do jogo.

Pescar é bom não apenas como uma boa distração, mas também para conseguir alguns itens exclusivos através da troca de peixes pescados. O mini-game é bem simples e extremamente viciante.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Um dos novos mini-games é o “Vantage Master”, um jogo de cartas em que o objetivo é derrotar o “líder” do inimigo. Ele é bem simples, mas assim como a pesca, é bem viciante.

Além desses mini-games, ainda é possível fazer diversas outras coisas, como cozinhar pratos que concedem melhorias aos personagens, missões paralelas secretas e áreas exploráveis adicionais.

Uma apresentação de incertezas

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

Quando foi anunciado que a NIS America ficaria responsável por trazer o título ao ocidente, fãs ficaram preocupados com a qualidade do texto localizado e esse assunto acabou sendo uma das maiores incertezas do jogo.

A localização é uma faca de dois gumes onde, apesar parecer boa em várias partes, existem algumas falas e momentos que foram modificados sem razão aparente, com um dos exemplos disso aparecendo logo no início do jogo. Isso sem falar nos trejeitos de certos personagens que sofreram uma alteração para deixá-los mais “modernos”, ou então falas que foram modificadas para parecerem mais joviais do que são no original em japonês.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

A dublagem também é outro ponto de altos e baixos. Cold Steel III conta com quase todo o mesmo elenco de dubladores dos jogos antigos da série e eu adorei a interpretação de alguns dos personagens de títulos anteriores, com Sean Chiplock se destacando no papel do protagonista, apesar de soar diferente durante o campo de batalha.

Dito isso, é possível notar que a dublagem foi dirigida de uma forma diferente. Personagens que antes tinham vozes características, aqui estão completamente de outra forma. Eu me peguei diversas vezes checando os dubladores de certos personagens para garantir que eram as mesmas vozes dos anteriores por causa dessa diferença.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

É curioso como os personagens que não sofreram com esses problemas são dublados por grandes nomes, como D.C Douglas (a voz de Albert Wesker da série Resident Evil). Apesar dos novos personagens não terem o mesmo peso que os antigos têm para os fãs em questão da dublagem, eles acabam sendo afetados principalmente quando comparados com a dublagem original japonesa que pode ser escolhida nas configurações.

A opção de alternar entre as duas dublagens é algo que deverá agradar principalmente fãs de anime, pois Cold Steel III traz personagens dublados por vozes famosas, como Tomokazu Sugita (Gintoki em Gintama), Shinichiro Miki (Kisuke Urahara em Bleach) e Takehito Koyasu (Dio Brando em JoJo’s Bizarre Adventure).

Além da dublagem, a trilha sonora original continua agradável, com um tema de batalha perfeito e empolgante e outras faixas se adequando aos climas que o jogo busca passar em vários pontos.

Screenshot de The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III

The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III é um ótimo RPG que continua a tradição da série de histórias complexas e cheias de reviravoltas. É recomendado jogar os jogos anteriores da franquia pois os dois primeiros capítulos mencionam não apenas eventos passados, como também apresentam personagens importantes dos títulos precedentes.

Novatos e até mesmo fãs antigos da franquia que só conhecem os títulos trazidos ao ocidente podem ficar um pouco confusos com todas as referências.

É difícil recomendar esse jogo para aqueles que querem jogar um novo RPG, mas é muito recomendado para quem jogou ao menos os dois Cold Steel anteriores. Se é a sua primeira vez jogando um jogo da série, você vai conseguir se divertir, mas pode acabar ficando um pouco perdido no início.


The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel III é um grande JRPG que requer sua total atenção, seja para entender algumas das reviravoltas ou apenas para ter uma boa experiência.

A dificuldade no início do jogo pode ser bastante desequilibrada, mas aqueles que perseverarem irão encontrar um divertido sistema pronto para ser explorado.

Fãs de RPG notaram as semelhanças a Persona 5 na interface e em certas mecânicas, mas não espere um jogo similar, Cold Steel III ainda é um jogo único e totalmente diferente que vale e muito ser jogado por qualquer fã de boas histórias.

Plataforma utilizada para análise: PlayStation 4 padrão
Análise produzida a partir de uma cópia digital cedida pela NIS America

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Erick Figueiredo
Erick Figueiredo
Estudante de jornalismo, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte a série MGS, Blazblue, Persona, Megaman e outras.