Romance of the Three Kingdoms XIV: Diplomacy and Strategy l Uma bela lição de história


Em 2020, a Koei Tecmo lançou o décimo-quarto título principal de sua série de jogos de guerra baseados na histórica narrativa ficcional chinesa Romance dos Três Reinos. Com o recente lançamento de uma expansão que adiciona várias novidades ao título original, pudemos finalmente analisar a obra como um todo e ver se Romance of the Three Kingdoms XIV: Diplomacy and Strategy Expansion Pack Bundle cumpre o que promete.

Logotipo de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expansion Pack

História

De forma semelhante à franquia Nobunaga’s Ambition, que foca na história japonesa do período Sengoku, Three Kingdoms procura apresentar a história do romance chinês da forma mais fiel possível. Entretanto, por se tratar de um videogame, o título ainda deixa um espaço livre para diferentes interpretações da trama.

No título, jogadores se encontrarão viajando no tempo pelos diversos anos de guerra do período dos Três Reinos. Curiosamente, no entanto, cabe ao jogador escolher vivenciar essas épocas na íntegra ou só participar de alguns de seus conflitos, cada um contando com a presença de uma proeminente figura histórica da nação asiática.

Felizmente para aqueles que não são assim tão versáteis na história da China, o título traz diversos resumos dos principais acontecimentos desse período histórico e biografias sobre cada um dos oficiais encontrados durante o jogo. Ademais, o game não tem medo de incluir figuras chinesas famosas, contando com mais de 100 personagens que podem ser recrutados para o exército do jogador.

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

Gameplay

Sendo um jogo de estratégia por turnos que mistura construção de impérios com batalhas estratégicas, RTK XIV dá ao jogador o objetivo de unir toda a China sob o seu comando. Para isso, será necessário dominar territórios e derrotar generais rivais como um dos vários oficiais da época, ou como um personagem customizado.

Apesar de simples, a criação de personagens pode ser muito divertida, já que o jogador também pode criar um exército completamente composto por soldados customizados. A partir daí, o jogo revela seu mapa aberto, dando a liberdade para que jogadores avencem como quiserem.

De início, toda a liberdade oferecida pelo título pode parecer um tanto assustadora e opressiva, mas é fácil se acostumar com o tempo, especialmente se o jogador estiver disposto a passar pelos diversos tutoriais que o jogo oferece. Fazendo isso, será muito mais fácil entender os vários sistemas de jogabilidade, graças a excelentes explicações ao seu dispor.

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

O mais recente título da franquia também busca simplificar muitos elementos, como o sistema de melhorias de cidade, para ajudar aqueles que não tem experiência com esse tipo de jogo. Desta vez, oficiais assumem um papel bem mais ativo, ficando responsáveis pela gestão automática de territórios com foco em desenvolvimento militar, agricultura ou comércio, de acordo com a escolha do jogador.

Com esse aspecto do jogo sendo mais automatizado, o jogador tem menos responsabilidades durante seus turnos, deixando-o livre para focar mais na política do império. Assim, é comum passar o tempo concedendo títulos a oficiais, além de ouvir suas opiniões e responder aos seus pedidos.

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

Como o nome da expansão sugere, um dos principais focos do jogo estão nas mecânicas de diplomacia. Agora é possível se aliar a clãs e até mesmo participar de trocas com impérios fora da China, garantindo acesso a vários itens raros e outras fontes de riqueza.

Adicionalmente, com os soldados recrutados por seus oficiais, o jogador pode comandar exércitos pelo mapa em busca de conquistar novos territórios, defender cidades e enfrentar inimigos invasores. Entretanto, antes de tudo isso é necessário apontar um líder, alguém que comandará os homens nos campos de batalha. É importante escolher com atenção, já que cada general possui diferentes atributos úteis durante confrontos.

Enquanto estiver em movimento, o exército gastará um número de suprimentos que, quando se tornam escassos, ocasionam na perda de moral do pelotão. Com esse contratempo, soldados começarão a abandonar seus deveres e táticas e habilidades especiais de oficias perderão a eficácia.

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

Durante as batalhas, que começam automaticamente ao encontro com tropas inimigas, dois atributos são levados em consideração: a força do general e o número de cabeças que ele comanda. Os dois grupos causam dano ao mesmo tempo e, se dois oficiais famosos estão presentes em lados opostos da guerra, um duelo especial pode ocorrer. Nisso, o rumo do confronto pode mudar dependendo das habilidades especiais do comandante.

Ademais, conquistar uma cidade sob comando de um adversário não é um simples passeio no parque, sendo necessárias boas estratégias e preparo para obter sucesso nessa empreitada. O jogador deverá se atentar em reduzir as defesas do oponente e principalmente remover seus soldados de forma rápida e eficaz, pois quanto mais dando é causado ao território, menores serão os bônus oferecidos por ele ao ser conquistado.

Infelizmente, apesar de todos esses detalhes sobre batalhas e cercos, aqueles que esperam um jogo muito profundo em estratégias e atenção ficarão desapontados. Tal como a gestão de cidades, os combates também ocorrem de forma automática, em grande parte fugindo do controle do jogador.

Apresentação

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

Apesar da jogabilidade simples, uma das áreas em que o jogo mais se destaca é na apresentação, contando com menus igualmente simplificados porém, ainda assim, bem detalhados. Cada figura história é representada por seu próprio retrato, com alguns dos mais importantes sendo até animados.

Embora o título tenha suporte para legendas em inglês, existem apenas duas opções de dublagem; japonês e chinês. Ambos os elencos vocais são aplaudíveis, mas ouvir os personagens falando em seu idioma nativo da China parece adicionar ainda mais à imersão, considerando o cenário. Os efeitos sonoros, por sua vez, também não deixam a desejar, principalmente durante os combates.

Sendo este o primeiro jogo da franquia vindo para o Nintendo Switch, eu estava muito curioso para saber como os controles seriam otimizados para a plataforma. Felizmente, a equipe da Koei Tecmo fez um ótimo trabalho, tomando boa vantagem tanto dos controles Joy-Con como da tela de toque no modo portátil do console híbrido.

Screenshot de Romance of the Three Kingdoms: Diplomacy and Strategy Expasion Pack Bundle

Pedras no caminho

Infelizmente, nem tudo é um mar de flores nesta aventura pela China. Algumas decisões de design de jogabilidade podem incomodar aqueles que procuram uma experiência mais completa do gênero. Um dos principais problemas está na forma como o tempo passa dentro do jogo, com cada turno sendo o equivalente a um mês e todos os seus desenvolvimentos no mapa levando muito tempo para se concretizarem.

Assim, apesar de se empolgante quando as coisas de fato começam a acontecer, é comum que o jogador se veja simplesmente pulando vários meses sem intercorrências. Isso, é claro, leva a uma experiência um tanto entediante.

Finalmente, apesar de não ter sofrido problemas como quedas de fps (quadros-por-segundo), a conversão do jogo para o Switch introduz alguns incômodos, como texturas de qualidade inferior às da versão do título para PC. Mesmo assim, isso não é o suficiente para declarar a transição para o atual console da Nintendo uma falha, já que independente dos gráficos inferiores, a experiência entregue aos donos do Switch é decente.


Romance of the Three Kingdoms XIV: Diplomacy and Strategy Expansion Pack Bundle é um bom título para quem gosta de estudar história. Entretanto, fãs de jogos de estratégia ou da franquia no geral podem acabar saindo decepcionados pela falta de profundidade do jogo em relação a algumas mecânicas.

Mesmo assim, o game proporciona o suficiente para uma experiência, no mínimo, divertida, por mais que simplificada.

Análise realizada através de versão para Nintendo Switch
Cópia cedida pela Koei Tecmo

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Erick Figueiredo

Estudante de jornalismo, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte a série MGS, Blazblue, Persona, Megaman e outras.