Resident Evil 3 | Terror revivido, reinventado e explosivo


Após o lançamento do remake de Resident Evil 2 e seu sucesso estrondoso, uma versão modernizada do terceiro jogo da série parecia simplesmente inevitável. Assim, não foi tão chocante quando, em dezembro de 2019, a Capcom anunciou Resident Evil 3, reimaginando o clássico do PlayStation.

Produzido e lançado com mais antecedência que seu sucesso, o novo remake finalmente se encontra disponível para Xbox One, PC e PlayStation 4, essa última plataforma sendo a que usamos para jogar e produzir esta análise.

Logotipo de Resident Evil 3

A última chance de fugir

Screenshot de Resident Evil 3

A história do terceiro capítulo da saga Resident Evil serve tanto como um prelúdio, como também uma conclusão para os acontecimentos do segundo, finalmente colocando um fim ao terror zumbi de Raccoon City.

Ao invés de Leon e Claire do jogo anterior, desta vez retornamos à pele de Jill Valentine, uma ex-integrante do esquadrão policial S.T.A.R.S. e uma das sobreviventes dos eventos macabros decorridos na sinistra mansão do primeiro título da franquia.

Em meio à sua investigação sobre a nefária corporação farmacêutica Umbrella, Jill acaba se encontrando presa em um terrível cenário quando a cidade é tomada por um vírus que transforma sua população em zumbis. Além de ter que lidar com as aterrorizantes criaturas famintas, a policial também deve enfrentar Nemesis, uma persistente arma biológica determinada a acabar com todos os antigos membros da S.T.A.R.S..

Durante sua fuga, a protagonista conhece Carlos Oliveira da U.B.C.S., um dos muitos esquadrões mercenários enviados pela Umbrella sobre o pretexto de ajudar os sobreviventes a escapar dos monstros. Jill, relutante, aceita auxiliá-los nessa missão em prol dos cidadãos.

Screenshot de Resident Evil 3

A estrutura da narrativa ainda segue os moldes do jogo original de 1999, porém apresenta de uma forma bem mais adequada a jogos modernos e expande sobre alguns elementos de terror. O icônico Nemesis, por exemplo, desta vez aparece cedo na trama, já estabelecendo desde início um grande desafio para jogadores.

Infelizmente, essa participação antecipada do grande monstro significa que sua presença em acontecimentos mais à frente na história é limitada. Assim, não será com tanta frequência que o jogo colocará jogadores em situações desesperadoras, tentando escapar da criatura. Isso torna o que era para ser uma aventura perigosa em algo mais monótomo, com poucos momentos de tensão.

Screenshot de Resident Evil 3

Outra grande mudança é a caracterização de personagens. Jill é mais agressiva em relação à Umbrella, enquanto Carlos deixou de ser um mulherengo e desta vez realmente deseja salvar o maior número possível de pessoas. Em adição, NPCs que outrora eram de pouca importância para a narrativa geral ganharam mais lugar e tempo para bilhar.

Dito isso, a caracterização da protagonista não me agradou. Em diferentes momentos, o jogo se contradiz quando coloca a personagem em situações onde ela está visivelmente aterrorizada, mesmo sendo estabelecida como uma guerreira que já lidou com monstros antes.

Além disso, várias sequências mostram Jill sendo arremessada e aparentemente ferida de forma severa, mas saindo ilesa da situação. Isso contribui para uma certa impressão de que a “super policial” é indestrutível.

Olha o bicho vindo

Screenshot de Resident Evil 3

A jogabilidade do novo remake segue o mesmo estilo de seu antecessor, sendo um jogo de tiro em terceira pessoa com uma câmera sobre os ombros. A maior novidade é um botão de esquiva remanescente de Resident Evil Revelations 2, permitindo ao jogador escapar com agilidade de ataques inimigos. Se usado no momento certo, é possível mirar e acertar nos pontos fracos dos monstros em câmera lenta.

Com um grande foco em ação, muitas vezes é impossível escapar de inimigos, com o jogo lhe obrigando a enfrentá-los de frente, oferecendo até soluções mais explosivas como barris voláteis e granadas.

Adicionalmente, e diferente de Resident Evil 2, é possível realizar danos críticos contra zumbis com maior facilidade. Assim, é improvável que jogadores encontrem dificuldade em simplesmente seguir em direção de seu objetivo.

Screenshot de Resident Evil 3

Além dos clássicos zumbis, Nemesis e Lickers, jogadores também encontrarão novas criaturas fascinantes que exigem estratégias diferentes para serem derrotadas. Essas novidades ajudam a quebrar a monotonia de enfrentar os mesmos monstros de sempre, mesmo que alguns acabem se provando mais chatos do que interessantes.

Felizmente, a ação aparentemente desenfreada ainda assim consegue dar lugar a cenas dignas de um filme de terror, principalmente durante a introdução de um novo inimigo. A trilha sonora também é uma grande contribuinte para essa atmosfera, com seus crescendos sempre deixando o jogador com uma sensação tensa, aguardando um susto inevitável.

Uma reimaginação de altos e baixos

Screenshot de Resident Evil 3

Essencialmente, Resident Evil 3 é dividido em duas partes — um início repleto de desafios, onde em cada canto de Raccoon City pode existir algum perigo, e um final que não consegue manter o ritmo acelerado do jogo e se torna apenas uma um corredor. Na conclusão, o jogador acaba sendo simplesmente levado em frente pela história, sem muitas surpresas lhe aguardando.

Livre de comparações ao jogo original, o novo título tem seus pontos positivos, como os gráficos modernizados que se destacam principalmente nos modelos de personagens, efeitos de luz e simulação de água. Nemesis é um ótimo exemplo de excelência, sendo muito mais do que uma cópia do Mr. X de Resident Evil 2. Sua grotesca evolução ao decorrer da trama é visível e contribuem para que ele se diferencie de seu “primo”.

Em adição, o trabalho sonoro do jogo também é digno de elogios. Ao andar pela caótica cidade, é possível ouvir gritos de pessoas e tiros à distância, um constante lembrete de que Jill não é a única lutando para sobreviver.


Resident Evil 3, apesar de desapontante em certas partes, ainda assim é uma ótima pedida para fãs da popular franquia, especialmente os mais familiares com o jogo original de 1999.

Seu aproveitamento pode, talvez, ser resumido em como o jogador deseja interpreta o título. Aqueles esperando por uma recontagem perfeita do terceiro capítulo da série podem se decepcionar um tanto. Enquanto isso, se o jogo for visto como uma nova experiência, muitos elementos divertidos serão encontrados.

Análise realizada através de versão para PlayStation 4
Cópia cedida pela Capcom

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Erick Figueiredo

Estudante de jornalismo, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte a série MGS, Blazblue, Persona, Megaman e outras.