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Resident Evil 2 – a REimaginação de um clássico

O ano é 1998. Uma chuva torrencial cai sobre Raccoon City enquanto uma jovem estudante procura por seu irmão mais velho. Seu nome, Claire Redfield. A jovem, após uma parada em um posto de gasolina, encontra acidentalmente com o mais novo recruta da delegacia de Raccoon, Leon S. Kennedy. O que eles jamais imaginavam é que esse encontro iniciaria uma aventura até o coração da cidade, chegando ao laboratório da influente e suspeita Umbrella.

Imagem: PS4 Share

Acontecimentos como esses são comuns na série Resident Evil, o que até então não seria nenhuma novidade. No entanto, tive a oportunidade de jogar brevemente a demo do jogo na BGS2018 e, apesar de terem sido apenas 3 minutos de gameplay com cada personagem, foi o bastante para me deixar bastante ansioso.

Finalmente, com o lançamento de Resident Evil 2 para PlayStation 4 em janeiro, pude matar a curiosidade e sentir na pele tudo que o jogo tem para oferecer. Mas será que o título conseguiu suprir as expectativas dos fãs? Afinal, a espera valeu a pena? Leia a nossa review e descubra!

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O que eu gostaria de deixar bem claro no início dessa review é que o objetivo não é comparar o novo título com o jogo lançado em 1998. Comparações existirão, é claro, mas não serão o foco, até porque, como a própria Capcom mencionou, este jogo é uma reimaginação do segundo título da série.

Dito isto, venha comigo desfrutar desse jogo incrível que merece a sua atenção no ano de 2019 que mal começou. 

Cuidado: o texto a seguir contém imagens fortes de violência explícita.

Uma cidade infestada

Resident Evil 2, como mencionado anteriormente, conta a história dos jovens, Claire e Leon, que veem seus destinos interligados acidentalmente em um posto de gasolina. Juntos viajam até a cidade de Raccoon, onde são separados após uma grande explosão ocasionada por um motorista desgovernado. Os jovens, então, traçam um plano para se encontrarem na delegacia e, após alguns eventos, descobrem que a cidade está um verdadeiro apocalipse zumbi.

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Para conseguirem sobreviver, precisarão enfrentar os mais perversos experimentos da gigante companhia farmacêutica Umbrella Corporation, como o terrível Tyrant – carinhosamente conhecido por Mr. X – programado para eliminar qualquer sobrevivente da cidade amaldiçoada. Durante a aventura, Claire contará com a ajuda de uma garotinha chamada Sherry, enquanto Leon será auxiliado pela misteriosa e bela Ada Wong.

É possível jogar os dois lados da história, tomando o controle de Leon ou Claire, mas infelizmente os fatos ocorridos em um não refletem diretamente no outro.

Muito mais desafiador

Resident Evil 2 foi construído do zero utilizando a RE ENGINE – a mesma presente no desenvolvimento de Resident Evil 7 – e possui uma jogabilidade chamada “over-the-shoulder”, muito parecida com os últimos títulos da série. Por conta disso, os personagens possuem uma aparência plastificada (há quem goste) e são muito mais realistas, fazendo com que a agonia role solta ao mostrar várias partes humanas sendo desmembradas. O jogo também não deixa a desejar no quesito gore e logo no início presenciamos um corpo sendo dividido ao meio, com suas tripas escorrendo pelo chão. Delícia, não é mesmo?

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A franquia continua a caminhar em direção a um Survival Horror e não apenas um shooter. Os zumbis mais simples que antes eram descartáveis agora se tornaram uma dor de cabeça enorme. São muito mais resistentes, necessitando de 4 a 6 tiros para explodir a cabeça de um; ágeis, ou seja, acabou a patifaria de dar baile nos mortos vivos em corredores estreitos; e todos eles abrem portas. 

Outro detalhe importante é que não há muita munição no jogo, por isso escolha bem os zumbis que deseja tirar do caminho para que não falte balas na hora X, se é que você me entende. Se vale a dica, dizem por aí que o dano recebido pelo zumbi independe da região acertada, mas para que a morte seja garantida é melhor tentar acertar na cabeça já que assim existe a chance de estourar os miolos.

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Além das armas de fogo, o jogo disponibiliza também armas secundárias, como facas e granadas. Em situações desesperadoras, vale a pena derrubar e fatiar os mortos-vivos, mas fique atento pois a faca possui durabilidade. Outro detalhe é que essas armas quando equipadas possuem uma ação especial única que pode ser ativada ao ser agarrado por um zumbi, evitando o dano que o jogador receberia. É um salvador de vidas em muitas ocasiões!

No entanto, apesar de todos os elementos que trazem mais dificuldade ao gameplay, alguns detalhes, por sua vez, foram modificados para facilitar a vida dos jogadores. Se você jogou os títulos antigos da série sabe a dor de cabeça que é rodar o cenário em busca daquilo que deixou para trás. Na nova versão de Resident Evil 2 isso não é necessário, pois com a ajuda de um mapa extremamente detalhado é possível verificar quais áreas possuem itens não coletados, portas não abertas e baús. Inclusive, o mapa marca até mesmo qual é a chave necessária para abrir as portas, mostrando seu respectivo símbolo.

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Outro facilitador diz respeito aos quebras-cabeças. Eles são simples e não exigem que o jogador se locomova até diferentes lugares em busca de informações ou dicas a respeito de suas resoluções. São geralmente curtos e diretos, o que é compreensível visto que esse não é foco do jogo. Mas ainda assim, poderiam ter sido melhor elaborados.

Muito bonito, porém…

Já no início de Resident Evil 2 é possível se surpreender com a riqueza de detalhes. A interação do personagem com a água é tão realista que as vestimentas e os cabelos encharcam aos poucos conforme andamos pela chuva ou por lugares molhados. A iluminação dos ambientes também é bem trabalhada, deixando os mínimos detalhes ainda mais evidentes, como podemos observar no posto de gasolina, na rua e no salão principal da delegacia.

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Infelizmente, ao chegar na delegacia esse impacto é reduzido. Isso acontece porque, apesar do local ter sido palco de uma guerra contra zumbis, as marcas do combate são pouco marcantes, aparecendo somente em alguns cômodos específicos. Um exemplo disso é, novamente, o salão principal. Ao entrarmos, somos surpreendidos por um ambiente impecável, com quase nada destruído e pouco sangue distribuído pelo cenário.

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E isso se estende às aparências dos mortos-vivos. Os modelos dos zumbis acabam se repetindo bastante, dando a impressão de que faltou criatividade – ou coadjuvantes extras para ajudar nas caracterizações dos inimigos. Em alguns casos isso pode ser um pouco desmotivador, visto que não existem surpresas e nos acostumamos a enfrentar os mesmos inimigos sempre.

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Apesar da jogabilidade ser bastante fluída e fácil de acostumar, mirar no console é um problema. A mira não é nada natural e movê-la alguns centímetros para o lado pode ser considerado um desafio e tanto. Já no computador, por exemplo, isso não acontece na mesma frequência graças à facilidade do uso do mouse – a não ser que você seja incapaz de ter uma mão firme, como eu.

A trilha sonora, por sua vez, em geral não é tão impactante quanto deveria, deixando a desejar nas horas de tensão por não possuir uma canção que cause impacto e nervosismo. Para ser sincero, sua presença é tão fraca que durante o jogo todo as músicas ambiente me passaram despercebidas. A parte legal, no entanto, é que é possível alterar para as músicas e efeitos sonoros antigos, tocando diretamente no coração nostálgico dos jogadores e tornando a experiência mais especial.

Zumbi até dizer chega

A história de Resident Evil 2 segue em passo lento, possuindo poucas partes de tensão, mas com um tempo de jogo bom para o gênero. Cada cenário possui em torno de 5 horas, o que totaliza aproximadamente 10 horas de gameplay por personagem. Apesar de ser curto, isso não o torna ruim, pois mesmo sendo simples sua história é capaz de envolver e manter a curiosidade até o final. Há até mesmo aqueles que choraram na última cena, então vale a pena prestar muita atenção nos detalhes, aproveitando que há a possibilidade de colocar a legenda em português.

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Mas caso isso seja pouco para você, não se preocupe. Resident Evil 2 traz conteúdo extra suficiente para te prender por mais algumas horas. Além de ter recebido uma DLC recentemente, o jogo tem também um modo extra chamado “O 4º Sobrevivente”, onde o jogador tomará o controle de Hunk, o ceifeiro.

No modo extra, o objetivo é fazer Hunk chegar vivo até a entrada do departamento de polícia. O jogador iniciará dentro dos esgotos e precisará atravessar a delegacia inteira, enfrentando hordas de zumbis e todos os tipos de inimigos estrategicamente distribuídos pelo mapa. Em um primeiro momento talvez pareça difícil e praticamente impossível, mas como as posições dos monstros são sempre as mesmas, é possível refinar sua estratégia e arquitetar os melhores momentos para usar uma granada ou até mesmo ser mordido por um zumbi a fim de evitar outros.

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Adicionalmente, para a alegria dos fãs nostálgicos, o Tofu também está de volta em Resident Evil 2. Mas para poder jogar com personagem será necessário suar muito com Hunk nos esgotos, preenchendo certos requisitos e desbloqueando o gameplay do bloco de soja gigante.

Com relação ao DLC de Resident Evil 2, o conteúdo adicional foi liberado aos fãs no dia 15 de fevereiro através de uma atualização gratuita. Intitulada “Sobreviventes Perdidos”, o novo modo permite jogar cenários alternativos com personagens vistos na história principal que não conseguiram sobreviver ao ataque zumbi.

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Assim como em “O 4º Sobrevivente”, o objetivo é ir do ponto A ao ponto B no menor tempo possível, enfrentando vários inimigos pelo caminho e com poucos recursos. A diferença é que nesse modo existem algumas máquinas de vendas automáticas que possibilitam escolher um entre três itens para auxiliar na aventura. Além disso, alguns zumbis são totalmente diferentes fisicamente daqueles vistos na história principal, enquanto outros carregam itens em uma mochila que podem ser coletados pelo jogador.

O conteúdo adicional conta três diferentes histórias que acontecem paralelamente à narrativa principal, cada uma com seu próprio nível de dificuldade. No entanto, é possível alterar para o modo de treinamento, oferecendo ao jogador uma gama maior de itens iniciais e apresentando monstros mais fracos. Dessa forma, será possível decorar a posição dos inimigos e traçar uma estratégia, mas cuidado, pois ainda é possível morrer e o tempo de jogo não será contabilizado.

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Vale mencionar que ao atingir certas condições durante o modo extra, vários acessórios serão desbloqueados para usar nos personagens. Se você é do tipo colecionador, então com certeza vai investir algumas horinhas a mais para conseguir tudo.

Para aqueles que gostam de customizar, o jogo também permite que o jogador selecione várias roupas diferentes para os protagonistas, o que é muito interessante visto que modifica bastante a atmosfera do gameplay. São cinco opções de trajes para Leon e seis para Claire, entre elas uma versão Noir e o figurino original do título lançado em 1998. No modo Noir, inclusive, há a opção de ativar o filtro em preto e branco para criar o clima cinematográfico dos filmes de crime e suspense.

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Resident Evil 2 com certeza é um título que vale a pena, sendo ou não fã da franquia, tendo ou não jogado a versão antiga. O game é capaz de trazer aspectos mais atuais, como jogabilidade e engine, e ao mesmo tempo agradar jogadores antigos, mantendo um gameplay sólido, com uma temática escura e dificuldade desafiadora, mas não exagerada.


Possuindo cenários belíssimos, muitos polígonos na tela e poucos – ou quase nenhum – slowdownsResident Evil 2 é claramente um jogo de fim de geração. No entanto, é importante mencionar que no PlayStation 4 base o jogo acaba exigindo bastante da capacidade do console, fazendo com que seus ventiladores sejam ativados na potência máxima, lembrando uma turbina de avião ao levantar voo. Infelizmente, isso se mantêm durante todo o gameplay, o que pode ser bastante irritante em alguns momentos.

Análise produzida a partir de uma cópia digital cedida pela Capcom

Versão utilizada para análise: PlayStation 4 (base)

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Shin
Formado na área da computação, é o responsável pela infraestrutura do site. Quando não está envolvido com computadores ou videogames, está praticando atividades físicas ou brincando com seus animais de estimação. Shin adora jogar videogame, correr, tomar café e/ou chá e comer doces. Suas franquias favoritas são The Legend of Zelda, Final Fantasy, Devil May Cry, Guilty Gear e Guitar Hero.