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Final Fantasy IX no Switch – uma carta de amor aos fãs da franquia

No final dos anos 90, Final Fantasy já era uma das maiores franquias de RPG, tanto no Japão quanto no ocidente, principalmente após o lançamento de Final Fantasy VII em 1997 no PlayStation, resultando em um interesse maior em jogos do gênero por aqui.

Após o oitavo jogo principal da série, o desenvolvimento de Final Fantasy IX começou com altas expectativas, mas para Hironobu Sakaguchi, criador da franquia, esse jogo não seguiria a mesma linha que fez sucesso dos seus dois anteriores. Decidido que Final Fantasy deveria retornar às origens naquele que seria o último jogo antes da série se tornar decimal, Sakaguchi apostou em ignorar os elementos futurísticos do dois últimos jogos e o resultado foi uma carta de amor aos fãs mais antigos.

Final Fantasy IX foi lançado originalmente para o PlayStation em 2000. Agora, dezenove anos após seu lançamento inicial, o jogo dá as caras no Nintendo Switch e Xbox One, tendo já passado por PC, Android, iOS e PS4.

Será que ainda vale a pena investir no clássico RPG da antiga Squaresoft?

Tela de título da versão para Switch de Final Fantasy IX
Imagem: Switch

A primeira coisa a se notar no novo relançamento do jogo é que este é um port da versão para dispositivos móveis, que foi mais tarde lançada para PlayStation 4 e PC. Ou seja, o jogo original está aqui com uma qualidade de imagem aprimorada e algumas opções adicionais para modernizar a experiência para uma nova geração.

Tais opções incluem a opção de pular cutscenes, save automático e modelos de personagens em alta definição. Além dessas, o jogo também auxilia jogadores mais preguiçosos ao trazer opções como remover batalhas aleatórias, pontos de vida e magia infinitos durante combate, Trance infinito, dano fixo de 9999 pontos de vida reduzidos nos inimigos, capacidade de adquirir habilidades sem precisar de AP (pontos de habilidade), colocar personagens no nível 99 e dinheiro infinito.

É claro que todas essas funções são opcionais. Portanto, jogadores que quiserem aproveitar tudo o que o jogo tem a oferecer podem ficar tranquilos, pois isso ainda será possível.

A nona fantasia final

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

A história do jogo segue Zidane, um jovem ladrão com cauda de macaco que adorar flertar com todas as mulheres que encontra. O protagonista começa o jogo como um membro da trupe de ladrões Tantalus cuja missão é sequestrar a princesa do reino de Alexandria, Garnet, durante a peça “Eu Quero Ser o Seu Canário”.

Para a surpresa dos ladrões, a princesa deseja fugir do castelo após ter percebido que sua mãe, a rainha Brahne, está diferente. Zidane e Garnet são perseguidos por Steiner, o capitão dos cavaleiros reais de Pluto, que está tentando fazer a princesa voltar para o castelo. A dupla, junto de Steiner, acaba fugindo do castelo de Alexandria, não antes de conhecerem Vivi, um simpático Black Mage.

Ao descobrir sobre o desaparecimento da princesa, a rainha passa a planejar algo que pode vir a ameaçar o mundo. Enquanto isso, Zidane, Garnet (agora apelidada de Dagger), Steiner e Vivi partem em uma jornada para descobrir os planos da rainha e a identidade do misterioso Kuja.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

A história de Final Fantasy IX não possui muitas reviravoltas como os dois últimos jogos. Apesar ser mais simples, o mais divertido nela é a jornada de seus personagens. O começo é direto ao ponto, acompanhando um ladrão que ajuda uma princesa a escapar de sua mãe malvada. Mas isso evolui para algo maior, levantando questões filosóficas e amadurecendo os personagens principais.

Um dos melhores personagens do jogo certamente é o Vivi. O jovem Black Mage passa uma grande parte do inicio da história tentando descobrir quem é, até que uma revelação o surpreende e o faz questionar a razão de ter nascido. Muitas das cenas da história dele são opcionais, o que na minha opinião é péssimo em um jogo desse tipo.

Eu já não vi isso em outro lugar?

Continuando a tradição de seus antecessores do PS1, o jogo é totalmente em 3D e é interessante ver como alguns designs clássicos transicionam para a terceira dimensão sem perder o charme da época 2D.

Enquanto Final Fantasy VII e VIII se passavam em um mundo mais modernizado, FFIX retorna à era medieval fantástica com grandes castelos e construções antigas.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

Além do design, o jogo é bastante inspirado em títulos antigos, cheio de referências a todos os jogos principais da série lançados até então. Cidades, personagens, armas… quase tudo que você irá encontrar no jogo já foi visto em jogos passados ou servem como easter eggs. Se você é um fã novo, não se preocupe, pois o jogo ainda pode ser aproveitado sem problemas, mas para os fãs mais antigos da franquia, certamente é um prato cheio de nostalgia.

Cada personagem jogável é baseado em uma das classes tradicionais de Final Fantasy, com todos possuindo habilidades de classes. Por exemplo, Zidane possui “Steal”, tal como os personagens da classe Thief. Isso elimina algumas opções de customização que estavam presentes nos dois jogos anteriores.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

As habilidades são adquiridas em um estilo bem parecido com os jogos da série Final Fantasy Tactics. Cada peça de equipamento, seja arma, armadura, capacete, acessório, etc, possui certas habilidades que somente alguns personagens podem aprender ao adquirirem Ability Points (AP) suficientes. O personagem usa o item para aprender a habilidade e, uma vez aprendida a skill, o item não precisa mais ser equipado. O problema é que muitas vocês jogadores se encontrarão obrigados a usar itens fracos somente para aprender uma habilidade específica.

As habilidades são dividas em dois tipos: ataque, que não exigem pontos para serem equipados, e suporte, que precisam de pontos adquiridos ao subir de nível. Portanto, trate de treinar seus personagens sempre que puder caso queira usar o máximo de habilidades possíveis.

Hora de batalhar, um de cada vez

O sistema de ATB (Active Time Battle) que vem desde Final Fantasy IV continua em Final Fantays IX. Cada personagem tem sua própria barra de ATB que vai enchendo conforme o passar do tempo. O ATB sofre mudanças de acordo com a velocidade dos personagens, magias de velocidade ou lentidão, e estado de personagens, como Trance.

Além de comandos como Attack, Item e Defend que já são esperados na série, temos aqui o comando Change que muda a posição de um personagem na batalha, passando-o para frente ou para trás, dependendo de sua posição e skills.

Imagem: Switch

A novidade aqui é o sistema de Trance, uma variação do sistema de Limit Break (golpes poderosos que os personagens podem usar em certas condições) dos dois últimos títulos. Cada personagem tem uma barra abaixo de sua ATB, e ela aumenta a cada dano tomado durante batalhas. Quando ela está cheia, o personagem sofre uma transformação e entra em um estado de Trance, aumentando seu dano, velocidade e mudando suas skills. Vivi, por exemplo, pode usar duas magias pelo preço de uma.

A cada ação executada em Trance, a barra diminui. Quando ela se esvazia, o personagem sai do modo. Uma curiosidade é que os fãs mais velhos reconheceram Trance como uma das habilidades de Terra em Final Fantasy VI. Já em Final Fantasy IX todos da party têm acesso à transformação e ela é até mesmo referenciada na história do jogo.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

Com relação à trilha sonora, a música segue o já conhecido padrão de qualidade pelo qual o compositor Nobuo Uematsu ficou conhecido. Temos ótimos e memoráveis temas e alguns até mesmo inspirados em trilhas clássicas dos outros jogos, como o tema de batalha que retorna à sua melodia clássica e o tema de chocobo que continua tão divertido quanto antes. Uma ótima faixa da trilha sonora e que tem um forte impacto é “You’re Not Alone“, presente em um momento extremamente emocionante da história do jogo.

Mas como nem tudo é perfeito, também temos que falar dos pontos negativos e, infelizmente, Final Fantasy IX tem alguns problemas que fazem a experiência ficar bem chata. O principal deles envolve algo que você irá fazer – e muito – durante o jogo: batalhar.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

Desde seu lançamento inicial, Final Fantasy IX sempre foi criticado por ser um jogo terrivelmente lento, especialmente nas transições de batalha. Dezenove anos depois e nós ainda temos transições de sete segundos ou mais cada vez que entramos em combate, o que pode se tornar algo bastante irritante.

Mesmo usando o modo “Fast Foward”, que nada mas é do que um botão para acelerar deixando tudo duas vezes mais rápido, o problema não é resolvido, pois as transições não sofrem alterações. As próprias batalhas são muito mais lentas do que as de Final Fantasy VII e de Final Fantasy VIII, talvez como um preço a ser pago por termos quatro personagens ativos ao mesmo tempo. Além desse problema, a taxa de quadros do jogo cai quando andamos com o Chocobo pelo mundo.

Falando em Chocobos, o mini-game dessa vez está maior e é quase tão necessário o uso de um guia quanto em Final Fantasy VII. Outro mini-game que você vai encontrar pelo caminho é “Tetra Master”, um jogo de cartas obrigatório para poder avançar na história. Sinceramente, os dois são mini-games bem chatos, mas ainda assim, são alguns dos melhores que o jogo tem.

Screenshot de Final Fantasy IX para Switch
Imagem: Switch

Final Fantasy IX foi o título final da franquia para o primeiro PlayStation e, de certa forma, o fim de uma era para a série. Como uma carta de despedida aos fãs que acompanhavam Final Fantasy no console, o jogo é uma boa mensagem de agradecimento a todos que seguiram a série até então.


Final Fantasy IX é um dos melhores JRPGs da geração 32-bits e hoje, dezenove anos após seu lançamento, o jogo ainda se mantém firme e forte. No entanto, é importante lembrar que apesar de ser um relançamento com algumas opções extras, o título ainda é um jogo dos anos 2000. Elementos como a falta de um “pós-jogo”, problemas relacionados ao hardware do PlayStation que nunca foram consertados, mini-games chatos e muito, mas muito RNG envolvido – principalmente nas batalhas contra chefes – podem ser pontos negativos para aqueles que ainda não conhecem a série. Ainda assim, este é um dos melhores pontos de entrada da franquia, especialmente para quem quer sentir o gostinho de um clássico título Final Fantasy.

Análise produzida a partir de uma cópia digital cedida pela Square Enix

Versão utilizada para análise: Nintendo Switch

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Erick Figueiredo
Erick Figueiredo
Estudante de jornalismo, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte a série MGS, Blazblue, Persona, Megaman e outras.