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Veja entrevista com o jogador Nikki e saiba mais sobre Guilty Gear

Nikki recebndo prêmio do Fight in Rio

Nikki ficou conhecido por participar de vários campeonatos de Guilty Gear, um jogo de luta muito famoso no Japão, e agora é o mais novo membro da Densetsu Games, responsável pela área de fighting games do site. Aproveitamos que ele está muito bem inserido no mundo dos jogos de luta para trazer uma entrevista cheia de informações aos que desejam entrar para o mundo dos Fighting Games.

Seu amor por jogos de luta começou com o Megadrive: alugava fitas em uma locadora próxima de casa, mas não era nada sério, somente apertava alguns botões. O interesse pela competição viria anos depois com o PlayStation 2 e o jogo Guilty Gear, que descobriu através de amigos na cidade de São Carlos.

Possuindo um vasto conhecimento sobre Guilty Gear, Nikki sempre esteve preocupado em compartilhar com outros jogadores aquilo o que sabe: seja através de material próprio ou de traduções do inglês e do japonês. Além disso, sempre auxilia na organização dos campeonatos e participa das competições pelo Brasil, possuindo vários títulos, e se tornando muito conhecido pela comunidade de Guilty Gear no país.

Logo Guilty Gear Rev2
Logo Guilty Gear Rev2

Como surgiu o seu interesse por jogos de luta?

Desde a época do Street Fighter 2 eu sempre achei legal os jogos de luta, mas como um passatempo, nada muito sério. A vontade de competir mesmo surgiu quando fui para São Carlos e vi como o pessoal jogava Guilty Gear: eles estudavam o jogo a fundo, assistiam partidas profissionais do Japão e criavam sistema de ranking dos personagens. No começo eu achava legal, mas muito trabalhoso, então só apertava os botões. Mas como acabei fazendo parte do grupo, eu treinava muito com eles e participava dos poucos campeonatos de Guilty Gear.

Foi quando surgiu o Street Fighter 4, e as partidas online começaram a ter mais força chamando mais jogadores para o jogo, que os jogos de luta começaram a ficar mais interessantes e divertidos. E em jogos de luta, por ser um contra um, se você ganhar, o mérito é seu; se você perder, é culpa sua. E eu prefiro assim, sem depender de carregar ou de ser carregado por alguém.

Como passei a acompanhar os japoneses jogando, eu vi o quanto ainda tinha a aprender sobre jogos de luta. E mesmo ainda hoje, jogando e jogando cada vez mais, eu vejo que ainda há um nível muito mais acima, o que torna o jogo ainda mais legal, pois você vê que sempre dá para melhorar.

Hoje em dia você é considerado um dos melhores jogadores de Guilty Gear do Brasil. Como são os jogadores daqui?

Hoje não há ninguém no Brasil que esteja em um outro nível dos demais, mas há em São Paulo uns dois ou três jogadores que eu sei que se eu não treinar e jogar direito, eles vão me tirar do campeonato. São jogadores que a minha win-rate (chance de ganhar) oscilam entre 40-50%. Normalmente, em um campeonato você quer ter mais do que 50% contra todos os oponentes para saber que há uma chance de vencer o campeonato, e estar abaixo dos 50% é bem complicado. No Rio de Janeiro há também três ou quatro jogadores que estão mais ou menos no mesmo nível dos de São Paulo. Então, dos que eu conheço, existe um grupo de seis a oito jogadores – que acredito que eu também faça parte – que é o grupo de cima, ou seja, você espera que um deles vá chegar no top4 de um campeonato. Claro que, às vezes, um outro acaba tendo azar e perdendo antes.

Em questão de América Latina, na Argentina conheço três ou quatro jogadores que são muito bons, mas um deles se destaca mais. Se ele estivesse no Brasil, com certeza estaria no grupo de cima. No Chile, tem um jogador. Eu acabei não jogando contra ele porque quando ele foi para o TRETA (Evento de jogos de luta de Curitiba-PR), eu acabei não conseguindo ir. Mas ele já foi treinar no Japão e não ficaria surpreso se o nível dele fosse maior do que o nosso daqui. Por sinal, um jogador do Brasil, o Xuxu, vai para o Chile competir. Vamos ver como vai ser.

Quais campeonatos você tem participado?

Eu tento participar de todos os que posso porque não há muitos. Se as pessoas não forem, esses campeonatos acabam morrendo. Os principais, e que tento participar todos os anos, são: Heaven or Hell (São Paulo-SP), Fight in Rio (Rio de Janeiro-RJ) e TRETA (Curitiba-PR). Há também os de Fortaleza e Brasília, mas esses eu não consegui ir.

Recentemente você participou de um campeonato em Buenos Aires. Como foi a experiência?

A experiência em Buenos Aires foi meio maluca porque eu não sei falar espanhol e esqueci de pegar o endereço da casa da pessoa que iria ficar hospedado. Eu só sabia que eu iria chegar no aeroporto e um deles estaria me esperando lá. Sobre jogar lá, eu não tinha muita noção de como eram os jogadores. Conheci apenas alguns que haviam ido para São Paulo ano passado, mas um dia antes do campeonato eu consegui jogar contra a maioria e ter uma noção melhor. E pelo que pude observar, havia um jogador que seria mais complicado – e que provavelmente estaria na final –, os outros achei que conseguiria vencer. Havia uma incógnita, o Flash Metroid que é dos Estados Unidos, porque ele não apareceu na jogatina do dia anterior ao campeonato e é um jogador de longa data. Acredito que faz pelo menos 10 anos que ele joga.

Além disso, foi o primeiro campeonato grande que entrei participando com o Potemkin e não Zato-1, isso foi… difícil. Entrei com ele porque esse é o ano do Potemkin. Todo mundo fala que ele é ruim e eu digo que não, então eu tenho que arranjar um modo de provar. Mas mesmo assim, minha meta era top3.

Na winners (chave principal) eu fui surpreendido por um dos jogadores que já havia enfrentado no dia anterior. Ele só tinha jogado de Jam e Dizzy, mas no campeonato ele entrou de I-no! De Zato-1 eu acredito que teria conseguido vencer, mas de Potenkim eu tive que me adaptar na hora. Não deu certo e acabei perdendo. Mesmo na looser (chave de repescagem) achei que chegaria no top3, mas acabei enfrentando o Flash Metroid e ele levou por 2×0. Eu insisti que iria fazer uma leitura correta e ganhar o round, mas a leitura não veio e acabei perdendo e eliminado do campeonato.

No geral, o campeonato e a experiência foram muito legais. O local não era grande, mas foi muito bem organizado e eu pude ter uma ideia do cenário de Guilty Gear na Argentina. Abriu mais oportunidades de conhecer o pessoal e conseguir convencer eles a virem jogar aqui no Brasil, já que os jogadores da América do Sul ainda se encontram muito separados e só agora estamos começando a participar dos campeonatos e a englobar os países. Ano passado veio um pessoal da Argentina participar do Heaven or Hell e esse ano eles vão vir novamente. Além disso, os jogadores do Chile vieram para o TRETA de 2015. Estamos tentando criar essa comunicação.

Além do campeonato de Guilty Gear, teve de Street Fighter V com a participação de um brasileiro, o Brolinho. Mas quem acabou levando foi o Justin Wong. E teve também campeonato de Melty Blood com a participação de três brasileiros.

Nikki Buenos Aires Guilty Gear
Nikki em Buenos Aires Guilty Gear

Você tem o costume de jogar online?

Não gosto muito de jogar online, prefiro pegar um ônibus e ir para São Paulo jogar. Mesmo porque antes não havia essa opção, era somente presencial. Hoje em dia ninguém mais quer sair de casa, temos que implorar para as pessoas participarem dos campeonatos.

O modo que você joga online e offline são diferentes por conta do delay, então acaba parecendo um outro jogo e isso cria hábitos diferentes que eu não gosto muito. Às vezes eu até jogo, mas entre escolher jogar online agora ou esperar até o final de semana e jogar em São Paulo, sou muito mais ir para São Paulo.

Que outros jogos de luta japoneses você gosta? E o Street Fighter V?

Eu jogo a maioria dos jogos que as pessoas levam para brincar. Ano passado participei de um campeonato de BlazBlue e Dengeki Bunko. Além deles ainda há aqueles que eu tento apertar uns botões, mas pra falar a verdade não entendo nada, por exemplo Melty Blood. E tem os que parecem mais um Street Fighter do que um anime, que é o caso de Aquapazza. Ah, e tem o Arcana Heart também!

Esses são os que eu tento jogar para ver como são, mas não vai muito além disso. Um que eu achei legal, mas não vou comprar é o Dragon Ball FighterZ.

Street Fighter V teve o problema de não sair nos arcades no Japão, então os japoneses ficaram um pouco divididos: lá se um jogo não é lançado no arcade, eles ficam um pouco com o pé atrás. Mas basicamente, em SFV o que eu sei fazer é dar Shoryuken!

Tem também os Mortal Kombat, Injustice e Marvel vs Capcom que eu tentei jogar, mas são jogos que simplesmente não entram na minha cabeça. No entanto, The King of Fighters é um jogo que sempre que me chamarem eu jogo, mas admito que hoje em dia eu não sei jogar e fico só no feijão com arroz: Voadora > Soco > Super.

Por que jogos de luta se tornaram seu tipo de jogo favorito?

Primeiro por conta da parte competitiva. O fato de enfrentar alguém é muito mais divertido do que somente jogar um jogo. Por exemplo, eu gosto muito de RPG, mas quando eu termino um, ele fica ali na gavetinha de jogos porque não há mais o que fazer. Os jogos que eu consigo ficar jogando de novo e novo são os que eu acho mais legais! E como os jogos de luta tem esse ponto de sempre poder melhorar, acabou se tornando meu gênero favorito. E, claro, por ser sempre “um contra um” conta como um ponto positivo para mim, pois depende somente do meu esforço para ganhar. Não é como em um jogo de times em que eu posso estar mal em certo momento e mesmo assim ganhar, ou ter que carregar um time nas costas por conta de um dia ruim de um companheiro.

Mas às vezes o fato de jogar sozinho é um ponto negativo, pois acaba afastando um pouco as pessoas do jogo. Devemos ter em torno de 15 a 20 jogadores fortes entre SP e RJ, então quando surge um novo jogador, ele tem que ter uma força de vontade muito grande para não desanimar porque ele vai perder… e MUITO. Ele vai ter que jogar muitas partidas, perder, perguntar para os jogadores mais experientes, treinar sozinho, testar as coisas por si próprio e ver o que funciona. Isso exige um esforço muito grande da pessoa, e muitas vezes elas acabam desistindo.

Jogos de luta são mais cruéis do que outros  jogos competitivos?

Em termos de comunidade, recomendo você jogar jogos de luta. O pessoal é mais prestativo, sem dúvidas. A diferença é que em MOBAs, é esperado que você enfrente pessoas do seu nível, pois há um sistema de ranking e level. Você ganha às vezes porque, por mais que você esteja em um time com jogadores ruins, você pode enfrentar pessoas ainda piores. Mas nos jogos de luta… você não ganha. Não chega a ser 100 derrotas para cada 100 partidas, mas você jogar 50 e não ganhar nenhuma é bem triste.

Quando vamos ensinar alguém a jogar, o nosso conselho não é “Tente ganhar!” porque é quase impossível para um iniciante conseguir ganhar. Nós falamos: “Tente acertar um anti-aéreo!”, “Tente derrubar o oponente!” ou “Acerte uma voadora!”. Nesses casos, deveria aparecer uma conquista para cada vez que ele acertasse, pois assim ele saberia que está fazendo algo certo e evoluindo, porque contar vitórias vai ser um pouco frustrante.

Sol e Ky do jogo Guilty Gear
Sol e Ky

Existe alguma ferramenta de análise do jogo, como existem, por exemplo, nos MOBA’s e FPS’s?

Para console não existe alguma ferramenta estatística ou algo similar, mas nos arcades do Japão, como tudo é por cartão, as suas estatísticas do jogo são armazenadas. Por exemplo, “quantas partidas ganhou/perdeu”, “maior número consecutivos de vitória” e algumas mais avançadas, como “quantas partidas você perdeu com barra de especial cheia”, “quantos Overheads você tomou/defendeu”. Como não existem esses dados no console, exige que o jogador assista suas partidas para descobrir o que está fazendo de errado. Muitas vezes não é fácil de enxergar e assimilar, e às vezes você pensa que está jogando pior do que antes sem conseguir descobrir o motivo.

Como você vê o cenário brasileiro de Guilty Gear?

Em termos de número de jogadores, é bem pequeno. O Heaven or Hell, que é o evento que conseguimos juntar mais gente, se chegar a 40 é lucro. Mas é que é complicado, pois sabemos que há uma parcela online que não aparecem nos presenciais. Sem contar que acaba ficando muito longe para alguns jogadores, como os de Belém, que são em torno de quatro jogadores que seria interessante se viessem jogar. Temos jogadores no norte e nordeste também que se encontram nessa situação.

Em divulgação, ainda falta um pouco, pois muita gente não tem ideia de quem são os jogadores fortes e muitas vezes nem sabem quais campeonatos estão ocorrendo. Também não há um stream ou jogatina fixa, e acaba parecendo que são jogadores aleatórios que jogam de vez em quando.

Sobre o nível dos jogadores, é um pouco difícil de dizer. O parâmetro que temos é dos japoneses que vieram para cá nos anos anteriores. Eles falaram que os melhores aqui do Brasil conseguiriam enfrentar os americanos, mas que os americanos também têm os seus tops que os brasileiros não conseguiriam vencer. Então, os tops daqui seriam a segunda linha dos americanos.

Nos arcades japoneses, existe um sistema de ranking que compõem 30 níveis: ser 26+ significa que você é muito forte, e o 30 é reservado basicamente para os jogadores profissionais. Existe um abismo entre os níveis 25 e 26, pois o sistema de ranking até o 25 funciona de uma forma e acima disso é um outro sistema, tornando a barreira entre os níveis mais alta que o resto. De acordo com os japoneses, nós estaríamos entre 24-25 e, para passar disso, teríamos que treinar no Japão. É até possível transpassar essa barreira se pegássemos 3 ou 4 jogadores bem dedicados, mas de acordo com eles, o esforço necessário desses 4 jogadores seria muuuito maior do que ter um jogador que consiga chegar no nível 30 no Japão, pois lá ele estaria exposto a uma gama de possibilidades e experiências muito maiores e evoluiria mais rápido.

No começo aprendemos que temos que derrubar o oponente e bater em cima ou embaixo, transformando-se no jogo de “quem derrubar primeiro”. Mas no Japão, com exceção de alguns personagens, você derrubar primeiro não quer dizer que você vai ganhar, pois existem técnicas que impedem a maioria dos Mixups, então o jogo não ganha mais apenas derrubando, e sim no neutro “quem acertar o primeiro golpe, ganha a vantagem”. E os japoneses já passaram dessa etapa, pois no neutro há uma técnica de mixup que ganha dessa defesa, então derrubar voltou a ser o objetivo. Eles evoluíram disso também e agora tem muita leitura de movimentação do oponente juntamente com o neutro. O nível vai subindo e, para passar de um para o outro, é necessária muita experiência, pois se você aplicar um mixup contra um Fuzzy-Guard, esse Okizeme não irá funcionar em quem aplica essa defesa, mas se a pessoa for mais inexperiente e pensar “ele vai bater somente embaixo” e ficar agachado, ele irá defender sem saber.

Uma técnica de nível muito alto não funciona em uma pessoa de nível mais baixo, por isso você abaixa seu nível para poder ganhar. Isso foi algo que experimentamos contra os japoneses porque aqui nós estávamos no nível de “derrubar para ganhar”, mas ele levantava, saía da pressão e ganhava no neutro. O Ruu que veio em 2015, nos ensinou o Fuzzy-Guard. Quando o Kedako veio em 2016, eu pensei “caramba, aprendi o Fuzzy-Guard. Esse japonês não vai me bater fácil”, mas ele nos atropelou da mesma forma. Por quê? Ele nos explicou que na região de Osaka, Kansai, todo mundo sabe usar o Fuzzy Guard, se você não souber contra-atacar essa defesa, você não ganha. Contra quem não sabia a técnica, ele somente atropelava; contra quem conhecia a técnica, ele usava a técnica contra para ganhar. Ele já possuía esse conhecimento acima, apenas analisava o nível que a pessoa estava e usava um nível acima para ganhar. Essa capacidade de adaptação in-game dos japoneses é algo que só eles possuem até agora. É absurdo.

Você se inspira em algum jogador profissional? Por quê?

Não fico assistindo a muitas partidas, vejo mais com intuito de ver o campeonato e não de “quero jogar igual a esse cara”. É um pouco de orgulho próprio, mas acredito que se você ficar apenas copiando, você não aprende direito, então prefiro ficar batendo minha cabeça no modo de treino.

De jogador bom que eu acredito estar em outro nível é o Machaboo que ganhou a EVO2016. Ele até colaborou para um mangá extra oficial de Guilty de “como aprender a jogar Guilty”. O foco dele é leitura de jogo e maximizar todas as oportunidades, ele consegue prever muito bem as ações do oponente e as punições sempre são muito pesadas. Queria poder ter uma leitura dessas, mas eu não consigo imaginar como alguém consegue olhar para a tela e pensar “o cara vai pular na minha direção agora”. Por exemplo, tem uma partida que ele fica simplesmente parado no meio da tela e o oponente não consegue encostar nele. Fora o Machaboo, tem o Omito que ganhou a EVO2017 e atropelou tudo e todos.

O NageFAB também, que são pessoas que estudam muito o jogo. O Nage detalha em seu blog todo o seu pensamento durante a partida. Em uma das suas postagens, ele explicou sua estratégia durante um FT10, que envolvia todo um gerenciamento de energias fora do jogo, de quando jogar mais devagar e quando jogar com tudo o que sabe. Ele é um jogador que sabe improvisar muito bem, o que encaixa muito bem com o personagem que ele joga, Faust. Seu planejamento é absurdo.

FAB porque ele conhece muito o jogo, não somente seu personagem principal Potemkin, como todos os outros personagens, além do Potemkin de hoje ter sido moldado por ele. Ele passou dias e dias aperfeiçoando uma técnica em um stream até conseguir mostrar que era viável, gastando em torno de 300h+. É muita dedicação.

Isamu de Venom que é surreal de ver, porque ele mora em Kyushu que fica na ponta sul do país, e mesmo assim seu nível é top. Sua dedicação é incrível, tendo em vista que na região mal tem arcade e ele joga com um personagem muito complexo.

Ogawa porque ele já faz parte do jogo e é provavelmente o nome mais conhecido no meio do Guilty porque por muitos anos ele foi o cara a ser batido, aquele que entrava em campeonato 5×5 sozinho e ganhava. O modo que ele joga de Zato-1, querendo ou não, não tem como copiar simplesmente porque ninguém consegue entender o que ele está pensando e porque ele tomou certas decisões, mas essas decisões o levam a vitória, então a gente só aceita.

Mas se fosse para escolher um, eu escolheria o FAB porque eu partilho da ideia de extrair tudo o que o jogo tem a oferecer e também porque esse pra mim é o ano do Potemkin.

Imagem dos jogadores Machaboo, Omito, Isamu, FAB, Nage e Ogawa
Imagem dos jogadores Machaboo, Omito, Isamu, FAB, Nage e Ogawa

Quais campeonatos você já participou, e os títulos que você possui?

  • 2ºLugar Heaven or Hell 2007
  • 1ºLugar Heaven or Hell 2012
  • 2ºLugar Heaven or Hell 2013
  • 2ºLugar Heaven or Hell 2014
  • 5ºLugar Heaven or Hell 2015
  • 3ºLugar Heaven or Hell 2016
  • 1ºLugar Fight in Rio 2015
  • 3ºLugar Fight in Rio 2016
  • 1ºLugar TRETA 2016
  • 5ºLugar BuenosAires 2016

De onde surgiu a motivação de escrever tutoriais sobre o jogo na internet?

No começo era mais para mim porque preciso escrever para guardar as coisas, mas acabei percebendo que teria mais gente que poderia usar esse material, então acabava divulgando. Depois que a comunidade cresceu, começou a ter o intuito de chamar mais gente para jogar, e como boa parte da informação era em inglês ou em japonês e o pessoal queria em português, comecei a traduzir. Além disso, muitas vezes as pessoas vinham perguntar algo sobre o jogo e eu transformava a resposta em algo que pudesse ser usado por todos.

Como é o seu treino?

Começo treinando execução porque ninguém quer errar um combo quando mais precisa. Daí eu gosto de treinar Fuzzy-Guard, porque como minha defesa foi elogiada pelos japoneses e falaram que era algo que eu poderia investir, eu acredito nisso. Dá um pouco de trabalho de gravar a movimentação no modo de treino, mas vale a pena.

Treino também setups básicos de outros personagens e, às vezes, alguns mais específicos, no geral porque eu perdi para aquele setup e me irritei. Eu gravo o setup e vejo como eu posso responder da melhor forma possível porque é bem importante não deixar que seu reflexo te traia. Por exemplo, no começo você acostuma a definir um golpe para cada função, mas conforme vai subindo o nível, você vê que não é bem assim, então você começa a treinar situações. Um exemplo é o 6P (Frente+Soco) que é um antiaéreo, mas você vai ver que nem sempre que o oponente usar uma voadora, o 6P vai ganhar. Aí você treina para descobrir quais são essas situações e qual punição utilizar nelas para ganhar a partida. Claro que às vezes a partida vira um caos e ninguém entende nada e só apertamos botões, mas faz parte do jogo e você treina para não depender dessas situações.

É basicamente isso: ficar imaginando situações e tentar achar a resposta para cada uma delas. É bem trabalhoso, mas eu acredito que dessa forma eu aprenda melhor do que jogar 50 partidas contra determinado personagem para descobrir o que fazer contra ele. Afinal, aquela situação específica que você precisa treinar não irá acontecer em todas as partidas, você é exposto a muitas situações diferentes ao mesmo tempo e é impossível você assimilar todas elas, você assimila apenas uma por vez.

Resumo, então: Treino de execução > Treino de defesa > Treino de situações.

Fluxo de treino de Guilty Gear
Treino de Execução > Defesa > Situações [Guilty Gear]

Alguma dica para quem está iniciando agora e gostaria de evoluir no Guilty Gear?

Irei postular o Machaboo, aprender o jogo primeiro! Tem gente que prefere pegar o jogo e sair jogando, e outros que preferem ficar tentando aprender tudo antes de ir para as partidas. Penso da seguinte forma: Guilty tem um tutorial excelente, ensina o básico do jogo e de jogos de luta, mas é muita informação de uma só vez. Então, minha dica é: faça o tutorial uma vez e vá jogar. Quando você estiver jogando, irá encontrar situações que não vai entender, por exemplo: “o cara brilhou azul e meu golpe parou”. Aí você lembra de algo similar no tutorial, volta ao tutorial e entende que aquilo era um Blitz e que ele funciona de tal forma. E repete esse ciclo.

Não precisa ser especificamente o tutorial, pode ser alguém que tenha mais experiência, até mesmo a pessoa que te atropelou.

Mas a ideia basicamente é essa: Tutorial > Jogar > Encontrar dificuldade > Tutorial > Repetir

Eu acho esse ciclo muito importante porque assim você consegue ver o que o jogo tem a oferecer e aproveitar melhor, em vez de ficar batendo a cabeça na parede. O jogo possui e te expõe a muita informação de uma vez.

A escolha de personagem também é muito importante. No geral eu digo para escolher aquele que você achar mais legal, assim você terá mais vontade de jogar e aprender, mas se você estiver realmente disposto a aprender o jogo, nós recomendamos usar os personagens padrões (Ky Kiske / Sol Badguy) porque eles possuem todas as mecânicas básicas do jogo e vão te ensinar a jogar. Diferente de personagens com mecânicas estranhas, como é o caso de Potemkin que não possui Dash e nem Air-Dash, limitando você de aprender dois movimentos.

Segundo o Machaboo, o Ky é o personagem ideal para aprender pois, segundo ele, sozinho ele não ganha. Ele possui todas as ferramentas básicas, mas é necessário aprender a utiliza-las corretamente. Além de ser um personagem que, independente de qual jogo de luta a pessoa veio, é muito rápido compreender o que ele faz. Entendendo as mecânicas básicas, você aprende o jogo.

Ficou com alguma dúvida sobre Guilty Gear ou quer saber mais sobre o jogo? Você pode entrar em contato direto com Nikki pelo seu ask.fm: Nikki Responde. Ou envie sua pergunta nos comentários!

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Shin
Shin
Formado na área da computação, é o responsável pela infraestrutura do site. Quando não está envolvido com computadores ou videogames, está praticando atividades físicas ou brincando com seus animais de estimação. Shin adora jogar videogame, correr, tomar café e/ou chá e comer doces. Suas franquias favoritas são The Legend of Zelda, Final Fantasy, Devil May Cry, Guilty Gear e Guitar Hero.
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