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Dragon Ball Z: Kakarot | A velha história em um novo formato

Review de Dragon Ball Z: Kakarot

A CyberConnect2, conhecida pelas séries .hack e Ultimate Ninja Storm, foi a mais recente desenvolvedora a trabalhar na famosíssima franquia Dragon Ball, cujo os jogos são distribuídos por anos pela Bandai Namco. O trabalho do estúdio resultou em Dragon Ball Z: Kakarot, um RPG de ação que busca trazer de volta toda a história de DBZ de um jeito inovador.

É seguro dizer que o anime é um dos mais populares de todos os tempos, até mesmo por consumidores mais casuais. A história de Goku e seus amigos foi adaptada em inúmeros jogos ao longo das décadas, nos mais variados gêneros, principalmente de luta. Assim, pode ser difícil recontá-la de uma forma refrescante.

Será que o novo jogo obteve sucesso em re-introduzir Dragon Ball Z para fãs e, possivelmente, uma nova audiência? É o que veremos nesta análise!

Logotipo de Dragon Ball Z: Kakarot

Como um vulcão que entra em erupção

Kakarot possui, obrigatoriamente, muitas cenas que já vimos em jogos anteriores, desde a chegada dos alienígenas Saiyajin à Terra, até a aventura no planeta Namekusei, culminando na ameaça do terrível Majin Boo.

Enquanto alguns desses momentos são traduzidos da animação 2D para o 3D de forma muito próxima, a CyberConnect2 deu um jeito de intensificar ainda mais a ação, semelhante ao que ela já tinha feito com Naruto. Essas adições contribuem muito para uma experiência que consegue ser simultaneamente familiar e inédita.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

A força e o poder

Kakarot mistura elementos de jogabilidade já vistos em títulos anteriores. O estilo do sistema de combate não é muito diferente daqueles vistos em jogos de luta tridimensionais, como Dragon Ball Xenoverse e tantos outros na era do PlayStation 2 e PS3. Isso permite que jogadores já acostumados com jogos da franquia facilmente mergulhem de cabeça nas batalhas, apesar de algumas diferenças na questão de botões.

No entanto, desta vez algumas novidades exigem sua atenção. Sendo um RPG, o jogo não poderia deixar de lado sistemas de progressão de nível de personagem e árvores de habilidades. Para evitar ser pego de surpresa por um adversário formidável, é recomendado que o jogador fique de olho nesses novos aspectos, melhorando seu lutador e habilidades conforme avança pela história.

Inimigos que em outros jogos não pareciam tão desafiadores, desta vez retornam mais agressivos, sem hesitação em utilizar suas técnicas mais poderosas contra o jogador. Assim, o uso e abuso da habilidade de desviar/teleportar e defender torna-se uma necessidade, especialmente caso o jogador esteja almejando uma nota “S” na batalha.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

Estrelas brilham entre as nuvens sem fim

Uma das principais novidades de Kakarot é um mundo semi-aberto, repleto de missões paralelas e outras atividades extras, como caça, corrida de carros, coleta de frutas e minerais e, como não poderia deixar de existir em um jogo japonês, pesca.

Por sinal, pescar os gigantescos peixes pré-históricos é muito fácil, o que talvez possa servir de alívio para quem não é tão fã desse tipo de minigame.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

Além disso tudo, é possível fazer sua própria aventura pelo mundo, enfrentando os vários inimigos espalhados por todas as áreas, destruindo suas bases de operações e até buscando as Esferas do Dragão para realizar um desejo. É através dessas bolas místicas que também torna-se possível ressuscitar antigos chefes, criando uma nova oportunidade de enfrentá-los.

Apesar de não poder viajar para todos os cenários do anime de uma só vez, sendo obrigado a navegar por um menu de mapa contendo várias áreas, o jogador irá se deparar com lugares imensos, ricos em detalhes e bem ambientados por NPCs desenhados no estilo tradicional de Akira Toriyama.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

Os habitantes variam entre pessoas servindo somente para dar vida ao local, vendedores de itens e até personagens não apenas de Dragon Ball Z, mas também do Dragon Ball original e algumas figuras surpreendentes de obras mais recentes. É difícil não se pegar explorando cada mínimo detalhe desse mundo fantástico que mistura florestas e desertos com dinossauros e cidades futurísticas com veículos flutuantes.

Infelizmente, esse estilo de mundo semi-aberto significa que o jogador precisará lidar com várias telas de loading que às vezes levam um bom tempo para terminar de carregar a área. Por outro lado, isso pode servir de incentivo para realmente explorar cada canto do local antes de mover para outro.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

Amor pra dar

As missões paralelas dadas por personagens da série animada não são tão surpreendentes, a maioria envolvendo apenas batalhas e entregas. Dito isso, se você é um jogador já acostumado com outros RPGs, dificilmente esse tipos de aventuras serão um incômodo. Em adição, o personagem responsável pela tarefa passa a fazer parte da “Comunidade”, um curioso sistema de “amizades”.

Funcionando de forma semelhante aos “Social Links” da série Persona, a mecânica de relacionamentos inclui personagens da franquia na forma de “emblemas de alma”, distribuídos em diferentes tabuleiros que oferecem uma variedade de benefícios ao jogador. As figuras sobem de nível ao receberem presentes e sua força é aumentada quando conectadas a personagens particularmente relevantes de alguma forma.

Por exemplo, Piccolo e Gohan têm uma relação de professor e estudante, então conectá-los é uma escolha sábia. Semelhantemente, o jovem Saiyajin também ganha bônus adicional se estiver ao lado de seu pai, Goku. O herói, por sua vez, também aproveita do relacionamento com seu amigo de infância, Kuririn.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

Não pense em nada, só escuta

Finalmente, a trilha sonora não poderia deixar de ser extremamente nostálgica para fãs da franquia, incluindo arranjos da clássica canção tema de abertura “Cha-La Head Cha-La” e outras músicas icônicas.

Conforme o jogador se move a toda a velocidade, seja a pé, voando ou a bordo de algum tipo de veículo, uma música de fundo que cruza bem o sentimento de Dragon Ball e de um tradicional JRPG lhe acompanha, tornando a exploração ainda mais satisfatória.

Screenshot de Dragon Ball Z: Kakarot

No geral, pode-se dizer que Dragon Ball Z: Kakarot é, sem dúvidas, um dos melhores jogos já feitos da franquia, sendo o resultado de décadas de títulos produzidos pelas mais diversas desenvolvedoras. Fãs, é claro, encontrarão a clássica história de Kakaroto preservada de maneira intacta e também novidades que certamente serão de bom grado para aqueles que conhecem bem o universo de alienígenas, deuses e magia criado por Toriyama.


Dragon Ball Z: Kakarot é uma ótima pedida para fãs da franquia e também uma ótima porta de entrada para quem conheceu a obra-prima de Akira Toriyama recentemente. Sua jogabilidade simples é convidativa, evitando confundir com elementos complexos, mas também consciente da existência de jogadores já bem familiarizados com jogos de DBZ.

Finalmente, é interessante ver como a CyberConnect2 demonstra sua experiência em recontar histórias famosas, certamente muito graças à série Naruto Ultimate Ninja Storm. Ficamos curiosos para ver se a empresa trará mais conteúdo do tipo no futuro.

Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Análise produzida a partir de uma cópia digital cedida pela Bandai Namco

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Minato
Aspirante a escritor e jornalista. Minato é um amante de jogos, cinema, seriados, histórias em quadrinhos, música e tudo relacionado ao Japão. É uma fábrica de ideias que está sempre produzindo cada vez mais, apesar de não colocar nem metade em prática. Seus jogos favoritos são Persona 3, Okami, Steambot Chronicles, Shin Megami Tensei: Nocturne, Portal 2 e a série Kingdom Hearts.