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Bloodstained: Curse of the Moon, a carta de amor ao passado de Koji Igarashi

Review de Bloodstained: Curse of the Moon

O financiamento coletivo é uma ferramenta que vem sido amplamente utilizada nos últimos anos. Sites como Kickstarter ou Catarse, aqui no Brasil, permitem que qualquer time possa lançar um projeto e apresentá-lo ao grande público para que os interessados na ideia possam ajudar a custear e transformar a ideia em uma realidade.

Em 2014, Koji Igarashi, vulgo “Iga”, conhecido como pai de títulos famosos como Castlevania: Symphony of the Night e vários jogos subsequentes da saga que ajudaram a cunhar o termo “Metroidvania”, após pedir demissão da Konami (empresa responsável pelo título Castlevania), viu no Kickstarter a oportunidade de trazer sua amada franquia de volta do sono eterno sob um novo nome, surgindo assim Bloodstained: Ritual of the Night. O título promete ser um sucessor espiritual ao estilo tão aclamado, alcançando o necessário em apenas cinco horas depois de ser anunciado, batendo diversas metas estendidas, dentre elas um jogo anterior à história de Ritual of the Night, que seria homenagem aos Castlevanias clássicos em 8 bits. E em 2018, fomos apresentados a este segundo projeto produzido por Iga junto da Inti Creates, intitulado Bloodstained: Curse of the Moon.

Tela inicial de Bloodstained: Curse of the Moon

O jogo conta a história de Zangetsu, um espadachim solitário que foi vítima da maldição da lua por demônios, jurando vingança contra todos os demônios que povoam a Terra. E, após sentir a presença de um grande demônio, sai em uma jornada para aniquilar este e quaisquer outros que atravessem seu caminho. Um conceito simples, mas que funciona e segue bastante coerente a um jogo da época do NES. O texto introdutório que explica o conceito da aventura se assemelha muito à introdução de Castlevania III: Dracula’s Curse, o favorito de Igarashi – e as referências não vão parar tão cedo! Dados os menos de 5 minutos de introdução, Bloodstained coloca o jogador na pele de Zangetsu, espada em punho, em frente a uma cerca muito familiar, começando a jornada.

Zangetsu tem um controle levemente rígido, característico da saga em que o jogo se inspira: a habilidade de pular não permite mudar de direção ou trajetória no ar e o golpe de espada tem uma leve latência, sendo impossível de apertar repetidamente sem o “timing” certo, forçando o jogador a calcular bem cada uma das suas ações. Além disso, Zangetsu é arremessado alguns passos para trás quando é atingido, o que pode resultar em cair num poço sem fundo. Precisão, paciência e pensamento rápido são as palavras-chave de Bloodstained.

Além de sua espada, Zangetsu também pode usar armas secundárias com o apertar de um botão, custando um pouco de munição, que podem ajudar com inimigos mais difíceis de alcançar, como uma corrente que é lançada diagonalmente, atacando quem estiver em cima ou um encantamento que queima o chão à sua frente por alguns segundos podendo atingir um mesmo inimigo várias vezes. O jogo espalha as armas secundárias em velas roxas espalhadas pelas fases, e itens como sacos de dinheiro que dão mais pontos, corações que restauram um pouco de sua barra de energia e munição para armas secundárias em velas amareladas. A distinção destas velas evita que os jogadores acabem trocando uma de suas armas secundárias sem querer, facilitando a manter uma arma específica de sua preferência.

Zangetsu de Bloodstained: Curse of the Moon lutando contra chefe
Zangetsu em ação!

O jogo contém oito fases diferentes lotadas de demônios, criaturas da noite e inúmeras referencias a monstros conhecidos, percorrendo lugares como ruínas, abatedouros sangrentos e cavernas escuras e gélidas, até enfim a torre onde se esconde o demônio poderoso. Cada uma das fases possui diferentes caminhos com maneiras variadas de se alcançar, sempre com esqueletos de aventureiros caídos apontando qual caminho é o mais curto, e cada fase esconde um “upgrade”, seja uma barra de vida maior, melhor defesa ou mais munição para as armas secundárias. O desafio é conseguir chegar até eles. Ao final de cada fase, um chefe que com certeza testará suas habilidades lhe aguarda.

Boss de Bloodstained: Curse of the Moon

Ao eliminar alguns dos chefes gigantescos, Zangetsu liberará algumas pessoas presas dentro destes: Miriam, uma jovem amaldiçoada com a “maldição dos cristais”, Alfred, um alquimista com conhecimento de feitiços poderosos, e Gebel, um homem sofrendo da maldição dos cristais em um estado mais avançado. Ao encontrar cada um destes personagens, existem três opções: recrutá-los para se juntar à jornada (o que o jogo meio que “sugere”), continuar andando e ignorá-los completamente, ou acabar com suas vidas ali mesmo. Você contará com novos companheiros, continuará por si só sem hesitar e perder tempo, ou desconfiará dos amaldiçoados e lhes dará um fim rápido? Cada escolha vai importar no fim.

Caso escolha recrutar os novos membros, cada um terá uma barra de vida separada, habilidades e armas secundárias próprias e você terá a opção de trocar para eles a qualquer momento nas fases com o simples apertar de um botão, e se um deles cair em batalha, os outros podem tomar seu lugar, sendo que uma vida só será gasta quando todos os personagens caírem.

Miriam se tornando uma aliada em Bloodstained: Curse of the Moon

Miriam brande um chicote (soa familiar?) que possui um grande alcance mas é um pouco mais lento, pulos mais altos e a habilidade de deslizar por espaços estreitos, sendo a mais versátil para seções de plataforma e bastante útil para encontrar segredos pelas fases. Sua barra de vida é um pouco menor do que a de Zangetsu, fazendo dela um pouco menos resistente. Alfred, o alquimista, não é muito proficiente em batalha corpo-a-corpo, seu cajado é brandido lentamente e a curto alcance, e sua barra de vida é a menor de todos os personagens, porém suas armas secundárias são feitiços que podem ajudar imensamente o grupo, como um escudo de chamas ou uma flecha gigante que congela qualquer inimigo (inclusive chefes!). Por fim, Gebel é tão resistente quanto Miriam, mas pode lançar morcegos de sua capa e se transformar em um graças à maldição, sendo muito útil para sobrevoar locais perigosos ou encontrar segredos sobre precipícios e alcançar inimigos aéreos. Gebel, porém, não pode usar armas secundárias: Toda vela roxa se transforma em munição para as armas secundárias.

Screenshot de Bloodstained: Curse of the Moon

Caso você escolha ser impiedoso e acabar com a vida destes personagens, cada um deles libera uma essência demoníaca que Zangetsu pode usar a seu favor, aprimorando suas habilidades, dando-lhe um ataque aéreo muito mais poderoso, um pulo duplo e a habilidade de correr mais rápido. Com essas habilidades, Zangetsu passa a ser um personagem extremamente hábil e fácil de controlar, podendo despachar inimigos e chefes com facilidade e alcançando lugares que normalmente não conseguiria, mas a habilidade de continuar por certos caminhos ou conseguir certos “upgrades” é limitada.

Screenshots de Bloodstained: Curse of the Moon

Por fim, se você escolher o caminho solitário e resolver poupar a vida dos pobres amaldiçoados, você só terá Zangetsu em seu estado inicial, sem melhorias ou poderes especiais, levando a uma experiência bem desafiadora!

Caso você se arrependa de uma escolha, se mudar de opinião sobre os companheiros, perder um upgrade em alguma fase anterior, ou se quiser revisitar uma fase para encontrar novas passagens secretas, o jogo dispõe da opção “Curse of the Moon” no menu de pausa, que pode ser acessada a qualquer momento para levar o jogador a qualquer uma das fases que já tenha visitado antes, mostrando um breve e simples mapa da fase escolhida e quais upgrades o jogador coletou ao passar por ali.

Screenshot de Bloodstained: Curse of the Moon

O que acontece ao fim? Tudo dependerá da sua escolha! O jogo possui vários finais diferentes, todos dependendo de quem Zangetsu recruta, poupa ou mata. Se você terminar o jogo com todos os personagens, liberará o modo Nightmare, que é uma nova aventura onde Zangetsu não é jogável, mas Miriam, Alfred e Gebel desde o início, oferecendo novos caminhos e uma dificuldade levemente maior. Se terminar o jogo com um Zangetsu impiedoso, matando todos os possíveis companheiros, será liberado o modo Ultimate, onde desde o começo Zangetsu será implacável! E se terminar o jogo sem recrutar ou matar ninguém, um final secreto te espera… Aceita o desafio?

Bloodstained: Curse of the Moon é uma carta de amor para o passado, entendendo perfeitamente o que funciona e o que não funciona, desde os visuais retrô coloridos, sombrios, cheios de detalhes e referências, a trilha sonora composta pela veterana Michiru Yamane (responsável pelas trilhas sonoras das sagas Castlevania Suikoden), a jogabilidade paciente e planejada: Tudo isso culminando em uma aventura de múltiplas jogatinas recheadas de nostalgia, desafio e diversão. Cada caminho diferente levará de uma a duas horas para completar, sendo desbloqueados os modos secundários mencionados acima e um modo “Boss Rush”, onde o jogador tem de enfrentar todos os chefes em sequência. Além disso, se o desafio estiver muito pesado, o jogo conta com um modo Casual onde os inimigos causam menos dano, vidas são infinitas e ser atingido não arremessa o personagem para trás, sem penalidade nenhuma por escolher o modo.

Trazendo opções para todos os tipos de jogadores e sendo um ótimo ponto de entrada para os interessados na saga que inspirou Bloodstained, além de um excelente primeiro passo para o time de Igarashi, Bloodstained: Curse of the Moon está disponível para Switch, PS4, Xbox One, 3DS e Steam. Afie suas habilidades e desafie a maldição da lua.

Screenshot de Bloodstained: Curse of the Moon

Confira o trailer oficial:

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Mango
Mango
Cientista Ambiental, Ilustrador, Tradutor e Editor que vive de cabeça nas nuvens. Anda de bicicleta ouvindo a OST de Danganronpa, é pai de 4 gatos, ri de coisas sem sentido, é vegetariano e tem uma paixão por maracujá. Ama jogos de plataforma, histórias bem contadas e tem mania de jogar coisas esquisitas, e seus jogos favoritos incluem as sagas The Legend of Zelda e Metal Gear, Super Metroid, Persona 5 e Shadow of the Colossus.
http://www.instagram.com/italothemagno