Tales of Arise: Beyond the Dawn l Retornando a um mundo familiar

Veja o mundo depois das revoluções.


Dois anos após seu lançamento original, Tales of Arise recebe uma expansão para sua história. Beyond the Dawn oferece uma nova narrativa aos jogadores que curtiram o JRPG de 2019. A novidade trouxe uma nova personagem, alguns novos locais, mas manteve tudo idêntico ao que o título já apresentava, o que pode desapontar quem esperava melhorias em certos pontos.

Atenção para spoilers!

Novo mundo, velhos problemas

A narrativa de Beyond the Dawn ocorre um ano após os eventos do jogo principal. A nova aventura não precisa de um arquivo com o jogo base completo para se iniciar, podendo ser acessada a qualquer momento através do menu inicial. Contudo, por se tratar de algo que ocorre depois do final base, é recomendado ter terminado Arise.

Um ano após a união dos mundos de Rena e Dhana, o povo de ambos estão lentamente se acostumando com a nova realidade. Muitos cidadãos de Dhana ainda odeiam os moradores de Rena por seus vários anos de escravidão e os cidadãos de Rena ainda não aceitam ter que conviver em harmonia com seus antigos escravos.

Alphen e Shionne viajam juntos pelo novo mundo, selando os chamados Mausoléus, misteriosas “tumbas” que possuem monstros e tecnologia que nas mãos erradas podem gerar problemas. Em uma de suas travessias, a dupla se depara com a jovem Nazamil, filha de um ex-lorde Reano com uma escrava de Dhana. A garota é odiada por todas as raças e inicialmente é fria e distante.

A dupla, que estava a caminho de se encontrar com seus antigos aliados, decide ajudá-la a encontrar um lugar para viver em paz. O grupo acaba se tornando os primeiros amigos de Nazamil, que acaba por afetar a garota quando suas ações acabam fazendo com que os cidadãos de Dhana odeiem Alphen após ele brandir sua espada para protegê-la.

Dessa forma, a história é uma continuação dos temas introduzidos no Arise original, especialmente os efeitos da escravidão sobre um povo. Neste “pós-game”, há regiões que aceitam a mudança tranquilamente, enquanto na maior parte dos locais visitados, o ódio e ressentimento ainda existem e a exploração desses temas são uma constante narrativa.

Nazamil é o foco principal, obviamente. A jovem passou a vida inteira sendo odiada por todos, incluindo seu próprio pai e por isso não tem habilidades sociais. Acreditando que nunca será aceita por ser diferente de ambas as raças, é uma personagem com pouca autoestima e uma boa reflexão de como a saúde mental de um indivíduo pode afetar sua visão de mundo.

Outro ponto que a narrativa toca é na posição de Alphen em relação ao futuro. Chamado de herói pelos cidadãos de Dahna e odiado pelos de Rena, Alphen se sente preso ao título, especialmente quando todos contam com sua ajuda.

Assim como no jogo original, a história de Beyond the Dawn me lembrou bastante alguns contos anteriores da franquia Tales. Ver os resultados das ações dos protagonistas e como o mundo se adequa a uma nova realidade é bem similar a narrativa de títulos como Tales of Phantasia: Nakiriri Dungeon e Tales of Symphonia: Dawn of the New World

O título se assemelha principalmente a Dawn of the New World, em minha opinião. Ambas as narrativas compartilham alguns elementos, como a junção de dois mundos e povos que devem aprender a coexistir, mas a principal diferença é que dessa vez estamos vendo tudo através dos olhos dos protagonistas anteriores.

Tal visão distinta é apreciável e destaca a expansão, pois finalmente podemos acompanhar de perto como os personagens veem a maneira que suas ações afetaram o mundo e como reagem a elas.

As interações do grupo via “skirts” é onde a DLC brilha. Estando separada por um ano, ver a equipe se reunindo e comentando sobre o quanto mudaram ou como sentem falta dos velhos tempos é bem emocionante. É como um grupo de amigos de verdade que não se veem há tanto tempo e isso para mim é um dos melhores momentos do jogo, que mostra que a Bandai Namco conseguiu criar um elenco de personagens cativantes e realistas.

A Arte da Lua continua igual

O combate de Beyond the Dawn é a parte mais fraca do DLC para quem espera por algo novo. Basicamente não houveram mudanças no sistema, que é o mesmo do lançamento de 2019. A única diferença em relação ao jogo base é que o combate é aberto desde o início da aventura. O sistema de batalha de Tales of Arise não é ruim, mas quem esperava algo adicional com a expansão ficará decepcionado.

Ao menos temos novas armas e equipamentos, além de alguns inimigos adicionais. Por não depender de um arquivo de jogo finalizado, infelizmente o jogador não pode trazer seu equipamento do jogo principal. Ter finalizado o game oferece apenas um bônus de dinheiro e acessórios, portanto o jogador começa a expansão em um certo nível com certas habilidades desbloqueadas.

Continuando o que deu certo

Beyond the Dawn continua com belos visuais e apresentação de Tales of Arise. Os gráficos, produto do avançado motor Unreal Engine 4, continuam com a sensação de uma produção de alto nível. As cenas animadas e as skirts, em formato de HQ em 3D continuam presentes e ainda melhores, com novos efeitos visuais e mais movimentação dos modelos.

Apesar de introduzir alguns cenários novos, a maior parte dos locais originais e modelos 3D são reutilizados na DLC. Muitos mapas, contudo, foram removidos ou tiveram seus tamanhos reduzidos. Até mesmo alguns dos “novos” chefes do DLC, são inimigos do jogo base.

Felizmente, a reutilização não acontece quando o assunto é música. O compositor Sakuraba Motoi retorna com uma nova trilha sonora que continua fantástica. O novo tema de batalha, Flame of the New Dawn, se tornou um dos meus favoritos de toda a série e superou bastante o tema do título original. É uma melodia que te anima durante os duelos e incentiva a se superar durante os embates.

Assim como o jogo principal, Beyond the Dawn também está disponível em português do Brasil! A tradução, porém, tem alguns pequenos erros que notei em algumas frases, mas de uma forma geral é bem sólida.

Conclusão

Tales of Arise – Beyond the Dawn é uma boa expansão, com uma narrativa muito interessante e que aborda temas delicados de uma boa maneira. Continuar com a base foi uma boa ideia da Bandai Namco, oferecendo aos jogadores uma excelente apresentação, bons visuais e trilha sonora fantástica.

Contudo, a reutilização de muitos modelos e inimigos do jogo principal, além da falta de novidades no sistema de batalha são algumas pequenas negativas da experiência geral. Pelo preço pedido pela Bandai Namco e o fato de que este conteúdo adicional está chegando dois anos depois do lançamento – quando ninguém esperava, diga-se de passagem – era possível um pouco mais de esforço pela desenvolvedora.

Se você curtiu Tales of Arise, você vai gostar de jogar Beyond the Dawn. A expansão traz uma narrativa envolvente e interações divertidas e carismáticas entre seu elenco de personagens. Apesar de não trazer inovações em certas partes e ter um preço um pouco salgado, a expansão vale bastante para quem é fã de Tales ou RPGs de ação.

Esta análise foi feita com base na versão para PS5 cedida pela Bandai Namco.

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Jornalista, Assessor de Imprensa, fã de café e dono do canal Carinha que Joga. É um fã incondicional de Sonic, tendo Sonic Adventure 2 como seu jogo favorito de toda a franquia. Gosta de quase todos os estilos de games, sendo principalmente um grande fã de JRPGs. Breath of Fire IV e Final Fantasy VIII são 2 de seus RPGs favoritos. Também curte várias outras séries como MGS, BlazBlue e Tales