Entenda o drama por trás de Cooking Mama Cookstar


O novo jogo da popular franquia de jogos de cozinha Cooking Mama para Nintendo Switch e PlayStation 4, intitulado Cookstar, se tornou assunto de controvérsias estranhas desde seu anúncio. Agora, parece que finalmente temos uma explicação para toda a situação bizarra, mas vamos voltar um pouco no tempo para relembrar exatamente o que aconteceu.

Até o momento desta escrita, a situação ainda está se desenvolvendo mas, por ora, tudo que já ocorreu serve como um conto preventivo para empresas sobre como não lidar com propriedades intelectuais licenciadas. Isto é, a menos que queiram arriscar desrespeitar fãs e parceiros de negócios.

Anúncio e lançamento de aparência estranha

Logotipo de Cooking Mama Cookstar

Em agosto de 2019, a distribuidora estadunidense Planet Entertainment anunciou Cooking Mama Cookstar, um novo jogo de cozinha para PS4 e Switch. O título imediatamente chamou a atenção de fãs da franquia, não apenas por ser um game inédito, mas também por aparentemente não ser produzido pela desenvolvedora original da série, a japonesa Office Create, que também é dona da propriedade intelectual.

A parte mais estranha, no entanto, ainda estava por vir. Quando o jogo foi finalmente lançado através da eShop do Switch em 31 de março de 2020, alguns usuários curiosos acabaram encontrando o que parecia ser um tipo de esquema de mineração de criptomoedas. Sobrancelhas se levantaram, mas alguns recordaram detalhes bizarros que podiam ser encontrados no próprio anúncio em 2019.

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Através de uma nota destinada à imprensa, a Planet Entertainment, até então se chamando de Planet Digital Partners, orgulhosamente listou sistemas de chaves criptográficas e DRM tradicional como as principais características do jogo.

Infelizmente, parece que a distribuidora tratou de enterrar esse anúncio em seu site oficial, mas ainda é possível encontrá-lo através dos arquivos da plataforma Wayback Machine.

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Apesar de não existir confirmação, usuários que instalaram o jogo antes de sua remoção imediata de lojas digitais e físicas alegam que o software estaria causando problemas de rede e superaquecimento em seus consoles.

Eventualmente, a própria desenvolvedora 1st Playable resolveu aparecer para esclarecer que essa informação era falsa e até usuários explorando os dados do jogo corroboraram o mal entendido. Ainda assim, o título permaneceu removido das lojas, algo que nenhuma das empresas responsáveis tratou de esclarecer a razão.

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Em 9 de abril, poucos dias após o fiasco, fãs da franquia receberam a notícia de que a edição física do novo jogo estava mais uma vez à venda. No entanto, para adquirir o título, era necessário comprá-lo diretamente através de seu site oficial.

O motivo para isso parecia ter a ver com a inconveniente pandemia de Covid-19 exigindo que apenas negócios essenciais permanecessem abertos em vários países. Talvez seria questão de tempo para que o jogo também retornasse à eShop, certo? Bem…

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Vigilância sanitária

Enquanto a Planet Entertainment se preparava para colocar o jogo à venda novamente, uma fonte anônima ligada ao desenvolvimento de Cookstar entrou em contato com veículos de notícia, trazendo um furo de reportagem quentíssimo, saindo do forno.

Aparentemente, os rumores sobre esquemas de criptomoedas eram, de fato, falsos, já que algo do tipo jamais passaria despercebido por detentoras de plataformas, como a Sony e a Nintendo. No entanto, a cozinha da distribuidora não está livre de problemas.

Segundo o desenvolvedor não identificado, o jogo teria sido removido das lojas devido a uma disputa legal entre a Office Create, dona da franquia, e a Planet Entertainment, para quem os direitos da propriedade intelectual foram licenciados. Essas alegações se provaram verdadeiras recentemente, graças a uma nota de imprensa vindo diretamente da empresa japonesa.

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Em sua mensagem, a Office Create esclarece que apesar de ter licenciado a franquia para a Planet Entertainment, os padrões de qualidade do jogo não haviam sido atendidos e, portanto, o lançamento não teria sido aprovado. Além disso, a distribuidora tinha direito de lançar o título apenas no console da Nintendo e não poderia produzir uma versão para PS4, um acordo que foi violado logo no anúncio.

Mesmo tendo os direitos imediatamente revogados após todo o fiasco, a Planet continua a vender o jogo em suas plataformas. Levando essa série de fatores em consideração, os desenvolvedores originais não vêem alternativa além de buscar ações legais contra a distribuidora.

Screenshot de Cooking Mama Cookstar

Com isso, finalmente temos uma explicação sobre o misterioso e bizarro lançamento de Cooking Mama Cookstar, mas parece que uma resolução ainda está por vir. Não seria estranho estarmos testemunhando os últimos capítulos da história da Planet Entertainment como distribuidora de jogos, mas nos resta apenas esperar pelo desfecho dessa saga.

Em adição, vale lembrar que o estúdio não foi responsável pelas negociações daqueles que o contrataram. Assim, esperamos que a 1st Playable, que só demonstrou dedicação a um projeto que outrora poderia ter sido algo memorável por boas razões, saia dessa situação ilesa.

Cooking Mama 4: Kitchen Magic e 5: Bon Appétit!, os título principais mais recente da franquia, se encontram disponíveis mundialmente para Nintendo 3DS, juntamente da spin-off Sweet Shop. Os jogos anteriores foram lançados para DS e dois games adicionais chegaram ao Wii. No momento, é improvável que Cookstar retorne de forma autorizada para Switch ou PlayStation 4.

Compartilhe:

Qual foi a sua reação?

amei amei
0
amei
haha haha
0
haha
meh... meh...
0
meh...
eita! eita!
2
eita!
quê? quê?
0
quê?
Angelo G.S.

Aspirante a escritor e jornalista. Minato é um amante de jogos, cinema, seriados, histórias em quadrinhos, música e tudo relacionado ao Japão. É uma fábrica de ideias que está sempre produzindo cada vez mais, apesar de não colocar nem metade em prática. Seus jogos favoritos são Persona 3, Okami, Steambot Chronicles, Shin Megami Tensei: Nocturne, Portal 2 e a série Kingdom Hearts.